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Campus:
CAMPUS ACOPIARA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
“Educação em Todas as Cores: Prevenção e combate à violência homotransfóbica e à evasão escolar nas escolas de Acopiara através do Letramento de Gênero e Sexualidade de servidores(as) da educação básica”
Área Temática:
Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão:
Diversidade sexual
Data de Início:
27/07/2026
Previsão de Fim:
27/01/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
100
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
200
Local de Atuação:
Rural
Fomento:
Edital Conjunto Nº 1/2026 PROEXT/PRPI/REITORIA-IFCE EDITAL DE CONCESSÃO DE BOLSAS DE EXTENSÃO E DE PESQUISA estudantis PARA OS NÚCLEOS DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL DO IFCE
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Acopiara
Formas de Avaliação:
Questionário
Formas de Divulgação:
E-mail
Folheto
Convite
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Rafael Gomes Cruz
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Antonio Fabio Macedo de Sousa IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 27/07/2026 27/01/2027
Francisca Tainan Pereira Jesuita IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 27/07/2026 27/01/2027
Rafael Gomes Cruz IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 27/07/2026 27/01/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2800.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
A diversidade sexual e de gênero tem sido tema cada vez mais recorrente nas discussões sobre inclusão social, e a escola pública que, por sua própria natureza, abriga essa diversidade, precisa ser capaz de garantir não apenas o acesso, mas também a inclusão e a permanência de pessoas LGBTQIAPN+. A comunidade LGBTQIAPN+, porém, ainda é alvo de preconceito e exclusão no ambiente escolar, seja por parte de servidores(as) ou de estudantes, o que compromete sua permanência e seu desenvolvimento integral. A partir das diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e das orientações do Nugeds IFCE, este projeto busca contribuir com a formação de docentes e servidores(as) da educação pública das escolas de Acopiara-CE com ações de letramento de gênero e sexualidade, a fim de prevenir a violência homotransfóbica no ambiente escolar e de promover o respeito às diferenças, além de aproximar o Instituto Federal da comunidade escolar do município de Acopiara.
Justificativa
Apesar da diversidade sexual e de gênero que temos visto ocupar espaços sociais, a cisheterossexualidade é ainda imposta como norma social hegemônica, levando-nos a coexistir com várias formas de discriminação direcionadas àqueles que fogem desta norma, que podem ser incentivadas desde as nossas primeiras interações com o mundo. Nesta conjuntura, a escola é o espaço onde “a criança se depara com o diferente, possibilitando o desenvolvimento dos conceitos de diversidade e consequentemente, da alteridade” (Carvalho et al., 2023, p. 484). Deste modo, é essencial que a escola e aqueles que a compõem estejam preparados para receber, incluir e garantir a segurança e a permanência daqueles que fogem à regra cisheteronormativa, entre eles as pessoas LGBTQIAPN+. Do contrário, não se pode garantir ou mesmo esperar que o ambiente escolar seja um espaço seguro e inclusivo para essas pessoas, gerando um ambiente excludente e violento, culminando na evasão escolar. Segundo a Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional (ABGLT, 2016), 73% dos estudantes LGBTQ+ afirmaram já terem sido agredidos verbalmente nas escolas, e 36%, fisicamente. A consequência direta desse cenário é a evasão escolar: estudantes deixam de frequentar as aulas por não suportarem o ambiente discriminatório (NORO et al., 2016, p. 3). Ratusniak (2024, p. 3) afirma que a evasão é produzida por um intenso processo de classificações e micropunições que tornam a permanência na escola insustentável, especialmente entre populações marginalizadas por marcadores sociais como raça, gênero, orientação sexual e condição socioeconômica. A escola, ao falhar em reconhecer e valorizar a diversidade, transforma-se em um espaço de não-pertencimento, promovendo o que se pode chamar de “expulsão simbólica” desses corpos dissidentes (RATUSNIAK, 2024, p. 5). A invisibilização da diversidade sexual e de gênero na prática pedagógica das escolas brasileiras ocorre, apesar das orientações previstas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) e da Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017), que reconhecem a importância de se trabalhar temas contemporâneos transversais como ética, diversidade cultural e de gênero. Essa omissão pedagógica legitima a ignorância, o preconceito e contribui para a evasão escolar por meio da violência simbólica e institucional (SALVADOR et al., 2021, p. 6-8). A ausência da temática de gênero também fere os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial: o ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 10 (Redução das Desigualdades) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes), que defendem o acesso equitativo à educação e o enfrentamento das desigualdades estruturais (ONU, 2015). A partir dos dados acima, é possível observar que não falar sobre diversidade sexual e de gênero na escola é perpetuar a ideia da hegemonia cisheterossexual como padrão de normalidade, o que “tem o potencial de gerar exclusão social de certos indivíduos” (Domingues; Sena, 2024a, p. 58), criando um ambiente inseguro e excludente para pessoas que fogem a essa normalidade. Além disso, Domingues e Sena (2024b, p. 6) afirmam que a educação em gênero e sexualidade “pode favorecer o desenvolvimento de uma consciência social mais ampla e a construção de relações interpessoais fundamentadas no respeito mútuo”. Entretanto, isso só é possível com a capacitação adequada dos educadores e demais servidores(as) da educação, pois o despreparo para lidar com essa diversidade “pode levar a práticas inadequadas ou até prejudiciais” (Domingues; Sena, 2024b, p. 6). O letramento de gênero e sexualidade de educadores e demais servidores(as) da educação torna-se, então, essencial para a prevenção da violência e da evasão escolar e para a garantia de um ambiente educacional seguro e inclusivo.
