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Campus:
CAMPUS IGUATU
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Mãos que Falam: Plataforma Web para Reconhecimento de Datilologia em Libras e Apoio ao Ensino-Aprendizado da Língua Brasileira de Sinais.
Área Temática:
Tecnologia e Produção
Linha de Extensão:
Tecnologias assistivas
Data de Início:
06/07/2026
Previsão de Fim:
05/07/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
20
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
50
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
EDITAL DE FOMENTO PARA AS ATIVIDADES DE CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO DO IFCE 2026
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Acopiara
Jucás
Cariús
Várzea Alegre
Quixelô
Orós
Iguatu
Icó
Lavras da Mangabeira
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Formas de Divulgação:
E-mail
Site institucional
Redes sociais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Efraim de Alcantara Matos
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Flavia de Morais Bitu IFCE Integrante Discente IFCE Não 6 06/07/2026 05/07/2027
Aurelio de Castro Alves Filho IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 3 06/07/2026 05/07/2027
Carlos Magno Oliveira Junior IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 06/07/2026 05/07/2027
Efraim de Alcantara Matos IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 06/07/2026 05/07/2027
Fernanda Maressa Antunes Alves IFCE Integrante Discente IFCE Sim 6 06/07/2026 05/07/2027
Gizeli Barroso Cavalcante IFCE Integrante Discente IFCE Não 6 06/07/2026 05/07/2027
Joao Emanuel Alves Mendes Ventura IFCE Integrante Discente IFCE Não 6 06/07/2026 05/07/2027
Luis Felipe Nascimento Santana IFCE Integrante Discente IFCE Não 6 06/07/2026 05/07/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2564.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O presente projeto de extensão, intitulado Mãos que Falam, propõe o desenvolvimento de uma plataforma web gratuita com duas funcionalidades principais: (1) reconhecimento automático de sinais de datilologia da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em tempo real, por meio de câmera e técnicas de visão computacional e aprendizado profundo; e (2) uma área educativa de apoio ao ensino-aprendizado da Libras, contendo guias, material didático e recursos interativos sobre o alfabeto manual e a língua de sinais. A atividade está enquadrada na Modalidade III da Curricularização da Extensão, vinculada à matriz curricular do curso de Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE Campus Iguatu, com interface direta com a comunidade surda da região e com o IFCE Campus Acopiara, parceiro institucional externo cujos estudantes do curso de Libras compõem o público-alvo prioritário da proposta. O projeto articula diretamente competências desenvolvidas nas disciplinas de Inteligência Artificial, Programação Web, Estrutura de Dados, Análise de Complexidade de Algoritmos, Redes de Computadores e Libras, promovendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão por meio de uma solução tecnológica com impacto social real. A disciplina de Ética e Meio Ambiente contribui de forma transversal à proposta ao fundamentar discussões sobre viés algorítmico em sistemas de inteligência artificial, privacidade no tratamento de dados biométricos e responsabilidade social no desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas a populações vulneráveis, ou seja, como dimensões éticas são indissociáveis do desenvolvimento de sistemas de IA aplicados à acessibilidade. A comunidade surda não será enxergada como mero público-alvo passivo, mas como participante ativa e protagonista do processo extensionista. Pessoas surdas e estudantes de Libras da região colaborarão nas etapas de coleta de dados, validação da plataforma e avaliação de usabilidade, garantindo que a solução desenvolvida responda de forma efetiva às suas necessidades reais de comunicação. Essa participação aponta para uma situação de vulnerabilidade social que é estruturada e estruturante, uma vez que a comunidade surda, especialmente no interior do Ceará, enfrenta simultaneamente barreiras comunicacionais, limitado acesso a tecnologias assistivas e menor inserção nos espaços digitais, acadêmicos e profissionais, condições que caracterizam vulnerabilidade em suas dimensões social, digital e econômica. Um exemplo disso é não termos nenhum aluno surdo hoje em dia no curso de Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE-Campus Iguatu. A carga horária de extensão a ser cumprida pelos estudantes será definida em conformidade com o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Ciência da Computação, respeitando o mínimo institucional estabelecido para a Modalidade III da Curricularização da Extensão.
