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Campus:
CAMPUS FORTALEZA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Ciclo de Palestras - Ensino e Educação Inclusiva
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Acessibilidade
Data de Início:
09/03/2026
Previsão de Fim:
01/12/2026
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
30
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
50
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
-
Programa Institucional
NAPNEs
Modelo de Oferta da Atividade:
Semi-Presencial
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Pesquisa de Satisfação
Trabalho em grupo
Trabalhos Escritos
Formas de Divulgação:
Cartaz
E-mail
Folder
Mala direta
Sistema acadêmico
Site institucional
Redes sociais
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Marcos Alberto de Oliveira Vieira
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Giselle Lara Candido de Sousa IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 09/03/2026 01/12/2026
Marcos Alberto de Oliveira Vieira IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 09/03/2026 01/12/2026
Thiago Borges de Araujo IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 09/03/2026 01/12/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O Projeto de Extensão “Ciclo de Palestras – Ensino e Educação Inclusiva”, sob responsabilidade do Prof. Marcos Alberto de Oliveira Vieira, constitui uma ação formativa e estratégica voltada ao fortalecimento de uma cultura educacional baseada em direitos, equidade e acessibilidade. Estruturado como um ciclo de encontros entre março e julho de 2026, o projeto promove o debate qualificado e a aproximação entre universidade e comunidade a partir de quatro eixos centrais: Ensino e Educação Inclusiva, aspectos jurídico-institucionais da pessoa com deficiência (PcD), capacitismo (conceito, manifestações e enfrentamento) e tecnologias assistivas aplicadas ao contexto educacional. A proposta nasce do entendimento de que a inclusão não se resume ao acesso formal, mas depende da identificação e remoção de barreiras atitudinais, comunicacionais, pedagógicas e institucionais que limitam a participação e a aprendizagem. Ao articular fundamentos teóricos com situações concretas do cotidiano escolar e acadêmico, o ciclo de palestras busca qualificar práticas docentes e de gestão, promover o reconhecimento das violências capacitistas — muitas vezes naturalizadas — e estimular a adoção de estratégias de acessibilidade e de Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), favorecendo ambientes educacionais mais responsivos à diversidade. O projeto está diretamente vinculado à Disciplina de Educação Inclusiva, que será ministrada pelo Professor Marcos Vieira, funcionando como um eixo de integração entre ensino, extensão e formação profissional. Os temas abordados nas palestras dialogam com conteúdos estruturantes da disciplina, ampliando o estudo conceitual por meio de experiências extensionistas, participação de convidados(as) e análise crítica de casos. No âmbito da disciplina, o ciclo poderá ser mobilizado como componente formativo aplicado, com estudantes atuando em atividades como mediação de debates, registro reflexivo das palestras, sistematização de aprendizagens, elaboração de propostas pedagógicas acessíveis e construção de recomendações para práticas anticapacitistas. Dessa forma, a disciplina não apenas “acompanha” o projeto, mas se beneficia dele como um laboratório de aprendizagem situada, conectando teoria, legislação, ética e metodologias inclusivas. Ao final do percurso, espera-se consolidar resultados concretos: ampliação do repertório acadêmico e profissional dos participantes, fortalecimento de redes entre universidade e comunidade, difusão de estratégias e recursos de acessibilidade (incluindo tecnologias assistivas) e produção de uma síntese orientadora — como um guia curto de recomendações institucionais — capaz de apoiar decisões pedagógicas e administrativas comprometidas com a garantia de direitos da PcD e com o enfrentamento do capacitismo. Assim, o projeto reafirma a universidade como espaço de produção de conhecimento socialmente implicado e de promoção de práticas educacionais inclusivas, éticas e transformadoras.
