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Campus:
CAMPUS FORTALEZA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Assessoria Popular para o enfrentamento dos conflitos territoriais e alternativas ao (des)envolvimento
Área Temática:
Meio Ambiente
Linha de Extensão:
Desenvolvimento Rural e Questão Agrária
Data de Início:
22/12/2025
Previsão de Fim:
22/12/2026
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
50
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
400
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
-
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Fortaleza
Limoeiro do Norte
Quixeré
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Formas de Divulgação:
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Diego Gadelha de Almeida
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Aline de Sousa Maia Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte Integrante Sem vínculo Não 2 22/12/2025 22/12/2026
Anjerliana Souza Oliveira Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte Integrante Sem vínculo Não 2 22/12/2025 22/12/2026
Diego Gadelha de Almeida IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 22/12/2025 22/12/2026
Mateus da Silva Amaral IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 22/12/2025 22/12/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O modelo de (des)envolvimento adotado, difundido e defendido pelo Estado brasileiro é marcado por conflitos territoriais. Agronegócio, mineração, industrialização, grandes obras, megaeventos, mercantilização das cidades são atividades e processos que desencadeiam conflitos e impõem uma carga desigual de impactos sobre os grupos e classes sociais desprovidos de recursos políticos, técnicos, econômicos e informacionais. Na região Nordeste, especificamente no Estado do Ceará, o agrohidronegócio, notadamente produtor de frutas tropicais, é um dos principais vetores de ativação de conflitos. O poder público, representado pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) – na escala nacional – e pelos órgãos estaduais de sustentação e difusão do agronegócio, vem instalando um complexo sistema de objetos e ações para atrair e consolidar um modelo de desenvolvimento marcado pelos seguintes processos: uso intenso de agrotóxicos, com o comprometimento da saúde ambiental e do trabalhador; (re)concentração da terra e da renda, bem como expropriação de comunidades tradicionais; geração de postos de trabalho precários; concentração e privatização da água. Outra fração do território alvo de forte intervenção estatal e ação de grupos empresariais de capital nacional e internacional é o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, onde a produção de aço e de energia, bem como a promessa de atração de novos empreendimentos intensivos em natureza ameaça a saúde ambiental e humana da população do entorno. Entre os atingidos por esse modelo de (des)envolvimento destacamos os trabalhadores das empresas, os territórios das comunidades rurais do semiárido e do litoral, a população urbana e os diversos componentes da natureza: solo, água, ar, fauna e flora. Assim, para contribuir com as comunidades atingidas por esse modelo de (des)envolvimento, o projeto de extensão “Assessoria Popular para o enfrentamento dos conflitos territoriais e alternativas ao (des)envolvimento” busca, em parceria com as comunidades impactadas, movimentos sociais e organizações não governamentais, reforçar e subsidiar as lutas e resistências dos sujeitos impactados – organizados ou não. Para tanto, o projeto buscará produzir os seguintes materiais e atividades: relatórios técnicos, materiais informativos, documentários, participação em reuniões de negociação entre as partes em conflito, audiências públicas, oficinas de formação política e planejamento para o enfrentamento dos conflitos e a construção de alternativas. No Ceará, atuaremos principalmente na região do Vale do Jaguaribe, nos municípios de Quixeré e Limoeiro do Norte, onde um modelo de (des)envolvimento se instala provocando inúmeros conflitos impulsionados pela implantação de grandes barragens, perímetros irrigados e a chegada de empresas do agronegócio. Atuaremos também na Região Metropolitana de Fortaleza, sobretudo na capital do estado e no município de Caucaia. A visibilização das comunidades impactadas, a potencialização dos gritos do território, a troca e geração de informações contra-hegemônicas, produzidas em parceria com os atingidos, e a construção de alternativas ao projeto de (des)envolvimento coordenado pelo Estado-capital são os principais objetivos do presente projeto de extensão.
