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Campus:
CAMPUS PARACURU
Tipo da Ação:
Evento
Título:
Saberes das mulheres das águas no Consórcio do Notório Saber: vivências educativas sobre território, trabalho e cultura alimentar das marisqueiras de Paracuru (CE)
Área Temática:
Cultura
Linha de Extensão:
Patrimônio Cultural, Histórico, Natural e Imaterial
Data de Início:
02/03/2026
Previsão de Fim:
13/05/2026
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
40
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
150
Carga Horária de Execução do Evento:
39
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
-
Programa Institucional
NEABIs
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Paracuru
Paraipaba
São Gonçalo do Amarante
São Luís do Curu
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Reunião
Formas de Divulgação:
Redes sociais
Convite
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Jornada
Ciclo de Debates
Apresentação
Palestra
Oficina
Nome do Responsável:
Iara Saraiva Martins
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Luiza de Albuquerque Alves IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Anderson dos Santos Magalhães IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Antonio Cristian Matias Rodrigues IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Antonio Italo de Sousa Moura IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Claudia Melo Mestra Marisqueira de Paracuru Integrante Sem vínculo Não 1 01/03/2026 13/05/2026
Francisca Suele Cruz Paula IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Francisco Rodrigo Holanda dos Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Hellenvivian de Alcantara Barros IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Sim 1 01/03/2026 13/05/2026
Iara Saraiva Martins IFCE Coordenador Docente IFCE Sim 1 02/03/2026 13/05/2026
Israel Silva Sales IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Kauane Vitória Monteiro dos Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Lucas Myroell Barbosa Antunes IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Luciene Feitosa Mestra Marisqueira de Paracuru Integrante Sem vínculo Não 1 01/03/2026 13/05/2026
Lucky Eduardo do Vale Lima Paulino IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Luiza Maria Vieira Magalhães Mestra Marisqueira de Paracuru Integrante Sem vínculo Sim 1 01/03/2026 13/05/2026
Lurdiane Gomes Bezerra IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Marcus Vinicius Pacheco Nunes IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Maria Clara Alcantara da Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Michael Jordan Santos de Oliveira IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Nayana Duarte Castelo Branco IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Raiane Pereira dos Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Raimundo Aterlane Pereira Martins IFCE Integrante Docente IFCE Sim 1 01/03/2026 13/05/2026
Renata Emily Mendes da Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Rochely Gomes Nunes IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Samara Cavalcante Moura IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Ticiana de Brito Lima Holanda IFCE Integrante Docente IFCE Não 1 01/03/2026 13/05/2026
Ticiana de Brito Lima Holanda Universidade Federal do Ceará Integrante Sem vínculo Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Victor Eufrásio dos Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Vilma Correia dos Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 01/03/2026 13/05/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Coletivo Guerreiras das águas; UFC; UNILAB; MINC - Consórcio do Notório Saber; Rede INTERSET/CE Não
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
A proposta “Saberes das mulheres das águas: vivências educativas sobre território, trabalho e cultura alimentar das marisqueiras de Paracuru (CE)” se insere no contexto do Consórcio do Notório Saber de Mestres e Mestras da Cultura Tradicional e Popular nas Instituições Públicas de Ensino Superior e tem como eixo central a valorização dos conhecimentos produzidos pelas mulheres marisqueiras e pescadoras artesanais a partir de sua relação cotidiana com o mangue, o mar, os maretórios e territórios costeiros. Esses saberes, construídos no exercício do trabalho, no cuidado com a natureza e na organização da vida coletiva, constituem sistemas complexos de compreensão do ambiente, historicamente socializados entre gerações e fundamentais para a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros. O IFCE Campus Paracuru vem se dedicando, ao longo dos últimos anos, ao desenvolvimento de ações de ensino, pesquisa e extensão junto às comunidades tradicionais da zona costeira, com especial atenção às mulheres marisqueiras e pescadoras. Essas iniciativas reconhecem que os modos de vida dessas mulheres articulam trabalho, território e cultura de forma indissociável, oferecendo referências pedagógicas e socioambientais relevantes para a formação docente e para os cursos da área ambiental. No contexto das crises socioambientais contemporâneas e das mudanças climáticas, os saberes ecológicos tradicionais das marisqueiras assumem especial relevância. As práticas de uso sustentável do mangue, o conhecimento sobre os ciclos das marés, das espécies e dos tempos da natureza, assim como a cultura alimentar baseada na coleta, no preparo e no compartilhamento dos alimentos do mangue, configuram estratégias históricas de adaptação, resistência e cuidado com o território. Tais práticas contribuem diretamente para debates atuais sobre soberania alimentar, justiça socioambiental e sustentabilidade. Ao promover vivências educativas sobre os territórios e maretórios, o projeto propõe a inserção desses saberes no espaço acadêmico como referência legítima para a produção de conhecimento e para a formação crítica de estudantes, professores e educadores. Trata-se de uma iniciativa que busca ampliar os marcos epistemológicos da educação superior, incorporando perspectivas construídas a partir das experiências das comunidades tradicionais e tensionando hierarquias que historicamente subalternizaram esses conhecimentos. Dessa forma, a proposta consolida-se como uma ação educativa comprometida com a inclusão e a legitimação das epistemologias produzidas pelas mulheres das águas no âmbito das instituições de ensino e da pesquisa. Ao fortalecer o protagonismo das marisqueiras de Paracuru e promover o diálogo entre saberes tradicionais, orgânicos e acadêmicos, a proposta contribui para a construção de práticas formativas mais sensíveis aos territórios, à diversidade cultural e aos desafios ambientais contemporâneos.
