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Campus:
CAMPUS TABULEIRO
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
"Ei, mah, bora conversar!": diálogos sobre masculinidades, machosfera e prevenção à violência de gênero
Área Temática:
Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão:
Gênero
Data de Início:
10/09/2026
Previsão de Fim:
10/03/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
40
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
100
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
Edital Conjunto Nº 1/2026 PROEXT/PRPI/REITORIA-IFCE EDITAL DE CONCESSÃO DE BOLSAS DE EXTENSÃO E DE PESQUISA estudantis PARA OS NÚCLEOS DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL DO IFCE
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Tabuleiro do Norte
Formas de Avaliação:
Participação
Questionário
Relatório
Frequência
Formas de Divulgação:
Áudio
Cartaz
E-mail
Folder
Site institucional
Redes sociais
Rádio
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Carlos Eduardo Ferreira da Cruz
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Maria Vieira da Silva IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 10/09/2026 10/03/2027
Brenda Andrade de Freitas IFCE Integrante Discente IFCE Sim 12 10/09/2026 10/03/2027
Carlos Eduardo Ferreira da Cruz IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 10/09/2026 03/02/2027
Victor Gabriel Freitas de Lima IFCE Integrante Discente IFCE Sim 3 10/09/2026 10/03/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2800.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O projeto “‘Ei, mah, bora conversar!’: masculinidades, machosfera e prevenção à violência de gênero” é uma iniciativa de extensão universitária que se configura como um Ciclo de Debates e Oficinas voltado para alunos e alunas do ensino médio de escolas do município de Tabuleiro do Norte. A atividade propõe criar espaços dialógicos seguros onde adolescentes possam debater criticamente a construção das masculinidades e feminilidades contemporâneas, bem como compreender e desconstruir conceitos tóxicos disseminados na internet, particularmente aqueles relacionados à "machosfera". O projeto é estruturado em uma série de encontros presenciais (rodas de conversa diferenciadas por gênero e oficinas integradas) realizados ao longo de quatro meses, seguidos por um seminário de encerramento aberto à comunidade escolar. O projeto visa não apenas promover educação sobre gênero e prevenção à violência, mas também fortalecer o papel do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NUGEDS) como espaço institucional de promoção de equidade e diálogo.
Justificativa
A adolescência é um período crucial para a formação identitária. No contexto atual, jovens de ambos os sexos estão expostos a comunidades online conhecidas como "machosfera", que promovem definições estreitas, agressivas e frequentemente misóginas do que significa ser homem, influenciando também as expectativas que as jovens mulheres desenvolvem sobre relacionamentos e seu próprio papel social. A machosfera constitui um conjunto de práticas (sub)culturais masculinistas em plataformas digitais que, conforme apontam Vilaça e D'Andréa (2021), representam uma evolução das comunidades online anteriores, consolidando-se como espaço de circulação de ideologias que reforçam a dominação masculina. Conceitos como "Red Pill", "Sigma" e "Alpha" têm ganhado popularidade entre adolescentes, disseminando discursos que reforçam a masculinidade hegemônica e, em muitos casos, incitam a violência contra mulheres e a intolerância à diversidade. Ging (2017) analisa essas figuras masculinas do manosphere como construções identitárias que se articulam em torno de hierarquias de poder, revelando como a internet funciona como espaço de consolidação de masculinidades tóxicas. Além disso, Dietze e Roth (2020) demonstram como o populismo de direita se articula com políticas identitárias masculinistas, utilizando afetos como ferramenta de mobilização política entre jovens. A teoria das masculinidades, conforme desenvolvida por Connell (2003), nos permite compreender que não existe uma única forma de ser homem, mas múltiplas masculinidades que se relacionam hierarquicamente. Segundo Connell (2003), a masculinidade hegemônica é aquela que ocupa posição de dominância nas estruturas sociais, frequentemente se manifestando através de violência, competição e rejeição da vulnerabilidade emocional. Essa construção afeta não apenas as mulheres, mas também os próprios homens, que sofrem com as pressões emocionais e psicológicas impostas por padrões inatingíveis de virilidade. É fundamental reconhecer, ainda, que as violências de gênero não afetam todos os grupos de mulheres de forma idêntica. Crenshaw (1991) demonstra que as experiências de violência contra mulheres de cor são atravessadas simultaneamente