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Campus:
CAMPUS FORTALEZA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band
Área Temática:
Cultura
Linha de Extensão:
Música
Data de Início:
27/05/2026
Previsão de Fim:
04/12/2026
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
500
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
1500
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
-
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Fortaleza
Formas de Avaliação:
Participação
Reunião
Seminário
Debate
Formas de Divulgação:
Site institucional
Redes sociais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Ivan Carlos Schwan
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Karen de Carvalho Albuquerque IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Ana Luiza Costa Martins de Souza IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Carlos Emanuel de Carvalho Magalhães IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Eddy Lincolln Freitas de Souza IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 27/05/2026 04/12/2026
Edileusa Saraiva da Costa Fernandes IFCE Integrante Sem vínculo Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Hoshirley Mary de Castro IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Hugo Filgueiras de Araujo IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Ivan Carlos Schwan IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Jonas Ferreira Farias IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Jorge Luiz Lima Vasconcelos IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
José Jerônimo Filho IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Marcelo Leite do Nascimento IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 27/05/2026 04/12/2026
Rafainy Carneiro Maciel IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Roque Jose Cruz da Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 27/05/2026 04/12/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
A música, ao longo da trajetória histórica da educação brasileira, tem possibilitado a presença de diferentes atores no processo educacional, tais como musicistas, sábios e mestres tradicionais, técnicos, pedagogos e licenciados em Música. Isso tem favorecido o crescimento dos debates e ações em torno do ensino de música e suas formas de tratamento no contexto escolar. A obrigatoriedade da música no currículo escolar, instituída pela Lei nº 11.769/2008 e posteriormente ampliada pela Lei nº 13.278/2016, reafirmou seu papel como área essencial para a formação humana. No contexto atual, marcado por transformações tecnológicas e sociais, torna-se ainda mais relevante pensar a música como prática pedagógica, cultural e social que ultrapassa os muros das instituições de ensino e se conecta com a comunidade através da extensão e da pesquisa. A educação musical contemporânea é reconhecida como promotora de habilidades cognitivas, socioemocionais e culturais. Estudos recentes em neurociência reforçam que o aprendizado musical estimula áreas cerebrais relacionadas à memória, linguagem e raciocínio lógico (SILVA; ARAÚJO, 2021). Além disso, a prática coletiva em música favorece o desenvolvimento de competências como cooperação, disciplina e criatividade, alinhando-se às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que enfatiza a formação integral e cidadã. O projeto “Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band” insere-se nesse cenário como uma iniciativa que, além de fortalecer a formação musical dos estudantes do IFCE, também promove integração com a comunidade externa, produção musical e valorização da cultura local e regional. A proposta aqui apresentada visa incentivar, valorizar, construir e ampliar os conhecimentos musicais dos estudantes e comunidade externa, potencializando e fomentando a música como uma linguagem importante no processo de aprendizagem. No IFCE, o desenvolvimento deste projeto possibilita que os estudantes e comunidade externa vivenciem experiências de performance, composição e produção musical em grupo, ampliando sua percepção estética e crítica. Mais do que formar músicos, o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender a música como linguagem cultural e social, aptos a dialogar com diferentes manifestações artísticas presentes em seu cotidiano. Nessa perspectiva, o projeto “Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band” articula