Justificativa
1. Contextualização da Demanda/RealidadeA intervenção proposta se insere no contexto de consolidação das políticas de inclusão e acessibilidade na educação brasileira e, em especial, na realidade dos Institutos Federais, que ampliaram significativamente o acesso de públicos diversos, incluindo pessoas com deficiência (PcD), estudantes com necessidades específicas e sujeitos historicamente excluídos dos espaços de formação técnica e superior. No cotidiano institucional, contudo, a presença desses estudantes evidencia desafios que ultrapassam a matrícula e demandam respostas pedagógicas, administrativas e culturais: persistem barreiras atitudinais, comunicacionais, pedagógicas, arquitetônicas e tecnológicas que limitam a participação plena e a aprendizagem, além de dificultarem permanência e êxito acadêmico.A demanda pela intervenção emerge para o IFCE a partir de duas vias complementares: (a) a vivência cotidiana de estudantes e servidores, que revela situações recorrentes de inacessibilidade, dúvidas sobre adaptações razoáveis, fragilidades na comunicação acessível e episódios de capacitismo explícito ou sutil; e (b) o movimento ativo do IFCE em conhecer a realidade do seu território e de sua comunidade acadêmica, por meio de escutas institucionais (reuniões com coordenações, núcleos/instâncias de apoio, atendimento estudantil), observação de casos concretos e diálogo com redes externas (escolas, serviços públicos, famílias e movimentos sociais). Esse processo evidencia que a inclusão exige formação continuada, atualização normativa e construção de repertórios práticos, especialmente quando se considera a complexidade de cursos, laboratórios, estágios, ambientes virtuais e atividades de campo, típicos da formação ofertada pelo IFCE.2. Relevância e Fundamentação da PropostaA proposta se fundamenta em motivos intrínsecos à prática extensionista no IFCE: a extensão, como princípio formativo e função social da instituição, deve promover interação transformadora com a sociedade, articulando saberes acadêmicos e demandas reais do território, com produção de retornos concretos e socialmente relevantes. Nesse sentido, um ciclo de palestras formativas sobre ensino e educação inclusiva, aspectos jurídico-institucionais da PcD, capacitismo e tecnologias assistivas responde diretamente a necessidades identificadas: qualificar servidores e estudantes para lidar com diversidade; fortalecer práticas pedagógicas e avaliativas acessíveis; alinhar rotinas institucionais aos marcos legais; e construir uma cultura anticapacitista que interrompa a naturalização de violências simbólicas e exclusões cotidianas.A relevância social da intervenção decorre do fato de que a exclusão educacional não se explica por “limitações individuais”, mas por barreiras produzidas socialmente e institucionalmente. Ao abordar capacitismo, a proposta enfrenta um problema estrutural que sustenta baixa expectativa, infantilização, superproteção, invisibilização de demandas e culpabilização do estudante por falhas de acessibilidade. Ao integrar o debate jurídico-institucional e as tecnologias assistivas, a intervenção também reduz a distância entre direito formal e prática cotidiana, ampliando a capacidade institucional de garantir acessibilidade e participação com qualidade. Espera-se contribuição direta para inclusão de grupos externos ao IFCE (professores da rede pública, gestores escolares, famílias, PcD e organizações locais), oferecendo formação e estratégias aplicáveis, e fortalecendo redes intersetoriais no território.3. Panorama Científico e de ExtensãoNo panorama científico, a educação inclusiva é compreendida como um campo que se desloca da lógica de “adaptação do aluno” para a transformação do sistema educacional, focalizando barreiras e apoios e a garantia de participação e aprendizagem. Conceitos-chave sustentam a proposta: modelo social da deficiência (deficiência como interação com barreiras), acessibilidade em suas múltiplas dimensões, capacitismo (discriminação baseada na capacidade corporal/cognitiva tomada como norma) e Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que orienta o planejamento para múltiplas formas de engajamento, representação e ação/expressão. A discussão de tecnologias assistivas se ancora no entendimento de que recursos e estratégias devem ser selecionados pela funcionalidade no contexto, promovendo autonomia e participação, e não como “soluções isoladas” desconectadas do currículo e da prática pedagógica.No campo legal e institucional, a proposta se apoia em documentos estruturantes para o tema, com destaque para a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU), incorporada ao ordenamento brasileiro com status constitucional; a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015); a LDB (Lei nº 9.394/1996); e as diretrizes da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), além de normativas de acessibilidade e políticas institucionais. Do ponto de vista extensionista, há