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Campus:
CAMPUS CANINDE
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO: CARTOGRAFIA SOCIAL TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO HUMANO.
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Educação no Campo
Data de Início:
10/06/2026
Previsão de Fim:
23/03/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
3016
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
4674
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
Captação de recursos externos
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Canindé
Madalena
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Formas de Divulgação:
E-mail
Convite
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Jenniffer Karolinny de Araujo Dantas
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Antonia Alice do Nascimento Café IFCE Integrante Discente IFCE Não 12 10/06/2026 23/03/2027
Clarice Zientarski UFC Integrante Sem vínculo Sim 6 10/06/2026 23/03/2027
Jenniffer Karolinny de Araujo Dantas IFCE Coordenador Docente IFCE Não 6 10/06/2026 23/03/2027
Luciana Domingos Coelho IFCE Integrante Discente IFCE Não 12 10/06/2026 23/03/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
UFC Não
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 33.6
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 14.4
Diárias - Pessoal Civil 12.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 6800.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 12.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 27.6
Passagens e Despesas com Locomoção 12.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O Inventário da Realidade do Assentamento 25 de Maio constitui uma ferramenta de levantamento e registro sistematizado dos elementos materiais, imateriais, simbólicos e políticos do território. Seu objetivo é produzir conhecimento situado, integrando saber científico e popular, de modo a fortalecer processos de luta, resistência e afirmação cultural. Ele está vinculado ao projeto Observatório da Educação do Campo: Cartografia Social Territorial e Desenvolvimento Humano (UFC, IFCE, UECE, UNILAB). O Inventário não se limita a um diagnóstico técnico, mas se realiza em sete blocos temáticos, que se desenvolvem de forma simultânea e integrada às oito frentes de trabalho da Cartografia Social, coordenada por Samantha Macedo Lima. Assim, ambos os processos se retroalimentam, garantindo que os dados levantados sejam representados politicamente em mapas coletivos, insurgentes e identitários.
Justificativa
O projeto de extensão em rede Observatório da Educação do Campo: Cartografia Social Territorial e Desenvolvimento Humano propõe realizar ações de formação, elaboração da cartografia social e intervenção social, visando ao desenvolvimento humano. Para tanto, direciona seus esforços no sentido de contribuir com a educação para a emancipação. Este projeto dá continuidade ao Projeto de Extensão que já vínhamos realizando na região, intitulado “Projetos Políticos-Pedagógicos das Escolas do Campo, Indígenas e Quilombolas”, com financiamento pela Fundação Cearense de Pesquisa. Este projeto de extensão é de relevância social, por compreender a importância do fortalecimento das ações em rede para a promoção da educação para a emancipação em áreas de assentamentos rurais no Estado do Ceará. Ele surge como ação estratégica, uma vez que busca compreender a conformação histórica e social do Estado, considerando suas particularidades nas áreas rurais e a pobreza como determinantes centrais de ordem estrutural, que dificultam o acesso e a permanência na terra, a qualidade de vida das famílias do campo e as formas de produção da agricultura familiar camponesa. Apoiar ações de extensão no âmbito da educação para a emancipação, visando ao desenvolvimento rural e ambientalmente sustentável e inovando em aspectos da gestão pública de populações que se identificam como pertencentes a um mesmo território, significa fazer valer o esforço do Estado em reconhecer e fortalecer os meios necessários para a ampliação das ações institucionais. Além disso, busca- se fomentar o desenvolvimento e a qualidade de vida nas áreas produtoras e sustentáveis inseridas nos territórios trabalhados pela UFC, respaldando a presença das políticas públicas já implementadas pelo poder público, em decorrência da valorização social e da vida das famílias rurais que fazem a agricultura familiar camponesa no Estado do Ceará. Defende-se a importância do projeto, portanto, ao pretender atuar em rede com base em um processo de planejamento que procura organizar problemas e soluções, convocando os segmentos públicos locais e a comunidade a assumirem papéis de protagonistas responsáveis pelas iniciativas surgidas. Ao considerar as dimensões do desenvolvimento territorial, tendo em vista o crescimento