por raça, classe e gênero, conceitualizando essa sobreposição como interseccionalidade. Portanto, um projeto que trabalhe com masculinidades deve estar atento às múltiplas formas de vulnerabilidade e privilégio que atravessam os sujeitos. A questão da influência das plataformas digitais também merece atenção especial. D'Andréa (2020) oferece ferramentas conceituais e metodológicas para pesquisar plataformas online, ressaltando como essas tecnologias não são neutras, mas estruturam relações de poder. A machosfera se beneficia dessa arquitetura digital para amplificar mensagens de ódio e construir comunidades de reforço mútuo de ideologias tóxicas. Nesse sentido, compreender como as plataformas funcionam é essencial para intervir educativamente nesse espaço. Januário (2016), por sua vez, contribui para essa reflexão ao analisar como a publicidade e os discursos midiáticos constroem representações de gênero e corpo que reforçam hierarquias. Compreender essas construções é essencial para que jovens desenvolvam pensamento crítico sobre as imagens e mensagens que consomem diariamente. O Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NUGEDS) do IFCE tem como uma de suas finalidades atuar na prevenção, no acolhimento e no combate às diferentes formas de violências de gênero e sexual, bem como subsidiar a discussão acerca das temáticas de corpo, gênero e sexualidade. Nesse sentido, trabalhar com ambos os públicos é uma estratégia pedagógica fundamental. A desconstrução da masculinidade tóxica não apenas beneficia as mulheres e a população LGBTQIAPN+, principais vítimas da violência de gênero, mas também os próprios homens, que sofrem com as pressões emocionais e psicológicas impostas por padrões inatingíveis de virilidade. Além disso, envolver as alunas permite que elas compreendam e identifiquem comportamentos tóxicos, desenvolvendo ferramentas para estabelecer relacionamentos mais saudáveis e respeitosos. Por fim, o projeto justifica-se pela necessidade urgente de enfrentar criticamente os discursos misóginos, violentos e discriminatórios disseminados em ambientes digitais, especialmente aqueles vinculados à chamada “machosfera”, à cultura redpill e a comunidades online que naturalizam o ódio, a intolerância e a violência de gênero. Ao promover espaços de escuta, diálogo e reflexão crítica com estudantes do Ensino Médio, a proposta busca fortalecer a formação cidadã, incentivando o desenvolvimento da empatia, do respeito às diferenças, da responsabilidade afetiva e do uso consciente e ético das redes sociais. Dessa forma, o projeto contribui para a construção de relações mais saudáveis, para a prevenção da violência simbólica e para a consolidação de uma cultura de paz no ambiente escolar e digital.
Público Alvo
O público da comunidade externa beneficiada pelo projeto é composto por estudantes do 3º ano do Ensino Médio, totalizando 80 alunos, sendo 40 meninos e 40 meninas. Trata-se de um grupo de adolescentes em etapa de conclusão da educação básica, vivenciando um período importante de formação acadêmica, social e pessoal, marcado pela construção de projetos de vida, preparação para o ingresso no ensino superior ou no mundo do trabalho e ampliação da consciência sobre questões sociais e cidadãs.
Objetivo Geral
Promover a reflexão crítica sobre a construção das masculinidades e feminilidades e os impactos da machosfera entre alunos e alunas de uma escola pública estadual presente em Tabuleiro do Norte, através de um ciclo de debates e oficinas, visando a prevenção da violência de gênero, a construção de relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, e o fortalecimento do NUGEDS como espaço institucional de promoção de equidade de gênero.
Objetivo Específico
• Criar espaços seguros de diálogo diferenciados (rodas de conversa por gênero) para que adolescentes possam expressar suas emoções e dilemas relacionados à construção de suas identidades de gênero. • Analisar e desconstruir criticamente conceitos disseminados na internet, como "Red Pill", "Incel", "Sigma" e "Alpha", compreendendo seus impactos na vida das mulheres e dos homens. • Capacitar alunos e alunas para identificar comportamentos tóxicos online e offline, tornando-os agentes multiplicadores de uma cultura de respeito e equidade. • Promover oficinas integradas que permitam o diálogo entre gêneros, desenvolvendo empatia, compreensão mútua e corresponsabilidade na prevenção da violência. • Desenvolver materiais educativos (cartilhas digitais, guias, posts para redes sociais e vídeos) sobre masculinidades e feminilidades saudáveis, com participação ativa dos estudantes. • Fortalecer a atuação do NUGEDS no campus, integrando as ações de extensão com o ensino e a pesquisa. • Divulgar os resultados e aprendizados do projeto através de seminário de encerramento, publicações e eventos institucionais.