acúmulo de experiências no país em formações para redes de ensino, ações intersetoriais e projetos de acessibilidade; entretanto, muitos desses esforços não se sustentam no tempo ou não chegam de forma sistemática aos espaços de educação profissional e tecnológica. A intervenção proposta busca se inserir nesse cenário com um desenho formativo aplicável ao cotidiano do IFCE e ao território, com participação de convidados, estudo de casos e produção de materiais orientadores como devolutiva social.4. Soluções Existentes e LacunasHá intervenções em curso em diferentes instituições e redes para enfrentar problemáticas relacionadas à inclusão: formações pontuais, semanas temáticas, campanhas de sensibilização, atendimentos individualizados, disponibilização de alguns recursos de acessibilidade e ações conduzidas por núcleos/coordenações. Embora relevantes, essas soluções frequentemente apresentam limitações: (a) caráter episódico, sem continuidade e sem sistematização de aprendizados; (b) foco excessivo em “casos” individualizados, com pouca transformação estrutural; (c) baixa articulação entre dimensões pedagógicas, legais e tecnológicas; (d) insuficiente enfrentamento do capacitismo como componente cultural e institucional; e (e) ausência de devolutivas concretas ao território, como guias, protocolos e recomendações que possam orientar práticas.A nova proposta visa preencher essas lacunas ao oferecer uma intervenção sistematizada, com percurso progressivo, que integra os quatro eixos de forma coerente (pedagogia inclusiva, direitos e responsabilidades institucionais, enfrentamento ao capacitismo e aplicação de tecnologias assistivas). Além disso, o ciclo prevê componentes de participação ativa (debates, rodas e oficina), e uma entrega final com potencial de permanência institucional, como síntese de recomendações e encaminhamentos, ampliando o retorno social do conhecimento.5. Evidências e Dados de NecessidadeA necessidade da proposta pode ser evidenciada por um conjunto convergente de informações: (a) a presença crescente de estudantes com perfis diversos no sistema educacional, acompanhada de relatos recorrentes de barreiras de comunicação, avaliação e acessibilidade nos ambientes físicos e digitais; (b) dados amplamente divulgados em diagnósticos educacionais nacionais que indicam que a inclusão com qualidade ainda é desigual e marcada por desafios de permanência e aprendizagem; (c) evidências de que atitudes e expectativas docentes influenciam diretamente desempenho, participação e pertencimento, sendo o capacitismo um fator crítico, ainda pouco nomeado e enfrentado em ações formativas; e (d) relatos de redes e instituições que apontam falta de familiaridade com o arcabouço jurídico e com o uso pedagógico de tecnologias assistivas, o que gera insegurança, respostas improvisadas e, por vezes, práticas excludentes.Para o IFCE, o impacto potencial se traduz em ganhos objetivos: maior capacidade de orientar servidores e estudantes sobre acessibilidade e adaptações razoáveis; melhoria de práticas pedagógicas e avaliativas; qualificação de processos de acolhimento e acompanhamento; fortalecimento de parcerias com redes externas; e ampliação do acesso de grupos externos à formação baseada em direitos. Embora a proposta não dependa de um único indicador para se justificar, seu mérito reside na combinação entre problemas sociais reconhecidos, marcos legais exigentes e a necessidade institucional de respostas formativas e sustentáveis. A avaliação do ciclo poderá produzir dados locais (pré e pós-questionário, devolutivas, participação e sínteses de casos) que retroalimentem ações futuras e fortaleçam decisões institucionais. Observação técnica: caso o edital exija estatísticas específicas (por município/estado, por campus ou por perfil de matrícula), essa seção pode ser complementada com dados institucionais e territoriais consolidados pelo IFCE e por fontes públicas (por exemplo, censos e diagnósticos educacionais), mantendo coerência com a realidade local. 6. Posicionamento do ProponenteO(s) proponente(s) se posiciona(m) no interior da proposta como agente(s) diretamente implicado(s) na formação e na transformação institucional, com capacidade de coordenação pedagógica, articulação intersetorial e condução de processos formativos. Considerando a vinculação do projeto à disciplina Educação Inclusiva, o proponente assume papel duplo e coerente: (a) formador no âmbito do ensino, garantindo consistência conceitual e alinhamento curricular; e (b) articulador extensionista, promovendo a interface com a comunidade externa, convidando especialistas e atores sociais, e sistematizando devolutivas aplicáveis. Essa posição favorece a execução, pois permite integrar planejamento, mobilização de participantes, definição de estratégias de acessibilidade, acompanhamento das atividades e avaliação de resultados, assegurando que a intervenção não seja apenas um evento, mas um percurso com sentido acadêmico e retorno social.