Justificativa
Nas últimas três décadas, a região do Vale do Jaguaribe, no Estado do Ceará, foi selecionada pela parceria Estado-capital como território-alvo de grandes projetos hidroagrícolas. Grandes barragens (Castanhão e Figueiredo), perímetros irrigados (Jaguaribe-Apodi e Tabuleiros de Russas) e empresas nacionais e multinacionais do agrohidronegócio se territorializaram na região, impulsionando inúmeros conflitos socioambientais. Outra fração do espaço cearense que vivencia, com intensidade, conflitos territoriais é a Região Metropolitana. Neste recorte, estamos interessados em contribuir com os processos que envolvem o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, além dos conflitos relacionados à geração de energia dita “renovável”. Objetivamos, assim, revelar que o Estado, em parceria com o capital, para legitimar seu modelo de (des)envolvimento, produz estudos e um discurso marcado por conceitos e expressões carregados de ideologia: desenvolvimento, progresso, qualidade de vida, geração de emprego e renda, crescimento**, entre outros**. Tal discurso tem como objetivo principal conquistar a simpatia dos diversos segmentos da sociedade civil e construir uma rede de apoio que defenda e garanta as intenções dos agentes hegemônicos. Na outra ponta, as comunidades e os grupos sociais atingidos pelos projetos e atividades são invisibilizados, acusados de obstáculo ao “progresso”, desqualificados por não contribuírem com a contabilidade midiática do capital, e recebem a maior carga dos impactos socioambientais. Assim, as instituições públicas de ensino, pesquisa e extensão, a exemplo do Instituto Federal do Ceará, devem, em parceria com os atingidos, construir conhecimentos e instrumentos que visibilizem as contradições do modelo de (des)envolvimento em curso, cumprindo sua função social. Desvelar a lógica da territorialização do agronegócio e das grandes obras na região do Vale do Jaguaribe, com a produção de relatórios técnicos e documentários, participação em reuniões de negociação e audiências públicas, promoção de oficinas de formação política e de planejamento, e a qualificação da atuação dos movimentos sociais e organizações não governamentais da região constituem os objetivos do presente projeto de extensão e justificam a ação planejada.
Público Alvo
(1) Agricultores(as) das comunidades rurais e populações urbanas impactas pelo projeto de (des)envolvimento do Estado e/ou Capital. (2) Movimentos Sociais do Campo e Cidade. (3) Organizações não-governamentais que atuem no enfretamento aos conflitos territoriais e na construção de alternativas ao desenvolvimento. (4) Grupos acompanhados pela Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte.
Objetivo Geral
Desvelar, em parceria com os atingidos, a lógica da territorialização do agronegócio/grandes obras/ projetos de desenvolvimento em curso no Vale do Jaguaribe e na Região Metropolitana de Fortaleza, a partir da produção de informações técnicas, relatórios, participação em eventos políticos, audiências públicas, reuniões de negociação, ato públicos, entre outros instrumentos que subsidiem a luta e a resistências dos grupos sociais atingidos pelo atual modelo de (des)envolvimento.
Objetivo Específico
-Produzir análises das políticas públicas agrícolas e hídricas com sua devida socialização para as comunidades e movimentos sociais que atuam na região no Vale do Jaguaribe; -Elaborar relatórios técnicos-populares, em parceria com as comunidades atingidas, sobre as contradições das políticas públicas implantadas em cada território; -Contribuir com a visibilização dos conflitos territoriais através da assessoria à produção de vídeos, cartilhas e outros materiais audiovisuais que tratem dos impactos socioambientais e contradições das políticas públicas em curso; -Promover formações, oficinas e reuniões de planejamento em parceria com organizações da sociedade civil sobre temas que contribuam com a garantia de direitos e a justiça social.
Metodologia
O projeto contará com a parceria da Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte. A participação direta dos sujeitos dos conflitos na definição dos caminhos da proposta de extensão é o princípio norteador da metodologia, entendendo a troca de saberes como uma estratégia potencializadora dos objetivos projeto. Para alcançar os objetivos propostos faz-se necessário desenvolver as seguintes atividades: (1) Apresentação do projeto de extensão às comunidades atingidas, organizações não-governamentais e movimentais sociais envolvidos nos conflitos territoriais. (2) Sistematização das demandas, temas e necessidades de conhecimento e atividades do público-alvo do projeto. (3) Elaboração de relatórios técnicos que subsidiem a atuação e a resistência das comunidades e grupos sociais atingidos, bem como qualifiquem a atuação dos movimentos sociais e organizações não-governamentais que atuam na região. (4) Produção de documentários que visibilizem os conflitos territoriais em curso e sirvam de instrumento de debate e mobilização social. (5) Participação, em conjunto com Ongs, movimentos sociais, de reuniões de negociação com as diversas instâncias do Estado, bem como das audiências públicas que debatam os conflitos em curso. (6) Promoção de oficinas de formação política e planejamento para os grupos sociais e movimentos envolvidos nos conflitos com o objetivo de potencializar a resistência aos conflitos em curso, bem como construir alternativas. (7) Produção de Cartografias temáticas.