constante da população, a situação econômica dos territórios e a busca pela redução das desigualdades, faz-se necessário garantir o fortalecimento das ações em áreas de assentamento, levando em consideração a premissa de realizar uma perspectiva educativa que conduza à emancipação como forma de fortalecer o desenvolvimento econômico e social, por meio da participação social e da governança. Assim, fortalece- se a capacidade produtiva, a organização social e a identidade dos territórios cearenses. É necessário salientar que o Território dos Sertões de Canindé compreende os municípios de Boa Viagem, Canindé, Caridade, Itatira, Madalena e Paramoti. Esses municípios já apresentam espaços de organização social e política com atuação regionalizada, tais como o movimento social dos trabalhadores sem-terra, o movimento sindical rural, associações, cooperativas de produção, entre outros. Partindo dessas organizações e instituições locais, justifica-se a importância de realizar atividades de formação, pesquisas, planos de atuação e publicações sobre o A25M. Isso se deve ao fato de que a esfera pública territorial é formada por diversos “lócus” de visibilidade, interlocução e condução política, com conteúdo voltados para a democratização social e a cultura política. Considera-se que a atual organização do território brasileiro é cada vez mais marcada pelas demandas da população por infraestrutura, serviços públicos e demais políticas públicas. Por conta dessas carências, a comunidade tem se articulado por meio da atuação dos atores sociais organizados na luta pela distribuição dos recursos públicos, exigindo, assim, uma maior presença do Estado e a distribuição equitativa da riqueza produzida. A adoção do conceito de território fundamentou a escolha do Território dos Sertões de Canindé como contexto mais amplo para o desenvolvimento das ações do projeto de extensão em rede no A25M, localizado nas áreas do município de Madalena, e do Território do Sertão Central, na área do município de Quixeramobim. Destaca-se a articulação que vem sendo feita e que envolve a comunidade do Sertão de Canindé, o Estado do Ceará e as instâncias civis e políticas. Isso se evidencia, por exemplo, no último Plano Plurianual do Ceará (PPA - 2024/2027), no encontro da região do Sertão de Canindé, que contempla algumas proposições de políticas e ações públicas que justificam as atividades propostas no projeto ora apresentado. Entre essas proposições, que alinham-se ao projeto em tela, destacam-se: a necessidade de ampliar a formação de professores da educação básica; ampliação do fomento às atividades culturais voltadas para jovens em situação de vulnerabilidade; a promoção de cursos de arte, cultura e reconhecimento de saberes populares nas escolas de educação básica; a ampliação de programas para jovens; a oferta de cursos de nível superior e técnico para jovens e adultos do campo; a garantia do ensino de “História e Cultura Afro- brasileira e Indígena” nas escolas. O teor dessas propostas elencadas demonstra o quanto é imprescindível realizar ações e projetos de extensão voltados para adolescentes, jovens e as famílias do A25M. Justifica-se, assim, a relevância deste projeto.
Público Alvo
Assentados do Assentamento 25 de Maio em Madalena, gestores, docentes e estudantes das escolas pertencentes ao assentamento.
Objetivo Geral
Realizar o inventário participativo da realidade do Assentamento 25 de Maio, articulando dimensões objetivas e subjetivas da vida comunitária, como base para a elaboração da Cartografia Social.
Objetivo Específico
Levantar dados sobre recursos naturais, infraestrutura, áreas de produção e cadeias produtivas. Registrar memórias, histórias, práticas culturais, formas de organização política e identitária. Sistematizar informações para subsidiar estratégias de fortalecimento comunitário e uso político-pedagógico. Validar coletivamente os dados produzidos, assegurando protagonismo e autodeterminação informacional da comunidade.
Metodologia
Pesquisa-ação (Thiollent, 1997): metodologia participativa que integra diagnóstico, ação e transformação social. Princípios orientadores: Totalidade (dimensões materiais, imateriais, simbólicas e políticas). Conhecimento situado e dialógico (integração entre saber popular e científico). Cartografia Social como desdobramento (mapa coletivo, insurgente e identitário). Fontes de dados: Oficinas comunitárias. Entrevistas (anciãos, lideranças, educadores). Caminhadas de reconhecimento (trilhas da memória). Registros fotográficos, audiovisuais e narrativos. Dados secundários (INCRA, IPEA, IBGE, estudos anteriores). V. ESTRUTURA INTEGRADA DE TRABALHO 5.1 Inventário da Realidade – Sete Blocos Temáticos Recursos Naturais – rios, fontes de água, vegetação, relevo. Pessoas e Famílias – moradias, diversidade étnica, relações sociais. Produção – áreas produtivas, agroecossistemas, agroindústrias, mercados. Formas de Trabalho – organização familiar, cooperativa, assalariada. Lutas Sociais e Organização Política – territórios de conflito, áreas de resistência, associações. Escola – localização, infraestrutura, papel pedagógico e comunitário. Atividades de Crianças e Jovens – práticas culturais, esportivas, pontos de encontro. 