Público Alvo
1. Definição do Público-Alvo Principal O público-alvo principal (direto) da ação “Ciclo de Palestras – Ensino e Educação Inclusiva” é composto por estudantes e profissionais vinculados ao IFCE e às redes públicas de educação do território, com interesse direto na qualificação de práticas inclusivas e na implementação de acessibilidade. Em termos demográficos, trata-se majoritariamente de pessoas entre 18 e 60 anos, de diferentes gêneros, residentes no município do campus e/ou em cidades do entorno (considerando a área de influência do IFCE), com perfil socioeconômico heterogêneo, mas com presença significativa de sujeitos que vivenciam desigualdades de acesso a formação continuada (especialmente estudantes e docentes da rede pública). Em termos psicográficos, esse público tende a valorizar a educação como mecanismo de mobilidade e transformação social, demonstrando interesse em temas como direitos humanos, equidade, práticas pedagógicas, inovação educacional e políticas públicas, ainda que com níveis diferentes de familiaridade conceitual sobre deficiência e capacitismo. No aspecto contextual, são sujeitos que enfrentam desafios concretos: insegurança sobre como realizar adaptações razoáveis, dificuldade em identificar e enfrentar barreiras atitudinais e pedagógicas, dúvidas sobre responsabilidades legais e institucionais, e necessidade de repertório prático sobre tecnologias assistivas e acessibilidade comunicacional (por exemplo, materiais digitais acessíveis, recursos de leitura, legendas e estratégias inclusivas de avaliação). Respondendo explicitamente: o objetivo geral se destina primariamente a estudantes e profissionais da educação (do IFCE e das redes parceiras) que atuam ou atuarão diretamente em processos de ensino, apoio estudantil e gestão pedagógica/institucional, com impacto direto na inclusão e permanência de PcD e demais públicos que enfrentam barreiras educacionais. 2. Previsão Quantitativa Estima-se um atendimento direto de 120 a 200 participantes ao longo do ciclo (março a julho), considerando um desenho operacional realista para um projeto extensionista com quatro palestras principais e atividades integradoras. Essa estimativa se baseia em: (a) capacidade típica de auditório/sala e/ou sala virtual com moderação acessível (faixa segura de 80–120 por encontro, sem comprometer o debate); (b) característica do ciclo, em que parte do público participa de múltiplos encontros, enquanto outra parte participa de forma pontual; e (c) potencial de mobilização do IFCE junto a licenciaturas, cursos técnicos, programas de assistência estudantil, servidores e redes externas (escolas públicas e secretarias), especialmente quando há certificação e temática de alta demanda. Para fins de planejamento, recomenda-se trabalhar com 150 participantes únicos como meta operacional (controle de inscrições e presença), admitindo variação conforme modalidade (híbrida tende a ampliar alcance) e estratégia de divulgação. 3. Especificação/Delimitação Para garantir que a ação atinja o público certo, a delimitação do público direto deve priorizar pessoas com vínculo educacional e/ou atuação profissional na área, e que tenham potencial de aplicar o conteúdo no cotidiano. Critérios de inclusão: (a) estudantes do IFCE (especialmente licenciaturas e cursos com práticas pedagógicas, estágio, projetos em escolas ou atuação comunitária); (b) docentes do IFCE e da educação básica (redes públicas e comunitárias); (c) técnicos-administrativos e equipes de apoio estudantil/pedagógico com interface com acessibilidade, atendimento e permanência; (d) gestores escolares e coordenadores pedagógicos das redes do território; (e) participantes externos com atuação comprovada em educação, inclusão, direitos da PcD ou serviços correlatos (assistência social, saúde, conselhos, organizações da sociedade civil). Critérios de exclusão (delimitação por pertinência, não por barreira): (a) inscrições excedentes sem vínculo com educação, apoio educacional ou áreas correlatas, quando houver limite de vagas; (b) participantes que não aceitem regras mínimas de convivência e respeito (por exemplo, condutas discriminatórias, capacitistas, ofensivas); (c) perfis que busquem o espaço para proselitismo político-partidário, promoção comercial indevida ou práticas que desviem a finalidade formativa. Quando a capacidade for limitada, recomenda-se priorização por ordem de inscrição com cotas/critério de prioridade para: PcD, profissionais da rede pública, estudantes do IFCE em formação docente e servidores com atribuições diretas em acessibilidade e apoio estudantil. 4. Identificação do Público-Alvo Indireto O público-alvo indireto inclui grupos que serão impactados pela mudança de repertório e prática do público direto, mesmo sem participação presencial na ação. Em primeiro lugar, estão estudantes com deficiência (PcD) e estudantes público-alvo da educação especial atendidos em salas de aula e serviços educacionais por docentes e equipes que participaram do ciclo, beneficiando-se de práticas mais acessíveis, redução de barreiras e melhoria no acolhimento e na avaliação. Em segundo lugar, incluem-se famílias e cuidadores, que tendem a perceber efeitos na comunicação escola–família, na previsibilidade de apoios e no reconhecimento de direitos. Em terceiro lugar, a comunidade escolar e acadêmica ampliada (turmas, coordenações, setores administrativos) é impactada por protocolos, materiais e recomendações que circulam após o projeto. Por fim, o público indireto abrange instituições parceiras (escolas, secretarias, organizações sociais), que podem incorporar encaminhamentos e recursos apresentados, fortalecendo rede intersetorial. O impacto esperado no público indireto é a melhoria gradual de participação, pertencimento, permanência e aprendizagem, com redução de episódios capacitistas, maior consistência na adoção de adaptações razoáveis e maior uso de tecnologias assistivas e recursos de acessibilidade. 