Público Alvo
Docentes e demais servidores(as) das escolas públicas de Acopiara-CE
Objetivo Geral
Promover a formação de servidores(as) da educação pública das escolas de Acopiara-CE no que diz respeito ao letramento de gênero e sexualidade, a fim de fomentar o debate sobre diversidade sexual e de gênero, prevenir e combater a violência homotransfóbica e a evasão no ambiente escolar e promover o respeito às diferenças e a equidade, visando um ambiente escolar seguro e inclusivo, além de aproximar o Instituto Federal da comunidade escolar do município de Acopiara.
Objetivo Específico
Promover o letramento de docentes e demais servidores(as) da educação pública nos temas relacionados à diversidade sexual e de gênero. Fomentar o debate sobre diversidade sexual e de gênero nas escolas públicas. Contribuir para o combate e a prevenção da violência homotransfóbica e a evasão no ambiente escolar, a fim de garantir um ambiente escolar seguro e inclusivo; Colaborar para a conscientização da comunidade escolar sobre a importância do respeito à diversidade e aos direitos dos grupos minoritários através da formação de servidores(as) da educação; Divulgar o IFCE e suas ações, aproximando-o das demais escolas da região.
Metodologia
O projeto consiste na realização de ações formativas com caráter dialógico para docentes e demais servidores(as) da educação pública de Acopiara, objetivando o letramento de gênero e sexualidade. As etapas de execução serão detalhadas a seguir. A primeira etapa, que deve iniciar ainda no mês de junho, será de formalização e planejamento. Nela, a equipe de execução do projeto fará o primeiro contato com as escolas da região através de ofícios e contato direto com as direções. As escolas selecionadas em um primeiro momento são a EEEP Alfredo Nunes de Melo, o Liceu de Acopiara e a EEMTI Maria Leal Teixeira, com quem o IFCE Acopiara e o Nugeds possuem uma relação prévia. A seguir, no intuito de formalizar as parcerias, serão realizadas reuniões presenciais com as direções e coordenações pedagógicas das escolas para alinhamento das ações. Firmados os acordos com as escolas parceiras, o Nugeds Acopiara organizará em reunião presencial a agenda de ações. Cada ação terá sua divulgação realizada individualmente na quinzena que a antecede, direcionada especificamente ao seu público alvo. Para isso, contaremos com o apoio das direções e coordenações pedagógicas das escolas parceiras para que os convites oficiais – e-mails, folhetos, cartilhas – cheguem a todos os servidores(as). Tão logo a agenda de ações esteja acordada com as escolas parceiras, daremos início às visitas às escolas. Cada escola receberá uma ação formativa sobre diversidade sexual e de gênero. Entre as intervenções possíveis estão: roda de conversa, exibição de curtas e longas-metragem, produção artística e análise e interpretação de canções. Um questionário de avaliação da ação será aplicado aos participantes no fim de cada visita. Com o encerramento das ações nas escolas, proceder-se-á com as atividades de encerramento do projeto, que consistem na elaboração do relatório final do(a) bolsista, em um evento de culminância em que os resultados do projeto serão apresentados à comunidade acadêmica e na reunião de avaliação do projeto pela equipe de execução. No evento de culminância, até o presente momento chamado de “III Encontro de Educação para a Diversidade", as escolas participantes serão convidadas para integrarem-se à programação. Assim, será possível a análise dos dados coletados, de modo que se possa sistematizar os impactos e sugestões para continuidade e ampliação das ações, além da sistematização das experiências vividas pela(o) bolsista, a fim de que se construa tanto o relato reflexivo deste(a), quanto o relatório final do projeto.