5.2 Cartografia Social – Oito Frentes de Trabalho Mobilização Comunitária e Construção Coletiva do Sentido do Projeto. Formação e Sensibilização Crítica. Levantamento de Memórias, Histórias e Marcas Culturais. Mapeamento Coletivo (Oficinas). Sistematização Técnica e Narrativa. Validação Comunitária e Ajustes. Socialização, Mobilização e Uso Político-Pedagógico. Avaliação, Memória e Continuidade. VI. CRONOGRAMA INTEGRADO DE TRABALHO Quadro: Cronograma Integrado de Trabalho Período Inventário da Realidade (Blocos) Cartografia Social (Frentes) Atividades Integradas Responsáveis Meses 1–2 Início dos 7 blocos: levantamento preliminar de dados em todas as frentes (ambientais, sociais, culturais, produtivas). 1. Mobilização Comunitária 2. Formação e Sensibilização Reuniões com lideranças; oficinas introdutórias; definição coletiva de critérios e salvaguardas. Coordenação geral + associações + escolas Meses 3–4 Blocos 1–4 (Recursos Naturais, Pessoas, Produção, Trabalho): aprofundamento de levantamentos. 3. Levantamento de Memórias, Histórias e Marcas Culturais Entrevistas, rodas de conversa, caminhadas de reconhecimento; coleta de dados produtivos e ambientais. Equipe técnica + agricultores + anciãos Meses 5–6 Blocos 5–7 (Lutas, Escola, Crianças/Jovens): registros narrativos, educativos e políticos. 4. Oficinas de Mapeamento Coletivo Oficinas de mapas mentais; registro de áreas de conflito, escolas, práticas culturais e símbolos. Educadores + jovens + lideranças Meses 7–8 Consolidação de dados dos 7 blocos. 5. Sistematização Técnica e Narrativa Digitalização, georreferenciamento, integração de narrativas orais e escritas. Coordenação + estudantes universitários Mês 9 Ajustes nos blocos com base na devolutiva. 6. Validação Comunitária Assembleia comunitária: checagem, ajustes e decisão sobre informações publicáveis. Comunidade + coordenação Meses 10–11 Finalização e síntese do inventário. 7. Socialização e Uso Político-Pedagógico Devolutivas em escolas, associações, cooperativa; uso pedagógico e político do mapa. Equipe técnica + comunidade Mês 12 Atualização e fechamento do ciclo. 8. Avaliação, Memória e Continuidade Avaliação participativa; criação de acervo comunitário (mapas, fotos, narrativas). Coordenação + representantes comunitários Fonte: Elaboração dos pesquisadores Abaixo, os sete blocos do Inventário são alinhados às oito frentes da Cartografia Social, permitindo que cada frente e bloco sejam conduzidos simultaneamente e de forma articulada. Esse arranjo evita retrabalhos e garante que cada equipe de campo tenha clareza de seu papel, com um pesquisador responsável e um grupo comunitário/parceiro vinculado a cada levantamento. Quadro Integrado – Inventário da Realidade (Blocos) e Cartografia Social (Frentes de Trabalho). Blocos do Inventário da Realidade Frentes da Cartografia Social Atividades Integradas Bloco 1 – Recursos Naturais 4. Mapeamento Coletivo (Oficinas) 5. Sistematização Técnica e Narrativa Identificação de rios, fontes, relevo e vegetação com apoio de mapas mentais e georreferenciamento. Bloco 2 – Pessoas e Famílias 1. Mobilização Comunitária 2. Formação e Sensibilização Crítica Levantamento de moradias, diversidade étnica, redes sociais e relações culturais, articulado a oficinas críticas sobre identidade. Bloco 3 – Produção 4. Mapeamento Coletivo 7. Socialização e Uso Político-Pedagógico Localização das áreas produtivas, agroecossistemas, agroindústrias; devolutiva em escolas e associações para reforço de cadeias produtivas. Bloco 4 – Formas de Trabalho 3. Levantamento de Memórias e Histórias 4. Oficinas de Mapeamento Registro das formas de trabalho (familiar, cooperativa, assalariado) e integração às narrativas históricas da comunidade. Bloco 5 – Lutas Sociais e Organização Política 1. Mobilização Comunitária 3. Levantamento de Memórias 6. Validação Comunitária Identificação de territórios de conflito, espaços organizativos e práticas de resistência; validação em assembleia. Bloco 6 – Escola 2. Formação e Sensibilização Crítica 7. Socialização Pedagógica Localização das escolas, registro da infraestrutura e práticas pedagógicas; uso político-pedagógico do mapa na educação básica. Bloco 7 – Atividades de Crianças e Jovens 2. Formação e Sensibilização 4. Oficinas de Mapeamento 8. Avaliação, Memória e Continuidade Levantamento de práticas culturais, esportivas e pontos de encontro; integração em oficinas com jovens e avaliação final. Fonte: Elaboração dos pesquisadores