o conhecimento pedagógico-musical com as diversas ações de extensão aqui propostas, fundamentadas nos eixos: 1. Música, memória e identidade social: que considera simultaneamente os planos estético, emocional e social. Para Merriam (1964), ela cumpre funções sociais essenciais - expressão emocional, integração social e comunicação simbólica, sendo inseparável do contexto cultural em que é produzida e recebida. Adorno (1994), por sua vez, alerta para a dimensão ideológica da produção musical e para a importância de uma escuta crítica e reflexiva, aspecto que este projeto contempla ao estimular, além da execução técnica, a compreensão histórica e social do repertório. A ideia de memória coletiva, desenvolvida por Halbwachs (1990), é central para compreensão da escolha do repertório grupo, no qual as músicas eleitas para a organização dos arranjos funcionam como âncoras afetivas que ativam lembranças compartilhadas, reforçam identidades geracionais e promovem o sentido de pertencimento social. O projeto, ao trazer esse repertório para o espaço público, atua como agente de reativação da memória coletiva e de diálogo intergeracional. Segundo Frith (1996), a performance musical é, em si, um ato social e comunicativo que ultrapassa a simples execução técnica, engajando artistas e audiência em um processo compartilhado de construção de sentido. 2. Extensão como prática democrática e transformadora A extensão, compreendida em sua dimensão mais ampla, se constitui como um processo de interação dialógica e transformadora entre a instituição e a sociedade. Não é a transferência unilateral de conhecimentos do acadêmico para o popular, mas abrange a comunicação, o diálogo entre saberes que se reconhecem mutuamente legítimos e se enriquecem reciprocamente. Esse entendimento está plenamente incorporado à Política de Extensão do IFCE, que define a extensão como um processo educativo, inclusivo, curricular, dialógico, cultural, político, social, científico, tecnológico, inovador, criativo e popular, que promove a interação dialógica e transformadora entre o IFCE e a sociedade. O projeto “Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band” desenvolve ações consonantes à política de extensão do IFCE, articulando estudantes, servidores e comunidade externa por meio de apresentações públicas, oficinas, concertos didáticos e rodas de conversa, nas quais o conhecimento pedagógico-musical é produzido e compartilhado coletivamente. A Política de Extensão do IFCE estabelece ainda que o impacto na transformação social implica atuação voltada aos interesses e às necessidades da população e à promoção do desenvolvimento social e cultural, em âmbito local e regional. Neste contexto, a potencialização e a democratização das práticas musicais assumem papel central em sociedades marcadas por desigualdades no acesso aos bens culturais. A música, enquanto linguagem artística e forma de expressão humana, torna-se instrumento de inclusão, equidade e valorização da diversidade, contribuindo para a construção de uma sociedade mais plural e democrática, garantir que diferentes grupos sociais possam usufruir da experiência musical. 3. Transdisciplinaridade e prática musical coletiva A abordagem transdisciplinar, conforme proposta por Nicolescu (1999), pressupõe a integração de diferentes níveis de realidade e a superação das fronteiras rígidas entre as disciplinas, em favor de uma compreensão mais ampla e holística dos fenômenos. No contexto deste projeto, a prática musical coletiva mobiliza conhecimentos de teoria e percepção musical, história da música, arranjo, técnica instrumental, expressão cênica, dinâmica de grupo e comunicação, configurando um campo de aprendizagem genuinamente transdisciplinar. Essa perspectiva não se limita a uma proposta teórica, mas encontra respaldo em diretrizes institucionais contemporâneas. A Resolução CONSU/UFJF nº 38/2023, ao enfatizar a interdisciplinaridade e a interprofissionalidade, reforça a necessidade de relacionar o conhecimento específico a uma visão holística. Nesse sentido, a prática musical coletiva torna-se exemplo concreto dessa diretriz, pois materializa a interação entre conceitos, metodologias e experiências oriundas de diversas áreas do saber, promovendo uma formação que ultrapassa os limites disciplinares e se orienta para a complexidade da vida social e cultural.
