Exibir Ação

Campus:
CAMPUS SOBRAL
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Vozes em Movimento: Clube de Leitura Contemporânea Afro-Diaspórica
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Desenvolvimento Humano
Data de Início:
06/07/2026
Previsão de Fim:
06/01/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
20
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
35
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
EDITAL 14/2026 – EDITAL PARA SELEÇÃO DE BOLSISTAS DE EXTENSÃO PARA OS PROGRAMAS/NÚCLEOS E PROJETOS INSTITUCIONAIS
Programa Institucional
NEABIs
Modelo de Oferta da Atividade:
Semi-Presencial
Municípios de abrangência
Mauriti
Meruoca
Sobral
Formas de Avaliação:
Participação
Frequência
Reunião
Seminário
Trabalho em grupo
Debate
Trabalhos Escritos
Formas de Divulgação:
E-mail
Folder
Site institucional
Redes sociais
Convite
Entrega presencial de convites
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Ana Maria Pereira Bispo dos Santos
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Maria Pereira Bispo dos Santos IFCE Coordenador Docente IFCE Sim 4 06/07/2026 06/01/2027
Lucelia Saboia Parente IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 06/07/2026 06/01/2027
Marcus Vinicius Freire Andrade IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 06/07/2026 06/01/2027
Mayara Carantino Costa IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 06/07/2026 06/01/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2800.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O projeto de extensão Vozes em Movimento propõe a criação de um clube de leitura voltado à promoção da leitura crítica e do letramento racial por meio da literatura afro-diaspórica. Em um contexto marcado pelo uso intensivo de tecnologias digitais e pela predominância de conteúdos fragmentados, a proposta busca estimular o pensamento crítico, a interpretação e a reflexão social. Fundamentado na educação crítica, com destaque para a perspectiva de Paulo Freire, o projeto articula leitura, diálogo e construção coletiva do conhecimento, além de dialogar com estudos das relações étnico-raciais e das ciências cognitivas. A iniciativa está alinhada à Lei nº 10.639/2003 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente no que se refere à educação de qualidade, à redução das desigualdades e à valorização da diversidade. A metodologia será desenvolvida ao longo de seis meses, com encontros quinzenais organizados em ciclos de leitura de obras de autores negros contemporâneos, incluindo rodas de conversa, leituras orientadas e atividades reflexivas. Realizado em formato híbrido, o projeto busca ampliar o acesso e fortalecer a interação entre instituição e comunidade. Como resultados, espera-se o fortalecimento do hábito de leitura, o desenvolvimento do pensamento crítico, a ampliação do letramento racial e a promoção da socialização, consolidando-se como uma ação extensionista voltada à formação crítica e à inclusão social. A leitura constitui uma prática fundamental para o desenvolvimento cognitivo, crítico e social dos indivíduos, sendo historicamente compreendida como um dos principais instrumentos de formação humana e cidadã. No entanto, nas últimas décadas, observa-se uma transformação significativa nos modos de leitura, diretamente relacionada à intensificação do uso de tecnologias digitais e ao consumo acelerado de informações. Esse cenário tem contribuído para a redução da leitura aprofundada, favorecendo práticas marcadas pela fragmentação, superficialidade e imediatismo, o que impacta diretamente a capacidade de concentração, interpretação e pensamento crítico. Conforme apontam Maryanne Wolf (2019) e Nicholas Carr (2011), o ambiente digital altera padrões cognitivos, reduzindo o tempo de atenção e comprometendo processos associados à leitura profunda, essencial para a análise crítica e a construção de sentidos mais complexos. Paralelamente a essa problemática contemporânea, o campo educacional brasileiro ainda enfrenta desafios históricos relacionados à construção de currículos mais inclusivos e representativos. A predominância de um cânone literário eurocentrado contribui para a invisibilização da produção intelectual de autores negros, limitando o acesso a diferentes perspectivas culturais e reforçando desigualdades simbólicas. Nesse sentido, a literatura afro-diaspórica emerge como um importante instrumento de resistência e valorização de identidades, possibilitando o contato com narrativas que historicamente foram marginalizadas. A crítica à chamada “história única”, amplamente discutida por Chimamanda Ngozi Adichie (2019), evidencia os riscos de uma formação cultural baseada em narrativas restritas, destacando a importância da pluralidade de vozes para a construção de uma compreensão mais ampla e crítica da