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Campus:
CAMPUS FORTALEZA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Jardim Didático e Sensorial: Suporte ao ensino e ações terapêuticas
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Agroecologia
Data de Início:
30/05/2026
Previsão de Fim:
30/04/2028
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
100
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
200
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
Matriz Orçamentária do Campus
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Fortaleza
Formas de Avaliação:
Participação
Formas de Divulgação:
Site institucional
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Julio Albuquerque Camilo Saraiva
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Jose Messias Pereira Da Silva IFCE Integrante Terceirizado do IFCE Não 1 30/05/2026 30/03/2028
Julio Albuquerque Camilo Saraiva IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 30/05/2026 30/03/2028
Marcelo Oliveira Teles de Menezes IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 30/05/2026 30/03/2028
Reginaldo Narcelio Rodrigues do Nascimento IFCE Integrante Discente IFCE Sim 12 30/05/2026 30/03/2028
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 460.66
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O quanto nós sabemos sobre as plantas que nos rodeiam? Vamos iniciar com um experimento simples. Feche os olhos e tente rememorar o seu café da manhã. Supondo que você é um brasileiro típico, teremos um café quente e um pão que pode ou não estar recheado. O café é uma planta nativa da Etiópia, mas é tão onipresente e importante no Brasil que já integrou até o brasão da nossa bandeira no período monárquico. Já o pão é produzido a partir da farinha de trigo. E se o café foi a base da economia brasileira durante muito tempo, o trigo, um dos primeiros tipos de grãos a ser domesticado, acompanha o Homo sapiens desde o neolítico. O excedente da produção de grãos do Neolítico foi o que nos permitiu uma divisão do trabalho, o surgimento das classes sociais, a ocupação em atividades que não tivessem como função imediata a produção de alimentos, como, por exemplo, o sacerdócio e o ensino. Não é à toa que Jesus, segundo João, proclamou. “Eu sou o pão da vida". Igrejas, reinos, universidades. Na argamassa complexa que formou a nossa sociedade, um dos pilares iniciais, com certeza foi o trigo. Podemos prosseguir o experimento. Almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. As plantas estão lá. Arroz, feijão, macarrão, milho, mandioca, cenoura, couve, alface, batata. As mais diversas e coloridas frutas. Plantas, plantas e plantas. Se, contudo, elas são tão importantes. Moldaram impérios, mudaram a cultura, escreveram a nossa história. Como pode, apesar de tudo isso, as ignorarmos tanto? As plantas não recebem a atenção que merecem. Salatino e Buckeridge (2016) argumentam que a Botânica perdeu o status de scientia amabilis, que possuía até o início do século XX. Essa disciplina, segundo os autores, é agora encarada como scientia neglecta (ciência descartável). Isso, em parte, pode ser devido a cegueira botânica (Wandersee e Schussler, 1998). É importante assinalar que o incômodo de alguns pesquisadores com o viés capacitista do termo cegueira botânica (PRAKASH, 2010; URSI e SALATINO, 2022). No presente trabalho, contudo, continuaremos nos utilizando desse termo, pois: 01. É o mais amplo na produção acadêmica, 02. Os próprios proponentes deixam claro que o termo deve ser interpretado de maneira metafórica (WANDERSEE e SCHUSSLER, 1998); e 03. os termos sugeridos para substituí-lo não possuem a mesma força imagética. Wandersee e Schussler (1998) definem a cegueira botânica como a incapacidade de ver ou perceber as plantas em seu próprio ambiente. Essa incapacidade, por sua vez, pode fazer com que os indivíduos afetados por tal condição: Minimizem a importância das plantas tanto para a biosfera quanto para a sobrevivência da nossa própria espécie; não possuam as ferramentas necessárias para admirar as características biológicas únicas do reino vegetal ou para a fruição estética provida pelas plantas; e recorram a ultrapassada scalae naturae que coloca os animais acima dos vegetais. Sendo assim, não é de se assustar, que indivíduos acometidos dessa condição cheguem a errônea conclusão de que as plantas não são merecedoras de atenção e respeito e, por tal motivo, não deveriam se esforçar pela sua preservação. A cegueira botânica, dessa forma, cria um círculo vicioso no Ensino de Biologia no Brasil e em outros países. Professores com formação insuficiente em botânica não conseguem motivar os seus alunos no aprendizado da matéria no ensino fundamental e médio. Alguns desses estudantes ingressam no ensino superior e, eventualmente, escolhem a Licenciatura em Biologia. Muitos deles, provavelmente, serão incapazes de passar aos futuros alunos o necessário entusiasmo pelo aprendizado de Botânica (SALATINO e BUCKERIDGE, 2016). Para combater a cegueira botânica, colocar as plantas no patamar que elas merecem e permitir a tão importante fruição com o meio vegetal é que propomos como atividade de extensão a criação e manutenção de um jardim didático e sensorial no IFCE - Campus Fortaleza.