Justificativa
A escola, entendida como espaço formal de educação, pensado com a finalidade da formação e como lugar de construção e desenvolvimento dos saberes fundamentais para a vida dos indivíduos, tem como um dos principais objetivos democratizar o acesso aos conhecimentos básicos necessários para a vida em sociedade. Nesse sentido, a música e a educação musical são dimensões que também devem estar presentes no processo de formação dos sujeitos e no processo de constituição das culturas. A educação musical, enquanto meio de apropriação e entendimento da linguagem da música, é uma importante ferramenta de transformação cultural e social. Enquanto campo de estudo relacionado à arte, mas com linguagem própria, códigos e funções específicas, a educação musical pode ser compreendida como um elemento essencial de integração do homem na sociedade, surgindo como um “instrumento de desenvolvimento da personalidade, de libertação, de estímulo à criatividade, meio indispensável de educação” (LOUREIRO, 2003, p. 109). Assim, a música é um elemento importante na formação e expressão do ser humano. Por isso a importância de estar presente na escola, lugar de formação verdadeiramente possível e democrático, ou seja, a base da formação de todos os indivíduos. Devemos considerar que a música é uma expressão humana, uma linguagem demasiadamente singular, no sentido que cada cultura modela, estrutura e atribui valores e significados específicos à sua música. Portanto, a música não é e não pode ser tomada como uma linguagem universal. Essa ideia opõe-se a análise da diversidade como algo fundamental para a compreensão das músicas do mundo enquanto fenômenos vinculados aos saberes, sentidos, valores e simbolismo que constitui uma determinada sociedade, povo ou pessoa. A expressão musical e os produtos resultantes dela são fatores significativos da identidade de uma pessoa, de um grupo, de uma cultura ou de uma sociedade. Todavia, ao mesmo tempo em que constitui uma linguagem singular, a música é uma prática cultural universal, tendo em vista que não existem registros de qualquer grupo ou conjunto de pessoas que não utilizem práticas sonoro-musicais como uma forma de expressão, nomeando-as como música ou não. Também, a definição de música não é uma definição uniforme, pois nem todas as sociedades utilizam esse termo para se referir às práticas que se utilizam dos sons, com suas diversas variantes, para a expressão humana. Todos os contextos têm música e cada contexto tem um tipo de música. Por isso, a música não é uma linguagem universal, mas sim um veículo universal de comunicação humana. Tendo em vista a complexidade que caracteriza a música como fenômeno humano, cultural, singular e universal ao mesmo tempo, é possível apontar algumas das muitas contribuições educacionais da música para a formação do indivíduo. A música pode ser entendida então como um patrimônio cultural que expressa aspectos simbólicos, valores, significados e características diversas de um grupo de pessoas, de um contexto cultural e/ou de uma sociedade. É um retrato do que aquela sociedade pensa, sente e de como se expressa. Koellreutter (1990) considera que a música se torna “essencial à existência e transforma-se em instrumento de um sistema cultural que enlaça todos os setores deste mundo construído pelo homem contribuindo para dar forma a estes setores”, é fator “preponderante de estética de humanização do processo civilizador” (1990, p. 40). Outro aspecto fundamental da música é a relação que ela estabelece com nossas vidas. Por meio de músicas evocamos sentimentos, pessoas, lugares, cheiros, medos, alegrias, entre tantos outros aspectos. A música está presente tanto quando festejamos a vida, quanto quando nos despedimos dela. Em eventos formais e na informalidade, da canção de ninar a cerimônia fúnebre, a música permeia nossas vidas e, mais que isso, se confunde com momentos de nossas vidas, de forma quase inseparável. Se música é inseparável da vida, podemos privar a educação de ter música? Acreditamos que isso não seja possível, pois a música está presente em diversos momentos no que constituem a educação de um indivíduo. Portanto, a música está presente no recreio, em aulas de outros componentes curriculares e em diversos momentos na escola, para além da aula de Arte, onde constitui conteúdo obrigatório, não apenas como um meio, mas como um fim. Um fim que não se acaba em si mesmo, mas que está vinculado a nossa experiência de vida, forma de pensar, comunicar e se relacionar com o mundo. Neste viés, a música no contexto escolar necessita de um espaço que permita sistematizar vivências de música, desenvolvendo, de forma significativa, a percepção e compreensão musical. Outra dimensão da música na educação do ser humano diz respeito as suas funções cognitivas, pois, como apontam estudos da psicologia cognitiva e da neurociência, a linguagem musical trabalha e desenvolve partes do cérebro que não