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Campus:
CAMPUS CRATO
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
QUAL É A COR DA MINHA ESCRITA?
Área Temática:
Educação
Linha de Extensão:
Diversidade Étnico-racial
Data de Início:
03/08/2026
Previsão de Fim:
26/02/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
150
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
300
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
EDITAL 14/2026 – EDITAL PARA SELEÇÃO DE BOLSISTAS DE EXTENSÃO PARA OS PROGRAMAS/NÚCLEOS E PROJETOS INSTITUCIONAIS
Programa Institucional
NEABIs
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Crato
Formas de Avaliação:
Trabalho em grupo
Formas de Divulgação:
E-mail
Site institucional
Redes sociais
Convite
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Joquebede Alencar Torres
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Alexandrina Nayara Fernandes Campos Universidade Federal da Paraíba - UFPB (PPGDH) Integrante Sem vínculo Não 4 03/08/2026 26/02/2027
Cleonice Almeida da Silva IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 3 03/08/2026 26/02/2027
Henrique Douglas de Sousa Lopes IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 03/08/2026 26/02/2027
Jarderlany Sousa Nunes IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 03/08/2026 26/02/2027
Joquebede Alencar Torres IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 03/08/2026 26/02/2027
Valeria Batista de Brito IFCE Integrante Discente IFCE Sim 12 03/08/2026 26/02/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2.8
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
A construção da identidade negra no Brasil ocorre em um contexto marcado pela escassez de referências positivas de pessoas negras nos espaços sociais e culturais. Enquanto modelos positivos de branquitude são amplamente difundidos, a população negra frequentemente é associada a contextos de vulnerabilidade e exclusão, o que pode dificultar processos de identificação e valorização de si, especialmente entre crianças e jovens (Conceição, 2010 apud Malafaia, 2018). A representação da diferença constitui um importante mecanismo de construção da subjetividade individual e coletiva. Apesar do histórico silenciamento das populações negras no Brasil, estas desenvolveram espaços de enunciação e resistência que desafiam os padrões ocidentais hegemônicos. Nesse contexto, a literatura negra emerge como um campo de afirmação cultural e produção de novas perspectivas estéticas e epistemológicas (Sena, 2012). Autoras negras brasileiras como Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Jarid Arraes e Djamila Ribeiro produzem obras que transcendem a denúncia das desigualdades; elas resgatam memórias e constroem narrativas de resistência e intelectualidade que são fundamentais para a compreensão da formação social do Brasil. Na visão de Tatiana Sena, “A literatura afro-brasileira desconstrói as fronteiras entre contestação individual e coletiva. Cada enunciação se conecta a outras enunciações, cujos valores posicionais se determinam mutuamente, fazendo com que cada sentença adquira uma urgência de vida e de morte” (2012, pág. 6). O projeto propõe a produção dessas autoras e suas respectivas obras no cotidiano das turmas de 9.º ano das escolas municipais Dom Vicente, Melvin Jones e Paulo Limaverde, situadas no Crato (CE). A intervenção será realizada por meio de rodas de conversa e atividades dinâmicas que utilizam o material educativo do projeto. Os estudantes terão contato com biografias, cordéis, trechos de livros e ilustrações voltados para o letramento antirracista. A ação articula-se ao acervo da Afroteca Carolina Maria de Jesus, do NEABI/IFCE Campus Crato, e representa um desdobramento extensionista do compromisso institucional com a educação antirracista e com a implementação das Leis n.º 10.639/2003 e n.º 11.645/2008.
Justificativa
A legislação educacional brasileira, por meio das Leis n.º 10.639/2003 e n.º 11.645/2008, estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena na Educação Básica. Apesar disso, muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para implementar essas diretrizes de forma sistemática e pedagogicamente adequada às diferentes faixas etárias. O Ensino Fundamental II é uma etapa especialmente sensível para a construção identitária dos estudantes. Nesse contexto, o contato com autoras negras reais, com trajetórias de resistência e produção intelectual, tem potencial tanto para estudantes negros, que se reconhecem nessas narrativas, quanto para o conjunto da turma, que passa a compreender o racismo estrutural e a importância da representatividade. Além disso, a presença de Jarid Arraes, autora natural de Juazeiro do Norte/CE, oferece uma oportunidade singular de aproximação entre a identidade regional dos estudantes e a literatura de resistência negra, tornando o projeto especialmente relevante para o território de abrangência do Campus Crato.
Público Alvo
O projeto destina-se a estudantes do 9 matriculados nas Escolas Municipais Dom Vicente, Melvin Jones e Paulo Limaverde, no município de Crato (CE), estimando-se o alcance de 100 a 150 estudantes ao longo da execução do projeto.
Objetivo Geral
Promover a educação e a valorização da literatura negra brasileira entre estudantes do ano das escolas municipais parceiras, por meio de atividades pedagógicas fundamentadas nas obras e trajetórias de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Jarid Arraes e Djamila Ribeiro.
Objetivo Específico
Apresentar às turmas as biografias, obras e contribuições de quatro autoras negras brasileiras; Desenvolver atividades de leitura e reflexão sobre racismo, identidade e representatividade; Estimular produções criativas dos estudantes: cordéis, poemas, ilustrações, releituras e registros no painel coletivo; Contribuir para a implementação das Leis n.º 10.639/2003 e n.º 11.645/2008 nas escolas parceiras; Fortalecer a articulação entre o NEABI/IFCE Campus Crato e a rede pública municipal de ensino.
Metodologia
O projeto será desenvolvido em atividades presenciais realizadas nas escolas parceiras, seguindo a estrutura metodológica do material Vozes Negras que Transformam, organizada em seis etapas: Etapa 1: Início da atividade com a ambientação dos estudantes e apresentação do NEABI/IFCE Campus Crato; Etapa 2: Breve exposição dialogada para contextualizar as quatro autoras estudadas: Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Jarid Arraes e Djamila Ribeiro; Etapa 3: A turma será organizada em 4 equipes de trabalho, onde cada grupo receberá o material pedagógico focado em uma das autoras (contendo biografias, cordéis, fragmentos literários e ilustrações); Etapa 4: Cada equipe fará uma breve apresentação para o restante da turma sobre a autora que estudou. Em seguida, os grupos serão estimulados a produzir materiais criativos como poemas, cordéis, ilustrações e releituras. Essas produções serão fixadas conjuntamente em um mural coletivo nas dependências da escola, materializando o letramento antirracista e o protagonismo dos estudantes. As atividades serão precedidas de planejamento conjunto da equipe e agendamento prévio com as escolas. Ao final de cada ação, serão realizados registros fotográficos e narrativos para acompanhamento e avaliação interna do projeto. Os resultados serão consolidados em relatório final.