5. Verificação de Clareza e Coerência As definições apresentadas são coerentes com o objetivo geral do ciclo, pois o foco do atendimento direto recai sobre quem tem capacidade de transformar práticas educacionais e institucionais (estudantes em formação, docentes, equipes de apoio e gestão), ao mesmo tempo em que reconhece e valoriza a participação de atores externos do território que compartilham a responsabilidade social pela inclusão. A distinção entre público direto e indireto está bem estabelecida: direto é quem participa das atividades formativas e produz/sistematiza aprendizados; indireto é quem se beneficia da aplicação desses aprendizados nos ambientes educacionais e comunitários. A estimativa quantitativa foi mantida em faixa (120–200) para respeitar variáveis operacionais (modalidade, acessibilidade, capacidade de mediação e adesão), com meta recomendada (150 participantes únicos), permitindo planejamento realista e mensurável. Se o IFCE definir o campus, a modalidade (presencial/híbrido/online) e o número de vagas por encontro, essa definição pode ser ajustada para uma previsão fechada e ainda mais precisa.
Objetivo Geral
Consolidar, no âmbito da Disciplina de Educação Inclusiva, um ciclo formativo aplicado sobre ensino e educação inclusiva, direitos das pessoas com deficiência (PcD), enfrentamento ao capacitismo e tecnologias assistivas, qualificando práticas pedagógicas e institucionais para ampliar acessibilidade, permanência e aprendizagem em contextos educacionais.
Objetivo Específico
Compreender e aplicar fundamentos contemporâneos de educação inclusiva, articulando os conceitos centrais trabalhados na Disciplina de Educação Inclusiva (inclusão como garantia de participação e aprendizagem) para: identificar barreiras (atitudinais, comunicacionais, pedagógicas, arquitetônicas e tecnológicas) e apoios no cotidiano do IFCE e de escolas parceiras; elaborar ao menos 1 “mapa de barreiras e apoios” (entrega/atividade) por participante ou por grupo, com base em estudo de caso real ou simulado. Analisar marcos jurídico-institucionais relacionados à PcD, aprofundando a dimensão normativa abordada na Disciplina de Educação Inclusiva para: interpretar implicações práticas de documentos legais e políticas de acessibilidade na gestão acadêmica e escolar (fluxos, responsabilidades, adaptações razoáveis e permanência); produzir uma síntese orientadora (1–2 páginas) com “o que a instituição precisa garantir” e “o que deve ser evitado”, utilizando exemplos de situações educacionais (matrícula, avaliação, estágio, atendimento). Identificar manifestações de capacitismo no cotidiano educacional e propor estratégias de enfrentamento, conectando a abordagem crítica desenvolvida na Disciplina de Educação Inclusiva para: reconhecer práticas capacitistas explícitas e sutis (baixa expectativa, infantilização, superproteção, exclusão de decisões, culpabilização do estudante, estigmatização); registrar 3 exemplos observáveis (de casos reais ou hipotéticos) e propor planos de resposta com ações preventivas e corretivas (ex.: ajustes de linguagem, protocolos de acolhimento, mediação de conflitos, comunicação acessível). Planejar práticas pedagógicas e avaliativas com base no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), transformando conteúdos da Disciplina de Educação Inclusiva em aplicação didática para: desenhar ou revisar 1 plano de aula/atividade com múltiplas formas de engajamento, representação e expressão; propor critérios de avaliação acessíveis (ex.: alternativas de entrega, rubricas claras, tempo adicional quando necessário, formatos acessíveis), justificando as escolhas com foco em participação e aprendizagem. Apresentar, testar e problematizar tecnologias assistivas e recursos de acessibilidade, em continuidade aos conteúdos da Disciplina de Educação Inclusiva, para: identificar pelo menos 5 recursos (ex.: leitores de tela, legendas, audiodescrição, contraste, navegação por teclado, comunicação alternativa/aumentativa, organizadores visuais, adaptações de materiais); elaborar uma ficha de aplicabilidade pedagógica (entrega) contendo: objetivo de uso, público, contexto, barreiras que reduz, limites, cuidados éticos e requisitos técnicos. Sistematizar recomendações institucionais para ações inclusivas e anticapacitistas, como produto integrador da Disciplina de Educação Inclusiva e do ciclo, para: construir coletivamente um guia curto com recomendações práticas (por exemplo: acessibilidade em sala e em AVA, comunicação institucional, eventos acessíveis, atendimento e fluxos de encaminhamento, avaliação acessível, enfrentamento a discriminações); validar o guia por meio de devolutiva estruturada (checklist ou consulta rápida) com participantes e, quando possível, com PcD da comunidade.