podem ser desenvolvidas em outras linguagens, como a verbal ou a escrita. Se pensarmos que, assim como não aprender a escrever faz de alguém um tipo de analfabeto, mesmo que essa pessoa consiga lidar com a linguagem de maneira mais abrangente, devemos considerar que o estudo não sistemático e não progressivo da música também gera um tipo de analfabetismo musical. Tal analfabetismo ocorre em uma das diversas facetas que constituem as relações do indivíduo com a música, mesmo que tais analfabetos, em suas vidas, conheçam e lidem cotidianamente com alguns elementos da linguagem musical. Para Fonterrada (2005) a aprendizagem da música envolve a constituição do sujeito musical, a partir da constituição da linguagem da música. O uso dessa linguagem irá “transformar esse sujeito, tanto no que se refere a seus modos de perceber, suas formas de ação e pensamento, quanto em seus aspectos subjetivos” (2005, p. 41). Assim, considerar a música como cultura, forma de expressão humana, linguagem representativa dos nossos sentimentos, valores e significados, atribui a essa arte características fenomenológicas fundamentais para o ser humano, para a sociedade, para a vida e, portanto, para a educação. Ao reconhecer a escola como um espaço democrático de educação, que tem o dever de proporcionar aos indivíduos acesso aos conhecimentos, habilidades e percepções, que lhes permitam lidar com a vida da melhor forma possível, temos que reconhecê-la como um espaço potencial para a formação musical básica dos indivíduos. Tal formação não visa formar artistas, mas almeja formar indivíduos ética, humana, intelectual e artisticamente preparados para lidar com a vida. O ensino de música no contexto da educação formal do indivíduo tem levado a buscar a constituição de um lugar representativo e sistematicamente estabelecido para a música nos currículos escolares de educação básica. Penna (2001) coloca que o principal desafio do sistema educacional brasileiro continua sendo “[...] o de promover um real acesso ao saber, à cultura e à arte. Encarando este desafio, a educação musical precisa buscar, como objetivo último, promover uma participação mais ampla na cultura socialmente produzida, preparando o aluno para que se torne capaz de aprender criticamente as várias manifestações musicais disponíveis em seu ambiente” (2001, p. 123). Mas, como a finalidade dos PCN(s) apresentou outra configuração de uma proposta de ensino, “seus objetivos só serão atingidos se um novo modelo de escola vier a proporcionar maiores espaços para a convivência e a interação humanas, buscando a compreensão dos aspectos dinâmicos da cultura, e consequentemente, a valorização da cidadania plural e real” (PENNA, 2001, p. 127), que são necessários para o desenvolvimento educacional dentro de uma perspectiva crítica e socialmente articulada. Assim, é fundamental o papel da escola no estudo da cultura musical, pois nela poderão ocorrer as trocas de experiências pessoais, intuitivas e diferenciadas. A realização deste projeto justifica-se tanto pelo seu alinhamento com os marcos regulatórios da extensão no IFCE quanto pela relevância cultural, formativa e social de suas ações. Do ponto de vista institucional, a Política de Extensão do IFCE, aprovada pela Resolução CONSUP/IFCE nº 388/2026, estabelece que as atividades de extensão têm como princípios o impacto e a transformação social, o desenvolvimento integral do discente, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, a interdisciplinaridade e a contribuição à superação das desigualdades sociais. O projeto “Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band” atende diretamente a esses princípios ao promover a formação integral dos estudantes e comunidade externa - técnica, artística e cidadã - em articulação permanente com as demandas culturais da comunidade. A Política de Extensão vigente também estabelece, entre os objetivos das atividades extensionistas, colaborar com a formação integral do cidadão, para além da prática acadêmica, desenvolvendo principalmente a conscientização social, artística, cultural, ambiental e política. A prática musical coletiva, com repertório de amplo alcance afetivo e histórico, é um dos mais potentes instrumentos para o cumprimento desse objetivo, pois mobiliza memória, identidade e pertencimento social de forma simultânea. Do ponto de vista da interação dialógica (outra diretriz central da extensão do IFCE), a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão implica a participação do estudante como protagonista de sua formação profissional, visando a obtenção de qualificação, saberes e conhecimentos necessários à sua atuação no mundo do trabalho e à sua formação humana integral, permitindo-lhe reconhecer-se como agente de transformação social. Os ensaios coletivos, a escolha participativa do repertório e a elaboração de arranjos musicais são práticas pedagógicas que colocam o estudante exatamente nessa posição de