Justificativa
A comunicação entre pessoas surdas e ouvintes ainda enfrenta diversas barreiras sociais, educacionais e tecnológicas, principalmente devido ao baixo conhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras) pela maior parte da população. Embora a Libras seja reconhecida oficialmente no Brasil pela Lei nº 10.436/2002 (Brasil, 2002), sua utilização ainda não está amplamente disseminada em ambientes públicos, educacionais e digitais, dificultando a inclusão, a acessibilidade e a interação da comunidade surda em diferentes espaços sociais. No contexto regional, a necessidade de iniciativas voltadas à acessibilidade comunicacional torna-se ainda mais evidente. Os dados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, publicados pelo IBGE em 2025, revelam que o Brasil contava com 14,4 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o equivalente a 7,3% da população de dois anos ou mais de idade. Entre elas, 2,6 milhões apresentavam dificuldade para ouvir, mesmo com o uso de aparelhos auditivos. No recorte por domicílios, em 16% das residências recenseadas havia ao menos um morador com deficiência; o Nordeste apresentou o maior percentual entre as grandes regiões, com 19,5% dos domicílios nessa situação. No Ceará, os dados são particularmente expressivos já que o estado registrou 8,9% de sua população com algum tipo de deficiência, percentual acima da média nacional de 7,3% e entre os mais altos do país, igualando Pernambuco e ficando atrás apenas de Alagoas (9,6%) e Piauí (9,3%). No interior do estado, onde o acesso a recursos tecnológicos assistivos e a profissionais capacitados em Libras é historicamente mais restrito, essa realidade é agravada por fatores socioeconômicos estruturais (IBGE, 2025). No município de Iguatu e na microrregião do Centro-Sul cearense, as barreiras enfrentadas pela comunidade surda assumem contornos ainda mais concretos. Segundo o Censo 2022, Iguatu contava com 98.064 habitantes, sendo o maior município da região Centro-Sul do Ceará. Aplicando ao município a taxa estadual de deficiência auditiva identificada no Censo 2022 (de aproximadamente 1,3% para dificuldades auditivas severas, derivada da proporção nacional de 2,6 milhões em uma população de cerca de 198 milhões), estima-se que ao menos 1.300 pessoas em Iguatu possam apresentar dificuldade significativa para ouvir (IBGE, 2025). Essas pessoas enfrentam, cotidianamente, obstáculos para participação em atividades acadêmicas, serviços públicos essenciais e interações digitais, especialmente num contexto em que a oferta de tecnologias assistivas gratuitas e de qualidade ainda é limitada. Essas pessoas enfrentam, cotidianamente, obstáculos para participação em atividades acadêmicas, serviços públicos essenciais e interações digitais, especialmente em um contexto onde a oferta de tecnologias assistivas gratuitas e de qualidade ainda é limitada. A ausência de ferramentas digitais acessíveis em Libras, somada à escassez de intérpretes e à baixa disseminação da língua de sinais no ambiente regional, configura uma situação concreta de vulnerabilidade social e digital dessa população. Além do diagnóstico local, é fundamental compreender a extensão universitária como prática pedagógica e política de transformação social. Segundo o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (FORPROEX) (FORPROEX, 2012), a extensão universitária constitui um processo interdisciplinar, educativo, cultural, científico e político que promove a interação transformadora entre a universidade e outros setores da sociedade, tendo como premissa central o diálogo com as comunidades e a resposta às suas demandas concretas. Nessa perspectiva, o presente projeto não se limita ao desenvolvimento de uma solução tecnológica uma vez que ele busca construir, de forma colaborativa e dialógica, uma tecnologia social voltada à acessibilidade comunicacional da comunidade surda regional. O conceito de tecnologia social, entendido como soluções tecnológicas desenvolvidas com participação ativa da comunidade beneficiária, orientadas à resolução de problemas sociais concretos e comprometidas com a inclusão e a transformação social (Instituto de Tecnologia Social, 2004), é central para a proposta. A plataforma Mãos que Falam não será desenvolvida para a comunidade surda, mas com ela, garantindo que as escolhas técnicas, de interface e pedagógicas respondam às necessidades reais identificadas ao longo do processo extensionista. Do ponto de vista técnico-científico, a língua de sinais representa um sistema estruturado de comunicação visual utilizado pela comunidade surda, envolvendo movimentos das mãos, braços, expressões faciais e postura corporal (Cheok et al., 2017). Como poucas pessoas ouvintes compreendem a LIBRAS, estabelece-se uma barreira significativa de comunicação entre a comunidade surda e o restante da sociedade. Barreira que se intensifica em contextos de baixo acesso a tecnologias assistivas, como o interior do Nordeste brasileiro. Pesquisas apontam que sistemas de reconhecimento de sinais possuem grande potencial para promover acessibilidade e melhorar a interação humano-computador, sendo uma área multidisciplinar que combina visão computacional, inteligência artificial, reconhecimento de padrões e processamento de linguagem natural (Wadhawan; Kumar, 2021), conhecimentos diretamente articulados ao currículo do Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE Campus Iguatu. Nos últimos anos, os avanços em aprendizado profundo (deep learning) possibilitaram o desenvolvimento de sistemas capazes de reconhecer padrões complexos em imagens e vídeos com alta precisão. Redes neurais convolucionais (CNNs), por exemplo, destacam-se pela capacidade de extrair automaticamente características relevantes, eliminando a necessidade de criação manual de atributos (Pigou et al., 2018). Estudos recentes demonstram que modelos baseados em deep learning têm alcançado elevada precisão no reconhecimento de sinais em tempo real, evidenciando o potencial dessas tecnologias para ampliar a acessibilidade comunicacional (Singhal et al., 2025) — inclusive em contextos de baixa infraestrutura tecnológica, como os municípios do Semiárido cearense. Pesquisas sobre reconhecimento de sinais destacam que a visão computacional baseada em câmeras convencionais é uma alternativa acessível e de baixo custo para captura de gestos, permitindo a criação de soluções democráticas e facilmente distribuídas pela web (Cheok et al., 2017). Essa característica é especialmente relevante para a realidade regional: uma plataforma executada diretamente no navegador, sem necessidade de equipamentos especializados, tem potencial real de alcançar usuários em municípios do interior com infraestrutura tecnológica limitada. A datilologia em Libras, utilizada para representar letras do alfabeto por meio de sinais manuais, possui grande importância na comunicação cotidiana, especialmente para soletração de nomes próprios, termos técnicos e palavras sem sinal específico. O reconhecimento automático desses sinais pode contribuir tanto para o aprendizado da Libras quanto para o desenvolvimento de ferramentas de acessibilidade e inclusão digital na região. Além disso, pode ser articulado com outros cursos, a construção de sinais e representação datilológica de nomes científicos por exemplo. No Campus Acopiara, por ter o curso técnico em Biotecnologia e superior em Biologia, pode ter diversos nomes que ainda não tenham sinal e a plataforma pode auxiliar nesse sentido.
Público Alvo
Os beneficiários da presente atividade de extensão serão, prioritariamente, membros da comunidade externa ao IFCE em situação de vulnerabilidade comunicacional, social e digital: pessoas surdas da região de Iguatu e municípios vizinhos do Centro-Sul cearense, estudantes dos cursos técnico e superior de Libras do IFCE Campus Acopiara, professores e instrutores de Libras da rede pública regional e demais pessoas interessadas no aprendizado e no uso da Língua Brasileira de Sinais. Conforme demonstrado na Justificativa deste projeto, o Ceará registrou, no Censo Demográfico 2022, 8,9% de sua população com algum tipo de deficiência, índice acima da média nacional de 7,3% (IBGE, 2025). Aplicando ao município de Iguatu, que contava com 98.064 habitantes no Censo 2022 (IBGE, 2022), a taxa nacional de dificuldade auditiva severa de aproximadamente 1,3%, estima-se que ao menos 1.300 pessoas no município possam apresentar algum grau de deficiência auditiva. Essa população enfrenta, de forma estrutural, barreiras de comunicação em serviços públicos, ambientes educacionais e espaços digitais, caracterizando uma situação concreta de vulnerabilidade social que o projeto busca endereçar. A disponibilização gratuita da plataforma via navegador, sem necessidade de equipamentos especializados, responde diretamente às condições socioeconômicas dessa comunidade, ampliando o acesso independentemente de localização geográfica ou renda. Entre os principais beneficiários diretos da atividade destacam-se: • Pessoas surdas da região de Iguatu e municípios vizinhos, que poderão utilizar a plataforma como ferramenta de apoio à comunicação e inclusão digital, com estimativa de alcance direto de ao menos 30 pessoas surdas ao longo do projeto, por meio das oficinas e sessões de validação; • Estudantes do curso de Libras do IFCE Campus Acopiara, que participarão ativamente da coleta de dados, das oficinas extensionistas e da validação da plataforma, beneficiando-se do contato com tecnologias educacionais acessíveis aplicadas à sua formação; • Professores e instrutores de Libras da rede pública regional, que poderão incorporar a plataforma como recurso pedagógico complementar em suas atividades de ensino; • Pessoas ouvintes interessadas em conhecer a Libras, favorecendo a disseminação da língua e a redução de barreiras comunicacionais entre surdos e ouvintes na região; • Comunidade regional em geral, que será alcançada pelas ações de extensão, oficinas abertas e divulgação dos resultados do projeto. • Estima-se um alcance direto de ao menos 30 pessoas ao longo dos 10 meses de execução, entre participantes das sessões de coleta de dados, oficinas extensionistas e testes de usabilidade. O impacto indireto, pela disponibilização pública e gratuita da plataforma web, tem potencial de alcance significativamente maior, sem restrição geográfica. A caracterização desse público como prioritário não é apenas técnica, mas política que é atender a comunidade surda do interior cearense, historicamente afastada de soluções tecnológicas de acessibilidade, é coerente com o papel social do IFCE e com os princípios da extensão universitária como prática transformadora e comprometida com a redução de desigualdades (FORPROEX, 2012).
