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Campus:
CAMPUS IGUATU
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
NUGEDS em Ação: Enfrentamento à Misoginia e à Violência contra as Mulheres
Área Temática:
Direitos Humanos e Justiça
Linha de Extensão:
Gênero
Data de Início:
17/08/2026
Previsão de Fim:
17/02/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
250
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
300
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
Edital Conjunto Nº 1/2026 PROEXT/PRPI/REITORIA-IFCE EDITAL DE CONCESSÃO DE BOLSAS DE EXTENSÃO E DE PESQUISA estudantis PARA OS NÚCLEOS DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL DO IFCE
Programa Institucional
Nenhum
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Iguatu
Formas de Avaliação:
Participação
Relatório
Frequência
Reunião
Trabalho em grupo
Debate
Formas de Divulgação:
E-mail
Site institucional
Redes sociais
Articulações institucionais
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Roberta Menezes Sousa
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Ioneide de Souza Bandeira Pereira IFCE Integrante Técnico Administrativo IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Ana Paula Bezerra Gonçalves Coletivo Feminista Rosas que Falam Integrante Sem vínculo Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Ana Teresa Bezerra da Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
David Ycaro Peixoto Santana IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Leonardo Rezende Meireles IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Maria Eduarda Oliveira e Silva IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Maria Tereza de Sousa Barros IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Moiza Siberia Silva de Medeiros IFCE Integrante Docente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Nicole Bezerra Costa Movimento LGBTQIAPN+ Integrante Sem vínculo Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Pedro Vieira Silva Filho IFCE Integrante Discente IFCE Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Roberta Menezes Sousa IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 17/08/2026 17/02/2027
Saulo Isaias Vieira de Oliveira URCA (Lab. VOZES) Integrante Sem vínculo Não 3 17/08/2026 17/02/2027
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 2.8
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O Projeto “NUGEDS em Ação: Enfrentamento à Misoginia e à Violência contra as Mulheres” consiste em um projeto de extensão promovido pelo Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NUGEDS) do IFCE Campus Iguatu. A proposta aborda o enfrentamento à misoginia e a desnaturalização das estruturas de superioridade e dominação masculina que fundamentam as diversas formas de violência contra as mulheres. A ação será desenvolvida por meio de ciclos de oficinas temáticas, cine-debates e rodas de conversa itinerantes. O público-alvo central é composto por jovens estudantes e grupos organizados de mulheres da cidade. O contexto geral se insere na necessidade urgente de interiorização dos debates de gênero no Centro-Sul cearense, para contribuir para construção de espaços coletivos de reflexão, participação e de definição de estratégias na prevenção da violência contra as mulheres.
Justificativa
notificados pelo sistema de saúde registrou uma retração de 27,7% em relação ao pico observado em 2017, considerando a primeira série histórica documentada pela respectiva publicação. Não obstante essa diminuição, os números absolutos permanecem alarmantes e confirmam a persistência da violência letal de gênero no cenário nacional, com o registro total de 46.336 assassinatos de mulheres até o ano de 2024. Ademais, ao confrontar esse panorama com a trajetória da população geral, constata-se que a redução do fenômeno foi menos acentuada entre as mulheres, cujo decréscimo de 27,7% situou-se aquém da queda de 33,4% verificada no total de homicídios. Embora, aparentemente inexpressiva, evidencia a persistência de dinâmicas que colocam as mulheres em situação de maior vulnerabilidade. Convém evidenciar que os dados sobre as mulheres negras (pretas e pardas) revelam que são as principais vítimas da violência letal. Em 2024, registrou-se 2.457 mulheres negras vítimas de homicídio, representando 67,5% do total de homicídios femininos. Quando se observa a taxa de homicídios mulheres registrados e estimados de mulheres por 100 mil habitantes no Brasil (2014 a 2024), contata-se que o Estado do Ceará se encontra entre as cinco unidades federativas com os níveis mais elevados de violência letal feminina. Concentra-se nas regiões Norte e Nordeste, sendo composto também por Roraima, Rondônia, Pernambuco e Bahia. Em Iguatu, o NUGEDS ao acompanhar as pesquisas documentais baseadas nos atendimentos do Centro de Referência da Mulher de Iguatu (CRMI), nos inquéritos da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Iguatu e participar de forma ativa do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, pode apreender a espiral persistente da violência doméstica e da subnotificação dos casos de violência contra as mulheres. Além disso, uma pesquisa