realidade social. Nesse contexto, o projeto Vozes em Movimento se configura como uma ação extensionista que articula leitura, educação e relações étnico-raciais, propondo a criação de um clube de leitura como espaço coletivo de formação, diálogo e reflexão. A proposta está alinhada à compreensão de que a leitura não se restringe à decodificação de textos, mas envolve a interpretação crítica do mundo, conforme defendido por Paulo Freire (1987), ao afirmar que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Tal perspectiva reforça a necessidade de práticas pedagógicas que promovam a participação ativa dos sujeitos, o diálogo e a construção coletiva do conhecimento, elementos centrais na proposta deste projeto. Além disso, ao incentivar a leitura sistemática e o debate coletivo, o clube de leitura contribui para o desenvolvimento de competências fundamentais, como argumentação, escuta ativa e empatia, ao mesmo tempo em que fortalece a socialização e o vínculo entre instituição e comunidade. A iniciativa também se alinha às diretrizes da Lei nº 10.639/2003 e dialoga diretamente com a Agenda 2030, contribuindo para a promoção da educação de qualidade, da redução das desigualdades e da valorização da diversidade. Dessa forma, o projeto responde simultaneamente a desafios educacionais contemporâneos e históricos, consolidando-se como uma estratégia relevante de formação crítica, inclusão social e valorização da literatura afro-diaspórica.
Justificativa
O contexto contemporâneo é marcado pela intensificação do uso de tecnologias digitais e pelo consumo acelerado de informações, no qual práticas como leitura aprofundada e reflexão crítica vêm sendo progressivamente substituídas por conteúdos fragmentados e imediatistas. Segundo Nicholas Carr (2011), a exposição contínua a estímulos digitais pode reduzir a capacidade de concentração e leitura profunda, afetando diretamente processos cognitivos ligados à interpretação e análise crítica. De forma complementar, Maryanne Wolf (2019) alerta para a perda da chamada “leitura profunda”, essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico. Nesse cenário, iniciativas que resgatem o hábito da leitura tornam-se fundamentais não apenas para a formação intelectual, mas também para o fortalecimento de competências socioemocionais, como empatia, escuta ativa e diálogo. Paralelamente, a literatura afro-diaspórica se apresenta como ferramenta essencial para o letramento racial e a construção de uma educação antirracista, ao ampliar o acesso a narrativas historicamente marginalizadas. A invisibilização de autores negros nos currículos escolares reflete o que Chimamanda Ngozi Adichie (2019) denomina de “história única”, isto é, a limitação de perspectivas que reforça estereótipos e desigualdades. No contexto brasileiro, a Lei nº 10.639/2003 estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, evidenciando a necessidade de ações que ultrapassem o espaço da sala de aula e promovam formação crítica. Nesse sentido, Djamila Ribeiro (2019) destaca que o racismo é estrutural e sua compreensão é fundamental para o seu enfrentamento, enquanto Nilma Lino Gomes (2017) enfatiza o papel das instituições de ensino na valorização das identidades e saberes historicamente marginalizados. Já Conceição Evaristo (2017) propõe o conceito de escrevivência, no qual a escrita se articula às experiências vividas, configurando-se como forma de resistência e ressignificação social. Além disso, a proposta alinha-se diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, especialmente ao ODS 4, ao promover uma educação de qualidade baseada no desenvolvimento do pensamento crítico e na ampliação do repertório cultural; ao ODS 5, ao possibilitar discussões sobre gênero e interseccionalidade no contexto das relações étnico-raciais; e ao ODS 10, ao contribuir para a redução das desigualdades por meio da valorização de vozes historicamente silenciadas e da promoção de práticas educativas inclusivas. O projeto também possui caráter extensionista ao promover a integração entre o IFCE Campus Sobral e a comunidade externa, envolvendo estudantes e professores da educação básica, integrantes de movimentos sociais, coletivos negros e demais interessados na temática. Essa articulação amplia o alcance social das ações desenvolvidas pelo NEABI, favorecendo a troca de saberes entre a instituição e a sociedade e fortalecendo práticas de educação antirracista para além dos espaços formais de ensino. Dessa forma, o projeto se justifica como uma estratégia que articula a promoção da leitura crítica, o fortalecimento da equidade racial, o desenvolvimento do pensamento crítico e o estímulo à socialização, contribuindo para a formação de sujeitos mais conscientes e para o enfrentamento da superficialidade informacional característica da contemporaneidade.