Justificativa
Percebemos a presença forte e estruturante das mulheres marisqueiras e pescadoras artesanais na dinâmica socioambiental e cultural do litoral de Paracuru, não apenas como força de trabalho, mas como guardiãs de saberes ecológicos tradicionais, profundamente articulados aos ciclos do mangue, das marés e da vida costeira. Esses saberes orientam práticas sustentáveis de uso do território/maretório, organização comunitária e produção alimentar, constituindo um patrimônio imaterial historicamente invisibilizado pelos processos de modernização e pelas epistemologias dominantes. A escolha da temática desta atividade decorre de um acúmulo de experiências formativas, extensionistas e de pesquisa desenvolvidas pelo IFCE Campus Paracuru junto às marisqueiras do município, entre as quais se destacam o projeto de extensão Guerreiras das Águas, as ações do Programa Mulheres Mil, o Programa Manuel Querino, a Rede Interset- CE bem como a inserção das temáticas relacionadas às marisqueiras nas disciplinas de História da Educação, Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia da Aprendizagem e Trabalhos de Conclusão de Curso da Licenciatura em Ciências Biológicas. Essas experiências evidenciaram a potência pedagógica dos saberes das mulheres das águas e a necessidade de aprofundar sua socialização em processos formativos mais sistemáticos e territorializados. Compreendemos que os saberes ecológicos tradicionais das marisqueiras vão além das técnicas de trabalho e da subsistência econômica. Eles expressam formas próprias de interpretar a natureza, gerir os bens comuns e produzir conhecimento a partir da experiência, conforme apontam estudos sobre conhecimento ecológico tradicional (Berkes, 2012). Da mesma forma, a cultura alimentar do mangue, construída a partir da coleta, do preparo e do compartilhamento dos alimentos, configura-se como prática de resistência, identidade e cuidado com o território, dialogando com abordagens da antropologia da alimentação (Mintz, 2001; Contreras, 2011). Nesse sentido, a realização de vivências educativas no território possibilita observar e compreender esses saberes in loco, articulando-os a diferentes dimensões analíticas: ecológica, cultural, social e pedagógica. Trata-se de promover um encontro entre os saberes produzidos pelas marisqueiras e os meios científicos e acadêmicos, não a partir de uma lógica de hierarquização, mas de diálogo e confluência, conforme defende Nego Bispo (2015). Justificamos, assim, a realização desta ação ao mesmo tempo em que afirmamos a centralidade dos saberes das mulheres das águas como referenciais legítimos para a educação, a pesquisa e a formação docente. Ao enaltecer e sistematizar os conhecimentos das marisqueiras de Paracuru, a proposta contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas, para a valorização da diversidade epistemológica no meio acadêmico e para o fortalecimento de práticas educativas comprometidas com a justiça socioambiental e os territórios tradicionais.
Público Alvo
Marisqueiras-pescadoras do município de Paracuru; educadores; gestores culturais e demais interessados.
Objetivo Geral
-Promover a integração dos saberes ecológicos tradicionais e da cultura alimentar das mulheres das águas ao campo da educação, da pesquisa e da formação docente, por meio de vivências educativas territorializadas junto às marisqueiras de Paracuru (CE).
Objetivo Específico
-Compreender as marisqueiras e pescadoras artesanais de Paracuru como sujeitas de conhecimento, suas relações com o território e o maretório, seus modos de vida e as questões socioambientais que atravessam sua existência e seu trabalho. -Identificar e sistematizar os saberes ecológicos tradicionais das marisqueiras, com ênfase no manejo do mangue, nos ciclos das marés, nas técnicas de trabalho e nas práticas de cuidado e uso sustentável dos bens naturais. -Analisar a cultura alimentar das mulheres das águas como prática territorial, ecológica e política, relacionada à soberania alimentar, à reprodução da vida e às estratégias comunitárias de enfrentamento às mudanças climáticas. -Contribuir para a construção de práticas educativas interculturais e territorializadas, comprometidas com a justiça socioambiental, a valorização das comunidades tradicionais e a legitimação de epistemologias produzidas pelas mulheres das águas no meio acadêmico.
