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Campus:
CAMPUS QUIXADA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Vozes da inclusão: construindo autodefensoria por meio da escuta e do diálogo
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Educação Inclusiva
Data de Início:
11/05/2026
Previsão de Fim:
30/11/2026
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
25
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
50
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
-
Programa Institucional
NAPNEs
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Banabuiú
Choró
Ibaretama
Itapiúna
Milhã
Ocara
Quixadá
Quixeramobim
Senador Pompeu
Solonópole
Formas de Avaliação:
Participação
Frequência
Trabalho em grupo
Debate
Formas de Divulgação:
E-mail
Redes sociais
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Francelio Angelo de Oliveira
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Antonio Arinilson Rabelo de Aguiar IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 11/05/2026 30/11/2026
Claudeth da Silva Lemos IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 2 11/05/2026 30/11/2026
Francelio Angelo de Oliveira IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 11/05/2026 30/11/2026
Juciane Maria Cabral Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 11/05/2026 30/11/2026
Marilia Guedes da Silveira Arrais IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 2 11/05/2026 30/11/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O projeto propõe a criação de espaços sistemáticos de escuta e diálogo orientados à constituição da autodefensoria de estudantes público-alvo da educação especial, tomando como base os fundamentos da Psicologia Histórico-Cultural. Parte-se do pressuposto de que a escolarização não pode ser reduzida à inserção física do estudante no espaço escolar, mas deve ser compreendida como um processo de constituição do sujeito, mediado social e historicamente. Nesse sentido, a linguagem ocupa um lugar central, pois é por meio dela que o sujeito organiza o pensamento, atribui sentidos às experiências e se posiciona no mundo (VYGOTSKY, 1991). Historicamente, estudantes com deficiência foram posicionados em uma condição de silenciamento simbólico e exclusão discursiva, sendo frequentemente falados por outros — professores, especialistas, gestores — sem que lhes fosse garantido o direito efetivo à palavra. Essa dinâmica compromete não apenas sua participação escolar, mas a própria constituição de sua subjetividade. O projeto, ao instituir rodas de escuta mediadas, propõe um deslocamento dessa lógica, reconhecendo o estudante com deficiência como sujeito de linguagem, capaz de produzir sentidos, interpretar sua realidade e intervir sobre ela. A construção da autodefensoria, nesse contexto, não é compreendida como uma habilidade individual isolada, mas como um processo socialmente mediado, que emerge das interações, das trocas simbólicas e das experiências coletivas. Trata-se, portanto, de criar condições para que esses estudantes desenvolvam não apenas a capacidade de falar, mas de serem ouvidos, reconhecidos e legitimados em suas falas. Ao articular escuta, mediação e protagonismo, o projeto se insere em uma perspectiva crítica de educação inclusiva, que ultrapassa o paradigma da adaptação e se orienta pela produção de sujeitos ativos, conscientes de seus direitos e capazes de participar das decisões que atravessam suas trajetórias escolares.
Justificativa
A ampliação do acesso de estudantes com deficiência à escola regular, especialmente nas últimas décadas, representa um avanço significativo no campo das políticas educacionais. No entanto, esse movimento não foi acompanhado, na mesma proporção, pela transformação das práticas pedagógicas e das relações sociais que se estabelecem no interior da escola. Como argumenta Oliveira (2020), a escolarização de alunos com deficiência no Brasil ainda se encontra atravessada por contradições, nas quais a presença física do estudante não garante sua participação efetiva nos processos educativos, tampouco sua constituição como sujeito ativo no espaço escolar. Sob a perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, o desenvolvimento humano é compreendido como um processo mediado socialmente, no qual as funções psicológicas superiores se constituem a partir das interações e da internalização de signos culturais, sendo a linguagem o principal instrumento desse processo (VYGOTSKY, 1991). Nesse sentido, a ausência de espaços de fala e escuta qualificada compromete diretamente o desenvolvimento desses estudantes, uma vez que limita sua participação nas práticas sociais que possibilitam a produção de sentidos e a formação da consciência. Leontiev (1978) contribui para essa análise ao destacar que a atividade humana é orientada por motivos e se realiza em contextos sociais concretos. Quando o estudante com deficiência é excluído dos processos de decisão e expressão, sua atividade escolar tende a se esvaziar de sentido, reduzindo-se a uma participação formal e, muitas vezes, alienada. Luria (1981), por sua vez, enfatiza o papel da linguagem na organização das funções psicológicas superiores, indicando que o desenvolvimento cognitivo está intrinsecamente relacionado às possibilidades de interação simbólica. Assim, negar ao estudante o direito à palavra implica restringir seu próprio desenvolvimento intelectual e subjetivo. A proposta de construção de espaços de escuta e autodefensoria se insere, portanto, como uma resposta a essa lacuna estrutural da educação inclusiva. Mais do que promover a participação, trata-se de criar condições para que o estudante se reconheça como sujeito de direitos, capaz de interpretar sua realidade, expressar suas demandas e intervir no contexto em que está inserido. Além disso, o desenvolvimento da autodefensoria tem implicações diretas na permanência e no sucesso escolar, na medida em que fortalece o sentimento de pertencimento e a construção de vínculos significativos com o espaço educativo. Do ponto de vista social, o projeto também contribui para o enfrentamento do capacitismo, ao deslocar o olhar sobre a deficiência de uma perspectiva deficitária para uma abordagem centrada nas potencialidades e na produção de sentidos. Assim, a relevância do projeto se sustenta na articulação entre três dimensões fundamentais, a saber, pedagógica, ao promover práticas de escuta e mediação; psicológica, ao favorecer o desenvolvimento das funções superiores e política, ao afirmar o direito à voz e à participação.
