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Campus:
CAMPUS CANINDE
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Territórios inovadores: tecnologias sociais, educação museal indígena e formação intercultural em Canindé
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Patrimônio Cultural, Histórico, Natural e Imaterial
Data de Início:
03/08/2026
Previsão de Fim:
03/02/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
80
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
120
Local de Atuação:
Urbano-Rural
Fomento:
EDITAL 14/2026 – EDITAL PARA SELEÇÃO DE BOLSISTAS DE EXTENSÃO PARA OS PROGRAMAS/NÚCLEOS E PROJETOS INSTITUCIONAIS
Programa Institucional
NEABIs
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Canindé
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Reunião
Trabalho em grupo
Debate
Formas de Divulgação:
E-mail
Site institucional
Redes sociais
Convite
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Maria Artemis Ribeiro Martins
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Virginia de Sousa Rocha IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 2 03/08/2026 03/02/2027
Francisco Luanderson Freitas da Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 03/08/2026 03/02/2027
Lourdes Rafaella Santos Florencio IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 03/08/2026 03/02/2027
Maria Artemis Ribeiro Martins IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 03/08/2026 03/02/2027
MARIA EMILLY ALVES EDE SOUSA IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 03/08/2026 03/02/2027
MARIA JULIA GERMANO ALVES IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 03/08/2026 03/02/2027
RAYNARA MILENA GOMES BARBOSA IFCE Integrante Discente IFCE Não 2 03/08/2026 03/02/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2800.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O projeto “Territórios inovadores: tecnologias sociais, educação museal indígena e formação intercultural em Canindé” propõe desenvolver ações integradas de extensão, ensino, pesquisa e inovação, em articulação com o NEABI Canindé, comunidades tradicionais indígenas e escolas públicas não-indígenas do município de Canindé/CE. A proposta parte do reconhecimento de que os territórios indígenas do sertão central cearense, como as aldeias Gameleira e Kalembre Feijão (zona rural de Canindé), já produzem tecnologias sociais próprias, construídas a partir da memória, da oralidade, da organização comunitária, da educação, da museologia indígena, da salvaguarda cultural e da transmissão intergeracional de saberes. Nesse sentido, o projeto buscará valorizar e fortalecer experiências do Museu dos Encantos Kanindé e a Escola Indígena Expedito Oliveira Rocha, ambos na Aldeia Gameleira; a Eyêê Kafuba: Casa da Memória; e o Laboratório de Língua Materna Ybutritê, equipamentos culturais vinculados ao povo Karão Jaguaribaras. O projeto tem como eixo central o desenvolvimento de ações que contribuam para o cumprimento da Lei nº 11.645/2008 nas escolas não-indígenas. Essa lei complementa a Lei nº 10.639/2003, que já havia inserido a obrigatoriedade da temática afro-brasileira, ampliando o escopo para incluir oficialmente a história e a cultura dos povos indígenas no currículo nacional. A proposta também se alinha à Resolução Normativa Ibram nº 40, de 03 de dezembro de 2025, que aprova a Política Nacional de Educação Museal (PNEM), ao compreender a educação museal como prática social, política, cultural e pedagógica comprometida com a memória, a cidadania, os direitos humanos, a diversidade, a participação social e o papel educativo dos museus, pontos de memória, casas de memória, centros culturais e demais experiências museais comunitárias. Como resultado final, tem-se a produção de tecnologias sociais de educação museal e intercultural, garantindo retorno às comunidades tradicionais envolvidas. Entre os produtos previstos estão: diagnóstico participativo das demandas territoriais; matriz de tecnologias sociais indígenas de Canindé, oficinas de educação intercultural; materiais didáticos e pedagógicos para uso dos territórios e de escolas não-indígenas; e banco digital de dados autorizados pelas comunidades. O/A estudante bolsista será selecionado/a por edital interno simplificado do campus, conforme as orientações do Edital 14/2026 PROEXT/IFCE, e será posteriormente incluído/a na equipe executora com carga horária de 12 horas semanais, no período de agosto a novembro de 2026.