Metodologia
1. Metodologia (baseada no “Ciclo de Palestras — Ensino e Educação Inclusiva”) A metodologia do projeto está ancorada na compreensão de que inclusão não se reduz ao acesso (matrícula), mas exige transformações pedagógicas, institucionais e culturais que assegurem participação, aprendizagem e pertencimento. Assim, o “Ciclo de Palestras” é concebido como um dispositivo formativo aplicado, articulado à disciplina de Educação Inclusiva, com execução em formato híbrido (presencial com transmissão online) e com acessibilidade planejada desde o início. Como princípio transversal, o projeto adota a ética do “nada sobre nós sem nós”, priorizando o protagonismo de pessoas com deficiência e a escuta qualificada das experiências vividas, de modo a evitar abordagens tuteladoras, capacitistas ou meramente “inspiracionais”, e a sustentar práticas baseadas em direitos. 1.1. Etapas de execução (fases sequenciais) A execução do projeto organiza-se em sete etapas integradas, coerentes com o cronograma de março a julho de 2026 e com os produtos formativos previstos (mapa de barreiras e apoios; sínteses orientadoras; fichas de aplicabilidade pedagógica; guia de recomendações; relatório de avaliação). Etapa 1 — Mobilização, adesão e diagnóstico inicial (Março/2026 — semanas 1–2) Divulgação, inscrições e acolhimento do público-alvo (principal e secundário). Aplicação de instrumento diagnóstico inicial (formulário breve) para levantar demandas, expectativas e barreiras percebidas (pedagógicas, comunicacionais, tecnológicas, arquitetônicas e atitudinais). Mapeamento preliminar de necessidades de acessibilidade do evento (por exemplo, Libras, legendas, formatos de material). Etapa 2 — Planejamento de acessibilidade e organização pedagógica (Março/2026 — semana 3) Definição do desenho metodológico de cada encontro (exposição dialogada + debate mediado). Preparação de medidas de acessibilidade (intérprete de Libras quando necessário; legendas quando possível; materiais acessíveis; comunicação clara). Preparação de estratégias participativas (enquetes, perguntas anônimas, estudo de casos, roteiro do “mapa de barreiras e apoios”). Etapa 3 — Abertura e alinhamento conceitual (Março/2026 — semana 4 | Palestra 1) Início do ciclo com o tema “Educação Inclusiva na prática: participação, aprendizagem e pertencimento”. Nivelamento conceitual (inclusão x integração; barreiras e apoios; adaptações razoáveis; DUA e avaliação acessível). Orientação para a produção do primeiro artefato formativo (registro de barreiras e apoios observados/relatados). Etapa 4 — Aprofundamento normativo e institucional (Abril/2026 — semana 2 | Palestra 2 + integração na semana 4) Encontro sobre direitos da PcD e deveres institucionais (políticas de acessibilidade e permanência; fluxos; responsabilidades; prevenção de violações). Roda de conversa mediada com estudo de casos trazidos pelos participantes. Produção de síntese orientadora (1–2 páginas): “o que a instituição precisa garantir” e “o que deve ser evitado”. Etapa 5 — Enfrentamento do capacitismo e qualificação de práticas (Maio/2026 — semana 2 | Palestra 3 + oficina na semana 4) Encontro sobre capacitismo (raízes socioculturais; microagressões; infantilização; superproteção; baixa expectativa; capacitismo institucional e curricular). Oficina prática para elaborar planos de resposta (ações preventivas e corretivas), com foco em linguagem, protocolos de acolhimento, mediação e comunicação acessível. Etapa 6 — Tecnologias assistivas e acessibilidade pedagógica (Junho/2026 — semana 2 | Palestra 4 + mostra na semana 4) Encontro sobre tecnologias assistivas e critérios de escolha (contexto, funcionalidade, participação, custo, requisitos técnicos e cuidados éticos). Mostra/demonstração de recursos (digitais e não digitais), articulando-os ao planejamento pedagógico e ao Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Produção de ficha de aplicabilidade pedagógica (objetivo, público, contexto, barreiras reduzidas, limites e requisitos). Etapa 7 — Sistematização, validação e avaliação de impacto (Julho/2026) Sistematização dos aprendizados e elaboração do guia curto de recomendações (práticas inclusivas e anticapacitistas). Validação do guia por devolutiva estruturada (checklist/consulta rápida), incluindo, quando possível, PcD da comunidade. Aplicação de avaliação pós (questionário) e elaboração de relatório final (2–4 páginas) com achados, indicadores simples e próximos passos institucionais. 