Objetivo Geral
Desenvolver, em parceria com a comunidade surda e instituição educacional da região, uma plataforma web gratuita para reconhecimento em tempo real de sinais de datilologia da Língua Brasileira de Sinais (Libras), utilizando técnicas de visão computacional e aprendizado profundo, visando promover acessibilidade comunicacional, inclusão digital e apoio ao ensino-aprendizado da Libras.
Objetivo Específico
• Realizar levantamento bibliográfico sobre reconhecimento automático de língua de sinais, visão computacional, aprendizado profundo e tecnologias acessíveis aplicadas ao desenvolvimento de soluções inclusivas para a comunidade surda; • Construir e organizar, em parceria com a comunidade surda e instituições parceiras da região, uma base de dados contendo imagens e/ou vídeos de sinais de datilologia em Libras para treinamento e validação dos modelos; • Desenvolver e avaliar modelos de aprendizado profundo, como CNNs, LSTMs e outras arquiteturas de redes neurais aplicadas ao reconhecimento gestual, para o reconhecimento automático de sinais de Libras em tempo real; • Implementar e otimizar uma plataforma web gratuita capaz de reconhecer sinais de datilologia em Libras por meio de câmera, buscando acessibilidade, baixo custo computacional e utilização em diferentes dispositivos; • Validar a plataforma junto à comunidade surda e instituições participantes, promovendo oficinas, ações educativas e coleta de feedbacks para avaliação da usabilidade, acessibilidade e contribuição social da solução desenvolvida.
Metodologia
O desenvolvimento do projeto será realizado por meio de uma abordagem aplicada, experimental e interdisciplinar, envolvendo atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e ações de extensão voltadas à acessibilidade e inclusão digital. A metodologia está organizada em etapas sequenciais e integradas, contemplando desde o levantamento bibliográfico até a validação da plataforma com a comunidade surda, em conformidade com os princípios da Modalidade III da Curricularização da Extensão e com as competências desenvolvidas no Bacharelado em Ciência da Computação do IFCE Campus Iguatu. A comunidade surda e as instituições parceiras, especialmente o IFCE Campus Acopiara, participam ativamente em diferentes momentos da execução, garantindo que a solução desenvolvida responda às demandas reais da comunidade e não apenas a objetivos técnicos isolados. Etapa 1 — Levantamento bibliográfico e técnico (Mês 1) Inicialmente, será realizado um levantamento bibliográfico e técnico sobre reconhecimento automático de língua de sinais, visão computacional, aprendizado profundo e aplicações de acessibilidade baseadas em inteligência artificial. Nessa etapa, serão analisados artigos científicos, bases de dados, ferramentas computacionais, frameworks e modelos de redes neurais utilizados em pesquisas recentes da área, buscando identificar técnicas, arquiteturas e metodologias com melhores resultados para reconhecimento gestual e aplicações em tempo real. Paralelamente, será realizado o primeiro contato formal com a comunidade surda, ouvintes e com os parceiros do IFCE Campus Acopiara, por meio de reuniões de apresentação do projeto, escuta das demandas dos usuários e alinhamento dos protocolos de participação nas etapas seguintes. Etapa 2 — Planejamento e coleta participativa de dados (Meses 1–3) Em seguida, será realizada a etapa de planejamento e construção colaborativa da base de dados utilizada no treinamento dos modelos de inteligência artificial. Os protocolos de captura das imagens e vídeos serão definidos em conjunto com os parceiros e com participantes ouvintes e surdos, garantindo diversidade nos dados coletados em termos de diferentes sinalizadores, condições de iluminação, distâncias e ângulos. As sessões de coleta serão realizadas com apoio de câmera convencional ou webcam, contando com a participação direta de pessoas surdas e estudantes do curso de Libras do IFCE Campus Acopiara que serão convidados por meio do coordenador do curso, que contribuirão como sinalizadores voluntários. Essa