Justificativa
A implementação da Lei nº 11.645/2008 ainda constitui um desafio para muitas escolas não-indígenas brasileiras. Embora a legislação determine a obrigatoriedade do ensino da história e cultura dos povos indígenas, sua efetivação é frequentemente marcada por lacunas formativas, ausência de materiais contextualizados, abordagens superficiais, visões estereotipadas e práticas pedagógicas restritas a datas comemorativas. Em Canindé essa questão assume especial relevância em razão da presença histórica e contemporânea de povos indígenas que seguem produzindo cultura, memória, organização política, educação, arte, espiritualidade, tecnologias sociais e formas próprias de relação com o território. Apesar disso, ainda é comum que as escolas não-indígenas tratem os povos indígenas como sujeitos do passado, reforçando apagamentos históricos e invisibilizando suas contribuições e produções atuais. O IFCE Campus Canindé, por meio do NEABI, possui papel estratégico na promoção de uma educação antirracista, intercultural e socialmente referenciada. Ao articular ensino, pesquisa, extensão e inovação, o projeto contribuirá para ampliar a capilaridade social da instituição, aproximando o campus das comunidades tradicionais e das escolas públicas do território. A proposta também se justifica pela necessidade de reconhecer e fortalecer tecnologias sociais já desenvolvidas pelas próprias comunidades indígenas. O Museu dos Encantos Kanindé, a Eyêê Kafuba: Casa da Memória e o Laboratório de Língua Materna Ybutritê são experiências que articulam memória, identidade, educação, patrimônio, língua, pesquisa comunitária e salvaguarda cultural. Essas iniciativas constituem tecnologias sociais porque respondem a demandas coletivas, são construídas de forma participativa, fortalecem a autonomia comunitária e produzem soluções culturais, educativas e sociais para problemas historicamente vividos pelos povos indígenas, como o apagamento, a invisibilização e a negação de direitos. O projeto dialoga, ainda, com a Política Nacional de Educação Museal (PNEM), ao reconhecer a educação museal como campo de práticas educativas comprometidas com a diversidade, os direitos humanos, a memória, a cidadania, a participação social e a transformação dos territórios. Ao aproximar museologia indígena, educação intercultural e escolas não-indígenas, a ação amplia o alcance social dos equipamentos culturais comunitários e contribui para que o IFCE atue como parceiro no fortalecimento das comunidades tradicionais. Por fim, a proposta está alinhada com os princípios da política nacional da educação profissional e tecnológica (PNEPT): a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa, a extensão e a inovação; com a integração da ciência, da tecnologia, do desenvolvimento sustentável e da cultura como elementos estruturantes da proposta político-pedagógica; com a indissociabilidade entre educação e prática social, de modo a assegurar a formação crítica e cidadã, considerada a historicidade dos conhecimentos e dos sujeitos; e com o respeito às diferenças regionais, culturais, étnico-raciais e de gênero, e às necessidades específicas de diferentes grupos sociais, que valorizem a diversidade, a equidade, a sustentabilidade, a inclusão social e a cidadania. Colabora com a formação integral dos/as estudantes do IFCE, especialmente do/a bolsista extensionista, ao proporcionar vivências de pesquisa-ação colaborativa, educação intercultural, mediação comunitária, produção de materiais educativos, registro ético de experiências, organização de ações presenciais e sistematização de tecnologias sociais de educação museal e intercultural.
Público Alvo
O projeto atenderá estudantes de escolas públicas não-indígenas de Canindé/CE; professores/as, gestores/as escolares e demais profissionais da educação básica; integrantes de movimentos sociais, coletivos culturais e comunidades tradicionais parceiras vinculadas ao debate indígena e intercultural; representantes da Aldeia Gameleira; representantes da Aldeia Kalembre Feijão; comunidade da Escola Indígena Expedito Oliveira Rocha; participantes vinculados ao Museu dos Encantos Kanindé, à Eyêê Kafuba: Casa da Memória e ao Laboratório de Língua Materna Ybutritê.
Objetivo Geral
Desenvolver, em articulação com comunidades indígenas de Canindé/CE, tecnologias sociais de educação museal e intercultural que valorizem a cultura, a história, a memória, os territórios e os saberes indígenas nos sertões de Canindé, com vistas ao cumprimento qualificado da Lei nº 11.645/2008 nas instituições de ensino e ao fortalecimento das comunidades tradicionais de Canindé.
Objetivo Específico
1. Realizar levantamento participativo de demandas junto às comunidades tradicionais da Aldeia Gameleira e da Aldeia Kalembre Feijão, identificando prioridades, expectativas e possibilidades de colaboração com o IFCE e as escolas não-indígenas; 2. Mapear e sistematizar tecnologias sociais indígenas já desenvolvidas nos territórios, com destaque para o Museu dos Encantos Kanindé, a Eyêê Kafuba: Casa da Memória e o Laboratório de Língua Materna Ybutritê; 3. Promover, em parceria com as lideranças e intelectuais tradicionais de Canindé, a formação de estudantes do IFCE, membros do NEABI, professores/as e gestores/as escolares sobre museologia indígena, educação museal, educação intercultural, Lei nº 11.645/2008 e tecnologias sociais; 4. Desenvolver, em parceria com as lideranças e intelectuais tradicionais de Canindé, oficinas presenciais de educação intercultural com estudantes de escolas públicas não-indígenas de Canindé/CE, articulando memória, território, cultura, língua, patrimônio, direitos indígenas e combate a estereótipos; 5. Construir, de forma colaborativa, materiais didáticos e pedagógicos que possam ser utilizados por escolas públicas, pelo NEABI e pelos equipamentos culturais comunitários parceiros; 6. Elaborar produtos e tecnologias sociais de educação museal e intercultural, incluindo um guia metodológico, um banco digital de registros autorizados, uma matriz de tecnologias sociais indígenas e um relatório técnico-extensionista; 7. Sistematizar os resultados do projeto em produção acadêmica-extensionista, estimulando a participação de estudantes (bolsistas e voluntários) em eventos, encontros e publicações na área de extensão, educação intercultural e educação museal.
Metodologia
O projeto será desenvolvido em sete etapas integradas, ancoradas na metodologia da pesquisa-ação colaborativa: escuta, diagnóstico, planejamento compartilhado, intervenção formativa, monitoramento colaborativo, sistematização e devolutiva social. Em todas as etapas, as comunidades parceiras participarão como coautoras do processo, contribuindo para a definição das demandas, validação dos registros, escolha dos conteúdos a serem compartilhados, avaliação dos materiais produzidos e definição das formas de devolutiva social. O/A bolsista, que será selecionado/a por edital interno simplificado do campus (conforme as orientações do Edital 14/2026 PROEXT/IFCE), atuará no apoio à mobilização, registro autorizado, organização das oficinas, sistematização dos dados, produção dos materiais pedagógicos, acompanhamento das avaliações e elaboração dos relatórios mensais, sempre sob orientação da coordenação e em diálogo com o NEABI Canindé.