Público Alvo
A comunidade externa será constituída prioritariamente por estudantes e professores da rede pública de ensino municipal e estadual, especialmente de escolas situadas em territórios periféricos e socialmente vulnerabilizados, além de integrantes de movimentos sociais, coletivos negros, organizações da sociedade civil, mediadores de leitura, bibliotecários, acadêmicos de outras instituições de ensino superior e demais interessados nas temáticas da literatura, das relações étnico-raciais e da educação antirracista. A participação desse público visa ampliar o acesso a espaços formativos e culturais, fortalecer o diálogo entre o IFCE e a sociedade e promover a circulação de conhecimentos relacionados à valorização da história, da cultura e das experiências da população negra. Por meio das ações previstas, especialmente da atividade extensionista em escola pública parceira e do seminário de socialização dos resultados, busca-se contribuir para a formação crítica dos participantes, incentivar o hábito da leitura e fortalecer redes de colaboração entre a instituição e a comunidade.
Objetivo Geral
Promover o desenvolvimento da leitura crítica e reflexiva por meio da literatura afro-diaspórica, contribuindo para o letramento racial, a formação cidadã e o fortalecimento do pensamento crítico, ao mesmo tempo em que estimula a valorização da diversidade cultural, o reconhecimento de identidades historicamente marginalizadas e a construção de uma educação comprometida com a equidade e a transformação social.
Objetivo Específico
• Estimular a prática da leitura crítica e contínua, especialmente em um contexto marcado pelo uso intensivo de tecnologias digitais e pela fragmentação da informação; • Promover o letramento racial por meio do contato com obras da literatura afro-diaspórica, ampliando a compreensão sobre questões étnico-raciais; • Fomentar a educação antirracista, incentivando reflexões sobre racismo estrutural, identidade, diversidade e inclusão; • Desenvolver habilidades de pensamento crítico, interpretação, argumentação e análise reflexiva a partir das leituras e discussões propostas; • Incentivar a socialização, o diálogo e a troca de experiências entre os participantes, fortalecendo práticas de escuta ativa e respeito à diversidade; • Ampliar o repertório cultural dos participantes por meio do acesso a autores e narrativas historicamente invisibilizadas; • Fortalecer o vínculo entre o IFCE e a comunidade externa, promovendo a integração entre saberes acadêmicos e sociais; • Consolidar o NEABI como espaço de formação crítica, produção de conhecimento e promoção da equidade racial.