Metodologia
Etapa 1 – Planejamento, Mobilização e Capacitação (Mês 1) Esta etapa propõe a realização de rodas de conversa como estratégia pedagógica para promover a reflexão crítica sobre questões de gênero, comportamento e relações sociais entre estudantes. A iniciativa está estruturada em módulos mensais, contemplando temas relevantes tanto para alunos do sexo masculino quanto feminino, com o objetivo de estimular o diálogo e o autoconhecimento e a construção de atitudes mais conscientes e respeitosas. A divulgação será realizada em articulação direta com a escola pública parceira, priorizando a mobilização institucional dos estudantes da 3ª série do Ensino Médio. A equipe responsável pelo projeto deverá apresentar previamente a proposta à gestão e aos professores da escola, explicando os objetivos, a metodologia e a importância da participação dos estudantes. A mobilização poderá ocorrer por meio de visitas ou apresentação do projeto em sala de aula, divulgação nos canais institucionais da escola, grupos de comunicação utilizados pelos estudantes e professores e materiais digitais de divulgação. Como o público já está previamente definido — estudantes da 3ª série —, não será necessário realizar uma inscrição pública ampla, mas poderá ser utilizado um formulário de inscrição/manifestação de interesse, organizado pela equipe do projeto em parceria com a escola, para registrar os participantes e organizar a atividade. A escola poderá também indicar um professor ou servidor responsável pela mobilização e pelo acompanhamento dos estudantes durante a atividade. A participação será gratuita e, quando necessário, serão observados os procedimentos da instituição de ensino relacionados à autorização e ao acompanhamento dos estudantes menores de idade. Métodos, Procedimentos e Técnicas Métodos • Rodas de conversa participativas; • Metodologia dialógica inspirada em princípios freireanos; • Aprendizagem colaborativa e reflexiva; • Educação em direitos humanos e equidade de gênero. Procedimentos • Apresentações em sala para sensibilização dos estudantes; • Inscrição voluntária dos participantes; • Organização de grupos e cronogramas; • Realização de encontros quinzenais; • Mediação das discussões por equipe capacitada; • Registro das atividades e acompanhamento dos participantes. Técnicas • Dinâmicas de grupo; • Exibição e análise de vídeos, memes e documentários; • Estudos de caso; • Debate orientado; • Escuta ativa; • Produção de relatos e reflexões coletivas; • Uso de recursos audiovisuais para problematização de temas sociais. Etapa 2 – Rodas de Conversa Diferenciadas por Gênero (Mês 2 e 3) Esta etapa aborda a questão “O que é ser homem?”, incentivando a compreensão entre gênero, identidade e expectativa social. Nesse momento, são promovidas atividades como dinâmicas de reflexão sobre expressões comuns e suas implicações, além de vídeos que problematizam especificamente as masculinidades contemporâneas. Em seguida, discute-se a influência da chamada “machosfera” e da internet na formação de opiniões, com análise de conteúdos digitais e discursos relacionados ao tema. Métodos • Educação dialógica e crítica; • Metodologia participativa; • Reflexão coletiva sobre experiências juvenis; • Aprendizagem baseada em problematizações sociais. Procedimentos • Organização de grupos separados por gênero; • Realização de rodas de conversa quinzenais; • Discussão orientada sobre masculinidades e relações de gênero; • Exibição de conteúdos audiovisuais; • Mediação das falas e construção coletiva das reflexões; • Sistematização dos debates realizados nos encontros. Técnicas • Dinâmicas de sensibilização; • Debate guiado; • Estudo e interpretação de memes e conteúdos digitais; • Análise crítica de vídeos e documentários; • Perguntas disparadoras; • Escuta ativa e acolhimento das falas; • Produção de reflexões coletivas. Etapa 3 – Oficinas Integradas e Produção Coletiva (Mês 4) Nesta etapa, os participantes serão incentivados a transformar as discussões realizadas anteriormente em ações práticas e produções coletivas. Serão desenvolvidas oficinas temáticas voltadas para respeito, empatia, convivência e enfrentamento às violências de gênero, estimulando protagonismo juvenil e participação ativa no ambiente escolar. Métodos • Aprendizagem colaborativa; • Metodologia ativa; • Educação participativa; • Produção coletiva de conhecimento. Procedimentos • Realização de oficinas temáticas; • Formação de grupos de trabalho; • Planejamento de intervenções educativas; • Produção de materiais educativos e campanhas; • Socialização das produções entre os participantes; • Avaliação coletiva das experiências vividas. Técnicas • Oficinas criativas; • Produção de cartazes, textos e mídias digitais; • Dramatizações e simulações; • Trabalho em grupo; • Brainstorming; • Construção de campanhas educativas; • Apresentações orais e socialização de experiências. Etapa 4 – Sistematização, Avaliação e Elaboração do Relatório Final (Meses 5 e 6) Nesta fase serão organizados os registros produzidos durante o projeto, avaliando os impactos das ações desenvolvidas e elaborando o relatório final da experiência extensionista. A etapa também buscará identificar contribuições, desafios e possibilidades de continuidade da proposta no ambiente escolar. Métodos • Pesquisa qualitativa; • Avaliação participativa; • Sistematização de experiências; • Análise reflexiva dos resultados. Procedimentos • Organização dos registros das atividades; • Coleta de percepções dos participantes; • Aplicação de instrumentos avaliativos; • Análise das discussões e produções realizadas; • Elaboração do relatório técnico-científico; • Divulgação dos resultados obtidos. Técnicas • Questionários avaliativos; • Relatos de experiência; • Observação participante; • Registro em diário de campo; • Análise de conteúdo; • Entrevistas e feedback coletivo; • Produção de relatório descritivo e analítico.