protagonismo. Do ponto de vista cultural e sociológico, a música exerce funções sociais essenciais. Segundo Merriam (1964), ela atua na expressão emocional, na integração social e na comunicação simbólica. O repertório eleito para as ações do projeto possui singular capacidade de ativar a memória afetiva e fortalecer identidades coletivas. No Brasil, o rock nacional dos anos 1980, com artistas como a Blitz, consolidou-se como expressão de juventude, crítica social e inovação estética, mesmo sob processos de censura. No cenário internacional, nomes como ABBA, Bee Gees, Roxette, Madonna, Michael Jackson, Janet Jackson, Donna Summer, Lionel Richie, Take That e Celine Dion construíram uma estética musical global marcada pela emoção, pela liberdade expressiva e pela experimentação sonora, cujo alcance permanece vivo e atual. A Pró-reitoria de Extensão do IFCE, em consonância com esse entendimento, tem como missão planejar, executar e acompanhar as políticas de extensão, formulando diretrizes de modo a promover a integração do conhecimento acadêmico e cultural, em parceria com a comunidade, permitindo uma relação transformadora entre o IFCE e a sociedade. A realização de apresentações musicais abertas ao público, os concertos didáticos e rodas de conversa são, além de um produto artístico, também um ato político e institucional de democratização do acesso aos bens culturais. Por fim, o projeto se insere na área temática da Cultura - reconhecida pela Política Nacional de Extensão Universitária (FORPROEX, 2012) como uma das oito grandes áreas temáticas da extensão brasileira - e dialoga com a área de Educação, dada a sua dimensão formativa. Sua realização contribui, ainda, para o cumprimento dos indicadores do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2024-2028) do IFCE no que diz respeito à participação de discentes e técnicos administrativos no planejamento e engajamento em ações extensionistas, fortalecendo a identidade pública e cultural da instituição perante a sociedade cearense.
Público Alvo
Abrange escolas públicas que se interessarem em receber e desenvolver em parceria as ações do projeto e a comunidade em geral, que acessa a produção cultural do grupo por meio dos concertos didáticos, das apresentações públicas, das rodas de conversa, da divulgação em sites, redes sociais e canais de rádio e tv institucionais, beneficiando-se da experiência estética, da produção de conhecimento pedagógico-musical e da interação afetiva proporcionada pelo repertório desenvolvido.
Objetivo Geral
Ampliar o acesso da comunidade externa à formação musical, artística e cidadã, por meio da criação e desenvolvimento de práticas musicais coletivas e ações pedagógico-musicais conjuntas. O projeto “Práticas Musicais de Conjunto – IF Retrô Band” busca envolver estudantes, egressos, servidores técnico-administrativos e, principalmente, escolas públicas, coletivos culturais e demais instituições da sociedade civil interessadas em participar das atividades extensionistas. Essas ações visam democratizar o acesso à música e promover o diálogo entre o IFCE e a comunidade, fortalecendo vínculos culturais e sociais por meio de concertos didáticos, rodas de conversa e oficinas abertas, consolidando a música como instrumento de inclusão e transformação social.
Objetivo Específico
- Desenvolver a prática de conjunto instrumental e vocal, fortalecendo habilidades de escuta, coesão e comunicação musical. - Estimular competências técnicas e interpretativas coletivas e individuais, articulando o domínio instrumental ao trabalho expressivo e cênico. - Promover a pesquisa histórica, estética e social sobre o repertório a ser trabalhado, integrando saberes musicais, históricos e culturais em perspectiva transdisciplinar. - Desenvolver a capacidade de elaboração de arranjos musicais originais, ampliando o protagonismo criativo dos participantes e sua inserção no mundo do trabalho artístico. - Constituir a IF Retrô Band como espaço de troca de saberes, conhecimentos e experiências entre a comunidade interna e externa ao IFCE. - Realizar apresentações culturais, concertos didáticos e rodas de conversa abertas à comunidade, democratizando o acesso à produção artística e fortalecendo os vínculos entre o IFCE e a sociedade cearense. - Promover ações de saúde bucal coletiva voltadas ao público atendido pelo projeto, através de rodas de conversa, apresentações culturais e concertos didáticos, favorecendo orientações sobre dicção, ressonância, projeção vocal e o autocuidado, reconhecendo sua contribuição para a preservação, fortalecimento e qualidade das práticas desenvolvidas. - Colaborar com a formação integral do cidadão, para além da prática acadêmica, desenvolvendo a conscientização social, artística e cultural dos participantes e do público atingido pelas ações. - Contribuir para o fortalecimento da identidade cultural e institucional do IFCE por meio da produção e difusão pública das ações do projeto.