Metodologia
A execução do projeto fundamenta-se em uma abordagem participativa, dialógica e interdisciplinar, orientada pelos princípios da educação crítica, na qual o processo de ensino-aprendizagem é compreendido como construção coletiva do conhecimento. Nessa perspectiva, as atividades serão organizadas em ciclos mensais de leitura, compostos por encontros quinzenais ao longo de seis meses, totalizando doze encontros, a serem realizados no IFCE Campus Sobral, no período de julho de 2026 a Janeiro de 2027. Cada obra selecionada será trabalhada em dois momentos complementares: um encontro de contextualização e sensibilização, seguido de um encontro de aprofundamento crítico e debate. Essa organização metodológica dialoga com a concepção de educação proposta por Paulo Freire (1987), que defende práticas educativas baseadas no diálogo, na problematização e na participação ativa dos sujeitos, em oposição a modelos tradicionais centrados na transmissão passiva de conteúdos. O primeiro encontro de cada ciclo será dedicado à apresentação da obra e de seu (sua) autor (a), contemplando aspectos biográficos, contexto histórico, social e cultural de produção, além da leitura mediada de trechos selecionados. Nesse momento, busca-se estimular o interesse dos participantes e levantar percepções iniciais sobre os eixos temáticos do texto, favorecendo a construção de sentidos a partir das experiências individuais e coletivas. Já o segundo encontro será destinado ao debate aprofundado da obra, considerando sua leitura prévia pelos participantes. Serão promovidas discussões críticas que articulem o conteúdo literário com a realidade social brasileira, abordando categorias como raça, classe, gênero e identidade, de modo a estimular a reflexão crítica e a capacidade argumentativa. O projeto terá início com um encontro inaugural em formato de Café Literário, configurando-se como momento de acolhimento, integração e apresentação da proposta. Nessa ocasião, será realizada a ambientação cultural do espaço, a exposição das obras a serem trabalhadas ao longo do projeto e a apresentação dos objetivos e metodologia. Também serão desenvolvidas atividades interativas, como dinâmica de apresentação dos participantes e construção de um mural de expectativas, favorecendo o engajamento inicial e a construção de um ambiente colaborativo. Ao longo dos encontros, serão utilizadas diversas estratégias metodológicas com o objetivo de garantir a participação ativa e o envolvimento dos participantes. Dentre elas, destacam-se as rodas de conversa mediadas, que possibilitam a troca de experiências e a construção coletiva de interpretações; as leituras orientadas, com apoio de roteiros que direcionam a análise crítica das obras; o uso de recursos audiovisuais, como entrevistas e documentários, que ampliam a compreensão dos contextos abordados; e a produção de registros reflexivos, incluindo relatos, cartas, resenhas e textos autorais. Tais estratégias contribuem para o desenvolvimento de habilidades de interpretação, argumentação e escrita, além de favorecerem a expressão subjetiva dos participantes. Serão também incorporadas atividades lúdicas e interativas como forma de potencializar o engajamento e a aprendizagem significativa. Entre essas atividades, incluem-se dinâmicas como “mito ou verdade” sobre racismo, construção de linhas do tempo pessoais relacionadas à identidade, escrita de cartas para si mesmo como exercício de reflexão, dramatização de trechos das obras, produção de textos inspirados no conceito de escrevivência e elaboração coletiva de um guia antirracista. Essas práticas dialogam com a perspectiva de Conceição Evaristo (2017), ao valorizar a experiência vivida como elemento central na produção de conhecimento e expressão literária. O projeto será desenvolvido com encontros presenciais realizados no IFCE Campus Sobral e transmissão síncrona para participantes de outras localidades, garantindo maior acessibilidade e alcance. Essa configuração amplia as possibilidades de participação e promove a democratização do acesso às atividades extensionistas. Como forma de ampliar o alcance social das ações desenvolvidas e fortalecer o caráter extensionista do projeto, será estabelecida parceria com pelo menos uma escola pública da rede municipal ou estadual de Sobral ou região. Em alusão ao Mês da Consciência Negra, será realizada uma ação externa de incentivo à leitura e ao letramento racial, envolvendo estudantes da educação básica, participantes do clube de leitura e membros do NEABI. A atividade ocorrerá por meio de uma roda de leitura mediada, discussão de trechos de obras afro-diaspóricas e diálogo sobre identidade, diversidade e enfrentamento ao racismo, promovendo a troca de saberes entre a comunidade escolar e o IFCE. Essa ação busca ampliar o impacto social do projeto e fortalecer a aproximação entre a instituição e a comunidade. Além disso, a metodologia proposta busca responder a um contexto contemporâneo marcado pela redução da leitura aprofundada, conforme discutido por Maryanne Wolf (2019) e Nicholas Carr (2011), ao promover práticas que incentivam a concentração, a interpretação e o pensamento crítico. Ao articular leitura, debate e socialização, o projeto contribui para a formação de sujeitos mais críticos e conscientes, ao mesmo tempo em que fortalece o letramento racial e a valorização da diversidade cultural.