Metodologia
As ações serão desenvolvidas no período compreendido entre o final do mês de janeiro e o mês de maio de 2026, estruturado a partir de uma metodologia fundamentada em vivências educativas territorializadas, no diálogo de saberes e no reconhecimento do notório saber das mulheres das águas. As ações terão maior intensidade no mês de fevereiro e se articularão ao calendário do Dia Municipal das Marisqueiras de Paracuru, momento simbólico e político de afirmação da identidade, do trabalho e dos saberes das mulheres das águas. Os processos educativos serão conduzidos prioritariamente por Luiza Maria Vieira, mestra e liderança do Coletivo de Marisqueiras e Pescadoras Guerreiras das Águas, em articulação direta com as demais mulheres marisqueiras e pescadoras do território, com acompanhamento pedagógico da docente proponente. O plano organiza-se em quatro momentos articulados, conforme descrito a seguir. Planejamento participativo das ações (final de janeiro) As atividades terão início no final do mês de janeiro, com a realização de reuniões de planejamento participativo entre a docente proponente, a liderança Luiza Maria Vieira e as demais marisqueiras e pescadoras do coletivo Guerreiras das Águas. Esse momento terá como objetivos: -definir coletivamente os conteúdos, percursos territoriais e estratégias pedagógicas das vivências; -alinhar as ações ao calendário comunitário e ao Dia Municipal das Marisqueiras; -assegurar que os tempos, saberes e dinâmicas do território/maretório orientem todo o processo formativo. No mês de fevereiro, período central da proposta, será desenvolvido o primeiro ciclo de vivências educativas, voltado à compreensão de quem são as marisqueiras e pescadoras artesanais de Paracuru e às questões socioambientais e culturais que atravessam seus modos de vida. As atividades incluirão a realização de aula pública conduzida por Luiza Maria Vieira, com participação das demais marisqueiras, abordando a história do trabalho das mulheres das águas, suas trajetórias de luta, os processos de organização coletiva e as estratégias de resistência construídas no território. Esses momentos serão articulados a debates sobre conflitos socioambientais, impactos das mudanças climáticas e degradação dos manguezais, além de diálogos com estudantes, professores, educadores populares e representantes de movimentos sociais. Entre os meses de fevereiro e março será desenvolvido o segundo momento das vivências educativas, com foco nos saberes ecológicos tradicionais das marisqueiras, tomando o mangue como espaço central de aprendizagem. As ações compreenderão a realização de trilhas ecológicas no mangue, conduzidas por Luiza Maria Vieira e pelas marisqueiras do Coletivo Guerreiras das Águas, nas quais serão abordados conhecimentos sobre as marés, as espécies do manguezal e as temporalidades do trabalho. Esse processo será complementado por demonstrações práticas das técnicas tradicionais de mariscagem e pesca artesanal, bem como por diálogos sobre manejo sustentável, cuidado com o território e enfrentamento às mudanças climáticas a partir das práticas e experiências das mulheres das águas. Nos meses de abril e maio, o plano de trabalho será dedicado à construção coletiva de um produto educativo, consistente na elaboração de uma cartilha sobre os saberes ecológicos tradicionais articulados à cultura alimentar das marisqueiras de Paracuru. Esse processo será desenvolvido de forma participativa, com protagonismo das marisqueiras e sob a condução de Luiza Maria Vieira, envolvendo a sistematização dos saberes compartilhados ao longo das vivências educativas, a seleção de temas, narrativas, práticas e receitas tradicionais, a construção coletiva dos conteúdos com respeito à oralidade, às memórias e às formas próprias de transmissão do conhecimento das marisqueiras, a produção de registros escritos, fotográficos e audiovisuais que subsidiarão o material, bem como a revisão coletiva dos conteúdos, assegurando fidelidade aos saberes, à linguagem e à identidade das mulheres das águas. A cartilha será concebida como um material pedagógico intercultural e territorializado, voltado à formação de estudantes, professores e educadores populares, bem como ao fortalecimento da memória coletiva e da luta das marisqueiras de Paracuru. Como culminância do plano de trabalho, no mês de maio será realizada a socialização da cartilha produzida, por meio de sua apresentação pública, seguida de uma roda de conversa avaliativa com a participação das marisqueiras, dos demais participantes e de parceiros institucionais. O encerramento ocorrerá em um momento coletivo de partilha de alimentos tradicionais e celebração dos saberes, das trajetórias e das experiências formativas construídas ao longo do processo. Todo o plano de trabalho será orientado pelo protagonismo das mulheres das águas e pelo reconhecimento do notório saber, pelo diálogo e pela confluência entre saberes tradicionais, orgânicos e acadêmicos, pela educação intercultural, territorializada e ambientalmente comprometida, bem como pela valorização da experiência, da oralidade e do território e maretório como dimensões constitutivas do conhecimento. Todo o plano de trabalho será orientado pelos seguintes princípios: • protagonismo das mulheres das águas e reconhecimento do notório saber; • diálogo e confluência entre saberes tradicionais, orgânicos e acadêmicos; • educação intercultural, territorializada e ambientalmente comprometida; • valorização da experiência, da oralidade e do território/maretório como dimensões do conhecimento.