Público Alvo
- Estudantes público-alvo da educação especial matriculados em um escola estadual no município de Quixadá. - Pessoas com deficiência da comunidade externa que manifestarem interesse em participar
Objetivo Geral
Construir espaços de escuta e diálogo que promovam o protagonismo e o desenvolvimento da autodefensoria de estudantes público-alvo da educação especial.
Objetivo Específico
- Criar rodas de conversa periódicas mediadas, centradas na fala dos estudantes - Desenvolver habilidades de expressão, argumentação e posicionamento - Promover a consciência de direitos e cidadania - Estimular o protagonismo estudantil em decisões escolares - Integrar comunidade interna e externa nas discussões sobre inclusão - Articular ações interdisciplinares (saúde, educação, assistência)
Metodologia
A metodologia do projeto foi organizada de modo a garantir clareza operacional, viabilidade de execução e coerência com seus fundamentos teóricos. Trata-se de um percurso formativo contínuo, estruturado em etapas simples e articuladas, que permitem visualizar como as ações ocorrerão na prática, evitando tanto a fragmentação quanto a complexidade excessiva. O projeto será desenvolvido em três eixos integrados — mobilização, escuta/formação e intervenções — que não funcionam de forma isolada, mas como um fluxo contínuo de construção coletiva. Eixo 1 – Implantação e mobilização Nesta etapa inicial, o foco será a formação do grupo participante e a criação de vínculo com a comunidade. Como acontecerá: • Divulgação do projeto por meio de redes sociais, site institucional e contato direto com escolas • Visitas às escolas parceiras para apresentação da proposta • Convite a estudantes, professores e comunidade • Realização de inscrições (formulário online e apoio presencial, se necessário) Resultado esperado: • Formação de um grupo diverso de participantes • Engajamento inicial e compreensão da proposta Eixo 2 – Espaço de escuta e formação (núcleo central do projeto) As rodas de escuta serão o eixo estruturante do projeto. Elas ocorrerão quinzenalmente e terão caráter formativo, dialógico e participativo. Organização dos encontros: • Periodicidade: quinzenal • Duração: 60 minutos (1h) • Espaço: ambiente organizado em círculo, favorecendo a horizontalidade Dinâmica de cada encontro (estrutura simples): 1. Acolhida (5–10 min) o Dinâmica breve de abertura o Criação de ambiente de confiança 2. Disparador do tema (5–10 min) o Pergunta, imagem, relato ou situação-problema o Linguagem acessível e recursos visuais 3. Roda de escuta (30–35 min) o Fala dos estudantes como elemento central o Mediação para organização das falas o Uso de estratégias de inclusão comunicacional 4. Síntese e fechamento (10–15 min) o Retomada dos principais pontos o Espaço para avaliação simples dos participantes Estratégias metodológicas utilizadas: • Garantia de tempo de fala para todos • Uso de linguagem simples e acessível • Apoio visual e mediação individual quando necessário • Valorização da experiência dos estudantes como ponto de partida Registros: • Diário de campo dos mediadores • Produções dos estudantes (fala, escrita, desenho, áudio) • Sistematização das discussões Resultado esperado: • Desenvolvimento da expressão e da escuta • Fortalecimento do protagonismo • Construção progressiva da autodefensoria Eixo 3 – Intervenções temáticas e interdisciplinares As intervenções ocorrerão ao longo do projeto, integradas às rodas de escuta, sempre a partir de demandas identificadas nos encontros. Como acontecerão: • Participação de profissionais convidados • Abordagem dialogada (não expositiva) • Atividades práticas e acessíveis Primeira intervenção prevista: • Odontóloga do campus • Tema: saúde bucal e autocuidado • Estratégias: demonstrações práticas, uso de materiais concretos e participação ativa dos estudantes Outros temas possíveis (conforme demanda): • Direitos da pessoa com deficiência • Saúde mental e bem-estar • Relações sociais e preconceito • Autonomia no cotidiano • Projeto de vida Resultado esperado: • Ampliação de conhecimentos relevantes para a vida cotidiana • Articulação entre escuta e formação prática Sistematização e socialização final Ao longo do projeto, as falas e experiências dos estudantes serão organizadas em produções coletivas. Como acontecerá: • Construção de registros (cartas, relatos, manifestos) • Organização de um encontro final aberto Evento de encerramento: • Apresentação das produções pelos próprios estudantes • Participação da comunidade interna e externa Resultado esperado: • Visibilidade das vozes dos participantes • Consolidação da autodefensoria