Justificativa
Entendendo as relações em rede que temos entre os objetos naturais e culturais e todos esses “artigos híbridos que delineiam imbróglios de ciência, política, economia, direito, religião técnica, ficção”. (LATOUR, 2013). Como a ignorância “gerada pela cegueira botânica irá influenciar negativamente a tomada de decisões e políticas públicas no Brasil?" (SALATINO e BUCKERIDGE, 2016). Vivemos em um país que tem como principais commodities a exportação de gêneros alimentícios, principalmente soja e milho. Por outro lado, temos boa parte da floresta mais biodiversa do mundo em nosso território. Como explicar que não se pode derrubar uma para plantar a outra se, no final das contas, para o acometido de cegueira botânica, é tudo mais ou menos a mesma coisa? Se a biodiversidade da floresta, e toda a riqueza oriunda dela, não é plenamente percebida exatamente pela cegueira botânica? Melhorar o ensino de Botânica e combater a cegueira botânica, então, vai muito além da preocupação cartesiana com as notas dos alunos na disciplina. Ensinar botânica de maneira apropriada é uma medida de preservação do nosso futuro como espécie e do planeta como o conhecemos. Ainda Salatino e Buckeridge (2016), sugerem metas de curto, médio e longo prazo como: atividades de campo e de laboratório, enfatizar o valor cultural, histórico e econômico das plantas, a importância de mentores para o cultivo de plantas e a contribuição dos meios de comunicação. Praticamente todas essas metas podem ser alcançadas com a implantação de um jardim didático e sensorial. Muitos estudos e iniciativas têm tentado resgatar a conexão com a natureza, e com o mundo vegetal em específico, por meio de atividades pedagógicas no ensino regular e em ações extracurriculares de educação ambiental (e.g. Tabatinga-Filho et al. 2025; Vargas, 2007), o jardim didático tanto fornece material para as aulas de laboratório como a aula de campo pode ser realizada no jardim. Independentemente do conhecimento sobre as plantas, outros estudos têm constatado os diversos benefícios do contato com áreas verdes para a saúde mental de crianças e adolescentes (Costa et al., 2022; Szeremeta et al., 2012) e, dessa forma, um jardim sensorial pode ajudar a enfatizar o valor cultural, histórico e econômico das plantas. Por fim, independentemente do conhecimento sobre as plantas, outros estudos têm constatado os diversos benefícios do contato com áreas verdes para a saúde mental de crianças e adolescentes (Costa et al., 2022; Szeremeta et al., 2012) O bolsista e o professor, além de atuarem no cuidado e manutenção do jardim, servirão como mentores à todos que possuam interesse em Botânica. Sejam estudantes, servidores, colaboradores e comunidade externa que se utiliza do Campus.
Público Alvo
Moradores da cidade de Fortaleza e região metropolitana
Objetivo Geral
Mitigar a "cegueira botânica" e promover a alfabetização científica por meio da instalação e manutenção de um jardim didático e sensorial no pátio central do IFCE - Campus Fortaleza, consolidando o espaço como ambiente de aprendizagem e troca de saberes
Objetivo Específico
Promover o contato do público-alvo com plantas ornamentais, medicinais, frutíferas, e plantas alimentícias não convencionais (PANCs) Promover o contato do público alvo com espécies com cores, odores, sabores e texturas características, para exploração sensorial Mapear e sinalizar as diferentes espécies de plantas lenhosas existente no Campus e (quando possível, sua identificação específica) Oferecer Passeios guiados pelo jardim com vistas a sua exploração sensorial aberto aos alunos, servidores e comunidade externa
Metodologia
Etapa 01 (Mobilização) Postagem em rede social do laboratório de Biologia (BioLab) para divulgação do projeto com a comunidade interna e externa Divulgação do projeto via Comunicação Social nos meios institucionais do IFCE-Campus Fortaleza Divulgação do projeto pelos professores de Biologia com as suas respectivas turmas As inscrições para a visita ao jardim se iniciarão a partir do segundo semestre. Horários e datas serão disponibilizadas na rede social Instagram do laboratório de Biologia via preenchimento de formulário. As visitas podem ser marcadas de maneira individual ou em grupos de até 10 pessoas por vez. (tanto da comunidade interna como da comunidade externa). Agendamentos de escolas, associações e outros grupos com mais de dez pessoas, podem ser realizados via interação no direct do perfil do laboratório no Instagram. Etapa 02 (Execução) Treinamento inicial, pelo coordenador do projeto, do bolsista para ministrar a oficina de produção de mudas e para realizar a visita guiada Levantamento de todas as espécies lenhosas existentes no IFCE - Campus Fortaleza (realizada pelo bolsista com a supervisão do docente) Produção de placas com o nome científico da espécie e nome comum, quando houver (realizada pelo bolsista com a supervisão do docente) Cultivo de plantas ornamentais, medicinais, frutíferas, e plantas alimentícias não convencionais (PANCs) (realizada pelo bolsista com a supervisão do docente) Cultivo de espécies com cores, odores, sabores e texturas características, para exploração sensorial (destacando sempre quando for seguro a manipulação ou não da planta) (realizada pelo bolsista com a supervisão do docente) Realização de rega e poda do jardim Visita guiada ao jardim sensorial (aberta tanto a comunidade interna como a comunidade externa). Limite máximo de 10 pessoas por visita. A visita guiada misturará: informação sobre as diversas plantas, deleite sensorial (gostos, cheiros, toques, beleza cênica das plantas - esse contato com áreas verdes para a saúde mental de crianças e adolescentes ) e produção de mudas (que poderão ser levadas ao final da visita). Tendo, assim, a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Etapa 03 (Acompanhamento e Avaliação) O acompanhamento e avaliação das ações desempenhadas será realizada tanto por opiniões espontâneas coletadas durante as visitas ou como resposta as postagens do Laboratório de Biologia na rede social Instagram como, nas visitas guiadas, via questionário semiestruturado disponibilizado ao final da visita por QRcode será via questionário semiestruturado