1.2. Métodos (abordagens pedagógicas gerais) O projeto combina métodos formativos coerentes com a educação inclusiva como garantia de participação e aprendizagem, priorizando abordagens dialógicas, aplicadas e baseadas em direitos: Exposição dialogada (40–60 min) Método de ensino que integra apresentação conceitual com perguntas, exemplos situados e explicitação de implicações práticas (sala de aula, estágio, avaliação, gestão e fluxos institucionais). Debate mediado (20–30 min) Método de problematização coletiva com mediação para assegurar turnos de fala equitativos, respeito, linguagem não capacitista e participação de diferentes perfis (estudantes, docentes, técnicos, PcD, famílias). Aprendizagem baseada em casos (estudos de caso reais ou simulados) Método voltado à análise de situações típicas (matrícula, avaliação, atendimento, acessibilidade em AVA, estágio, comunicação institucional), permitindo reconhecer barreiras e formular respostas institucionais e pedagógicas. Oficinas práticas e produção de artefatos formativos Método “mão na massa” para transformar conceitos em produtos aplicáveis: mapa de barreiras e apoios, sínteses orientadoras, planos de resposta ao capacitismo, planos de aula com DUA, fichas de aplicabilidade de tecnologias assistivas e guia de recomendações. Planejamento didático orientado pelo DUA (Desenho Universal para a Aprendizagem) Método estruturante para promover acessibilidade pedagógica por meio de múltiplas formas de engajamento, representação e expressão, alinhando ensino, avaliação e recursos. Avaliação formativa e avaliação de impacto pré/pós Método avaliativo com dupla função: apoiar a aprendizagem ao longo do ciclo e produzir evidências de efetividade (conhecimento, autoeficácia, atitudes e participação). 1.3. Procedimentos (passos práticos e sequenciais para implementar os métodos) A implementação metodológica requer procedimentos operacionais claros, com ênfase em acessibilidade e participação. A seguir, descrevem-se os passos sequenciais recomendados (aplicáveis a todo o ciclo e adaptáveis a cada encontro): Procedimento de acessibilidade prévia e comunicação clara Disponibilizar, no ato da inscrição, campo para indicação de necessidades de acessibilidade (Libras, legendas, materiais em formatos acessíveis, preferências de interação). Produzir comunicação do evento em linguagem simples e objetiva, com informações completas (programação, duração, formato, canais de participação). Preparar materiais com acessibilidade digital (estruturação, legibilidade, contraste, compatibilidade com leitores de tela; sempre que possível, versões alternativas). Procedimento de desenho didático de cada encontro Definir objetivos do encontro (conhecimento + aplicação) e relação com os produtos do projeto. Estruturar roteiro de exposição dialogada com exemplos aplicados (sala, AVA, gestão, atendimento). Preparar perguntas-guia para o debate mediado, garantindo espaço para experiência vivida e para análises institucionais. Procedimento de participação equitativa (durante os encontros) Oferecer múltiplos canais de participação: fala, chat, formulário anônimo, enquetes. Implementar mediação com regras explícitas: respeito, tempo de fala, linguagem não discriminatória, foco na resolução de problemas. Registrar dúvidas e contribuições para sistematização posterior (sem exposição indevida de participantes, quando necessário). Procedimento de trabalho com casos e “mapa de barreiras e apoios” Apresentar um caso real ou simulado (ou coletar dos participantes). Identificar barreiras por categoria (atitudinais, comunicacionais, pedagógicas, arquitetônicas e tecnológicas). Identificar apoios já existentes e apoios necessários (ajustes razoáveis; recursos; fluxos). Consolidar o mapa como produto individual ou em grupo, com devolutiva coletiva. Procedimento de produção dos