Metodologia
A metodologia do projeto está estruturada em conformidade com as diretrizes da Política de Extensão do IFCE (Resolução CONSUP/IFCE nº 388/2026), que orientam a elaboração, implementação e avaliação das atividades extensionistas com base na interação dialógica, na interdisciplinaridade, na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, no impacto formativo do estudante e na transformação social. A mobilização da comunidade externa ocorrerá por meio de articulações diretas com escolas públicas de Fortaleza e coletivos culturais, previamente mapeados pela equipe do projeto. O contato será realizado através de ofícios institucionais, visitas técnicas e divulgação nas redes sociais e no site do IFCE, convidando as instituições a integrar o calendário de ações. As inscrições para participação nas oficinas, concertos didáticos e rodas de conversa serão abertas periodicamente por meio de formulário eletrônico disponibilizado no portal institucional e nas redes sociais do campus, garantindo transparência e acessibilidade. A articulação com os grupos será feita de forma dialógica: cada instituição parceira poderá sugerir temas, repertórios ou abordagens que dialoguem com sua realidade cultural. As atividades serão realizadas nos próprios espaços das instituições ou em áreas públicas de fácil acesso, com apoio logístico do IFCE. Durante as ações, os participantes da comunidade externa serão convidados a interagir com os integrantes da banda, participar de momentos de apreciação musical e contribuir com reflexões sobre os diferentes períodos da música popular brasileira, fortalecendo o caráter educativo e inclusivo da extensão. A metodologia do projeto também abrange: 1. Organização dos ensaios Ensaios semanais, com duração média de três horas, realizados nas dependências do IFCE A estrutura dos mesmos será em três momentos: Aquecimento vocal e/ou instrumental individual; Trabalho técnico sobre músicas específicas do repertório (afinação, dinâmica, articulação rítmica e coesão de conjunto); Passagem integral das músicas em formato de performance. O professor responsável atuará como mediador pedagógico, estimulando escuta ativa, autoconhecimento musical e autonomia interpretativa. 2. Escolha participativa do repertório Processo coletivo e democrático de definição do repertório, envolvendo pesquisa, proposição e deliberação dos integrantes. Valorização do protagonismo dos participantes, alinhada à concepção de formação cidadã e crítica. Inclusão de músicas do repertório brasileiro e internacional das décadas de 1970, 1980 e 1990, equilibrando diferentes gêneros e representatividade cultural. 3. Elaboração de arranjos musicais Arranjos elaborados colaborativamente pelos integrantes, sob orientação docente. Mobilização integrada de conhecimentos de harmonia, contraponto, orquestração e teoria musical. Atividade formativa e investigativa, articulando ensino, pesquisa e extensão. 4. Apresentações públicas Realização de concertos gratuitos em espaços de livre acesso (auditórios, pátios, áreas comuns do IFCE e equipamentos culturais da comunidade). Cada apresentação será precedida de breve contextualização histórica e cultural do repertório, ampliando a dimensão educativa. Somadas às apresentações, serão realizadas ações coletivas sobre saúde bucal, que incluirão orientações preventivas, palestras educativas e parcerias com profissionais da área odontológica, de modo a assegurar condições adequadas e o autocuidado bucal e sistêmico para o uso da voz como instrumento artístico. Impacto social ampliado pela democratização do acesso à produção artística desenvolvida no projeto. 5. Concertos didáticos Apresentações estruturadas com caráter pedagógico, voltadas para escolas públicas, ONGs e coletivos culturais. Explicação interativa sobre elementos musicais (ritmo, melodia, harmonia, arranjo) durante a performance. Integração entre prática artística e formação cultural, estimulando a escuta crítica e a valorização da música popular brasileira. 6. Rodas de conversa Encontros abertos à comunidade, realizados após concertos ou como atividades independentes em escolas da rede pública de ensino de Fortaleza. Discussão sobre diferentes períodos da história da música popular brasileira (anos 1960, 1970, 1980 e 1990), abordando contextos sociais, políticos e culturais. Participação de professores, estudantes e comunidade externa, além de pesquisadores e músicos locais, promovendo diálogo transdisciplinar e valorização da memória cultural.