participação, além de enriquecer a base de dados com sinais e/ou palavras executados por usuários reais da língua, caracteriza a comunidade como protagonista ativa do processo extensionista. Após a coleta, os dados passarão por organização, rotulagem, tratamento e pré-processamento, incluindo redimensionamento de imagens, normalização, aumento artificial de dados (data augmentation) e separação em conjuntos de treinamento, validação e teste. Etapa 3 — Desenvolvimento e avaliação dos modelos (Meses 4–7) Serão desenvolvidos e avaliados modelos de aprendizado profundo para o reconhecimento automático dos sinais/palavras. Entre as arquiteturas investigadas destacam-se Redes Neurais Convolucionais (CNNs), utilizadas para extração automática de características visuais, e modelos capazes de analisar informações temporais, como LSTMs e outras arquiteturas híbridas aplicadas ao reconhecimento gestual. Também poderão ser utilizados modelos pré-treinados e técnicas de transferência de aprendizado (transfer learning), buscando melhorar o desempenho mesmo com conjuntos de dados menores. Os modelos serão treinados e avaliados por meio de métricas como acurácia, precisão, recall, F1-score e matriz de confusão, tendo como referência mínima de desempenho acurácia igual ou superior a 85% para aprovação e integração à plataforma. Etapa 4 — Prototipação e desenvolvimento da plataforma web (Meses 7–9) Inicialmente, será realizada a prototipação da interface da plataforma utilizando a ferramenta Figma, possibilitando o planejamento visual da aplicação, definição da experiência do usuário e organização dos componentes da interface. O protótipo será apresentado a representantes da comunidade surda, ouvintes de áreas como a Biologia, e parceiros institucionais para coleta de sugestões antes do desenvolvimento final, garantindo que decisões de design e usabilidade considerem as necessidades reais dos usuários-alvo. O frontend da aplicação será desenvolvido utilizando React, juntamente com HTML, CSS e JavaScript, permitindo a criação de uma interface dinâmica, responsiva e interativa. A plataforma utilizará a câmera do dispositivo para captura dos sinais por meio da API WebRTC, com processamento contínuo dos frames utilizando bibliotecas de visão computacional como OpenCV e frameworks especializados em rastreamento de mãos, como MediaPipe, responsáveis pela identificação dos pontos-chave das mãos e extração das características dos gestos realizados. As informações extraídas serão enviadas ao modelo de aprendizado profundo treinado com auxílio de frameworks como TensorFlow e PyTorch, e o resultado da inferência será exibido dinamicamente na interface em tempo real. O projeto também contemplará atividades de otimização computacional, como compressão de modelos, redução de complexidade e paralelização de processamento, visando garantir fluidez e responsividade em dispositivos com diferentes capacidades de hardware. Etapa 5 — Validação com a comunidade e ações extensionistas (Meses 9–10) A etapa final contempla a validação da plataforma junto à comunidade surda e às instituições parceiras, bem como a realização das ações extensionistas previstas. Serão conduzidas ao menos duas oficinas abertas à comunidade, uma no Campus Iguatu e uma em parceria com o IFCE Campus Acopiara, com estimativa de alcance de ao menos 30 participantes externos por ação. Nessas oficinas, participantes surdos, estudantes de Libras, de Ciência da Computação, de Biotecnologia, de Biologia, de Química, de Serviço Social, entre outros, professores e demais interessados utilizarão a plataforma e fornecerão feedbacks estruturados sobre usabilidade, desempenho, acessibilidade e utilidade percebida, por meio de formulários e rodas de conversa. Os retornos obtidos orientarão os ajustes finais da aplicação antes da disponibilização pública. Os resultados do projeto serão divulgados por meio de apresentações em eventos acadêmicos, publicações técnicas e canais acessíveis ao público geral, reforçando o compromisso do IFCE com a produção de ciência e tecnologia de impacto social regional.