artefatos (entregas) Definir modelos simples (templates) para: síntese orientadora; ficha de aplicabilidade; plano de resposta ao capacitismo; plano de aula com DUA; guia de recomendações. Reservar um momento de orientação para critérios de qualidade (clareza, aplicabilidade, foco em participação e aprendizagem, respeito à autonomia da PcD, viabilidade institucional). Organizar repositório de materiais e entregas em ambiente acessível (por exemplo, AVA com navegação clara). Procedimento de validação e devolutiva estruturada Submeter o guia curto a checklist de validação com participantes e, quando possível, PcD da comunidade. Revisar o guia com base nas devolutivas, registrando ajustes e justificativas. Procedimento de avaliação de impacto e relatório Aplicar instrumento pré e pós (conhecimento, autoeficácia e atitudes) e registrar presença/participação. Analisar resultados com indicadores simples (variação de pontuação; ganhos percebidos; temas críticos remanescentes). Elaborar relatório final com recomendações e encaminhamentos para práticas institucionais. 1.4. Técnicas (ferramentas e estratégias específicas por etapa) As técnicas abaixo operacionalizam os métodos, com foco em acessibilidade, participação e aplicação prática. Técnicas transversais (em todas as etapas) Acessibilidade comunicacional: intérprete de Libras quando necessário; legendas quando possível; linguagem clara; múltiplos canais de participação (oral, chat, anônimo). Acessibilidade de materiais: formatos digitais acessíveis; organização lógica; compatibilidade com tecnologias assistivas; atenção a contraste e legibilidade. Mediação inclusiva: regras de participação; tempo de fala equilibrado; acolhimento de diferentes modos de expressão; prevenção de constrangimentos e exposições. Registro sistemático: atas/sínteses dos encontros; consolidação de perguntas frequentes; curadoria de recomendações. Etapa 1 (diagnóstico) — técnicas Formulário diagnóstico pré (demandas, expectativas, barreiras percebidas). Enquete rápida para priorização de temas e formatos de participação. Etapa 2 (planejamento de acessibilidade) — técnicas Checklist de acessibilidade do evento (comunicação, transmissão, materiais, interação). Roteiro padrão de encontro (exposição dialogada + debate mediado + atividade integradora). Etapa 3 (palestra 1 e alinhamento) — técnicas Exposição dialogada com perguntas orientadoras. Técnica do “mapa de barreiras e apoios” (primeira aplicação orientada). Perguntas anônimas para reduzir barreiras atitudinais à participação. Etapa 4 (jurídico-institucional) — técnicas Leitura orientada e interpretação aplicada de marcos e políticas (foco em implicações práticas: fluxos, responsabilidades, ajustes razoáveis, permanência). Produção de síntese orientadora (“garantias” x “evitar”) com exemplos situados (matrícula, avaliação, estágio, atendimento). Etapa 5 (capacitismo) — técnicas Análise de microcasos (situações breves) para identificar capacitismo explícito e sutil. Elaboração de planos de resposta (preventivo/corretivo): ajustes de linguagem, protocolos de acolhimento, mediação, comunicação acessível. Técnica de “baixa expectativa” como foco analítico: como ela aparece e como reorientar práticas. Etapa 6 (tecnologias assistivas) — técnicas Demonstração orientada de recursos e critérios de escolha (contexto, funcionalidade, participação e custo). Experimentação guiada de ao menos cinco recursos (por exemplo, leitores de tela; legendas; audiodescrição; contraste; navegação por teclado; comunicação alternativa/aumentativa; organizadores visuais; adaptações de materiais). Produção de ficha de aplicabilidade pedagógica (objetivo, público, contexto, barreiras reduzidas, limites, cuidados éticos, requisitos técnicos). Etapa 7 (sistematização e avaliação) — técnicas Escrita colaborativa do guia curto de recomendações (sala, AVA, comunicação institucional, eventos acessíveis, atendimento e encaminhamentos, avaliação acessível, enfrentamento a discriminações). Validação por devolutiva estruturada (checklist/consulta rápida). Questionário pós e análise de indicadores simples; redação de relatório com recomendações e próximos passos.