realizada em Iguatu em 2025-2026, pelas instituições de ensino públicas, IFCE, URCA e ESPI, através do PET Saúde Equidade, com trabalhadoras do SUS e estudantes universitárias da área da saúde, evidenciou relatos sobre violência institucional, assédio, discriminação e adoecimento emocional em ambientes de trabalho e formação acadêmica. O levantamento ouviu profissionais da atenção primária, da rede de atenção psicossocial e estudantes dos cursos de Serviço Social, Enfermagem e Educação Física vinculados ao IFCE e à URCA. Ao todo, participaram 398 trabalhadoras da saúde e 128 estudantes na etapa de questionários. Nas rodas de conversa posteriores, participaram outras 94 profissionais e 22 universitárias. Entre os relatos reunidos pela pesquisa aparecem episódios de machismo estrutural, assédio moral e sexual, racismo, etarismo e conflitos internos nas equipes de saúde. As participantes também apontaram sobrecarga de funções, desgaste físico e mental, além da ausência de canais considerados eficazes para denúncias e acolhimento. No ambiente universitário, estudantes referiram episódios de assédio, preconceito racial, LGBTfobia e capacitismo. Também surgiram queixas sobre excesso de demandas acadêmicas, dificuldade de conciliar rotina pessoal e estudos e falta de suporte psicológico adequado nas instituições de ensino. Acrescenta-se que a reincidência de infrações ligadas ao descumprimento de medidas protetivas; o pouco conhecimento dos direitos das mulheres que constam na Lei Maria da Penha; as limitações dos serviços municipais e estaduais ofertados na cidade e região centro-sul; o processo de desarticulação dos movimentos feministas e de mulheres na cidade reforçam a necessidade de projetos de extensão voltados à prevenção e ao enfrentamento à violência contra as mulheres. Ademais, cumpre ponderar a atual ofensiva ultraconservadora voltada a reiteração da dominação masculina e ao controle sobre o corpo e sexualidade das mulheres, à naturalização/ banalização das formas de discriminação e das relações violentas. Tal fenômeno maximiza-se pela expansão dos ecossistemas virtuais, expressamente conhecido como machosfera. Caracterizadas como comunidades virtuais de radicalização, arregimentam homens insatisfeitos do ponto de vista afetivo, pessoal, profissional, promovendo a ideia de que perderam privilégios históricos para as mulheres. Consequentemente, culpabilizam o feminismo e promovem uma cultura de hostilidade sistemática contra as mulheres, direcionada prioritariamente para aquelas que manifestam liberdade e autonomia. A realidade descrita comprova a necessidade urgente de intervenções educativas e preventivas, como uma estratégia importante de enfrentamento à violência contra as mulheres e especialmente de construção de uma cultura antimachista e antimisógina. É fundamental orientar e informar as mulheres sobre os processos que constroem uma cultura violenta, muitas vezes naturalizada, assim como é necessário e ético, construir com as juventudes uma postura que respeite as mulheres e que as coloquem a salvo de toda forma de violência e discriminação
Público Alvo
O público atendido diretamente totalizará cerca de 200 pessoas do município de Iguatu-CE. Este contingente segmenta-se em dois grupos principais: - Juventude: Aproximadamente 120 jovens, com faixa etária entre 15 e 24 anos, prioritariamente alunas/os de escolas públicas municipais e estaduais e jovens residentes nos bairros adjacentes. - Mulheres: Cerca de 80 mulheres a partir de 18 anos, integrantes de associações de mulheres e de moradoras/es dos bairros, coletivos feministas locais e movimentos sociais organizados mistos que atuam na defesa dos direitos das mulheres, bem como com os grupos de mulheres ligados aos Centros de Referência da Assistência Social de Iguatu.
Objetivo Geral
Contribuir para a prevenção e o enfrentamento da violência de gênero e do feminicídio no município de Iguatu por meio de ações extensionistas voltadas para a formação e conscientização sobre os direitos das mulheres, face ao avanço dos discursos de ódio e à cultura masculinista.
Objetivo Específico
- Promover espaços formativos sobre a Lei Maria da Penha, visando ampliar o conhecimento das mulheres sobre seus direitos; - Desenvolver ações de conscientização sobre a importância e o funcionamento das Medidas Protetivas de Urgência (MPU) e de como acessá-las; - Desmistificar os discursos da machosfera e da ofensiva ultraconservadora, enfrentando a naturalização da misoginia e o controle sobre o corpo e a sexualidade feminina.
Metodologia
1) Planejamento, divulgação e mobilização do público externo Esta etapa inicial compreenderá a preparação da equipe interna, do ponto de vista teórico, com estudos pertinentes ao desenvolvimento do projeto de extensão, bem como a elaboração de estratégias de aproximação com o público externo. No segundo momento, bolsista e demais integrantes do NUGEDS, sob supervisão da coordenação do NUGEDS, realizarão visitas técnicas presenciais aos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), associações de moradores, coletivos feministas e escolas públicas selecionadas para apresentação do projeto, diretamente, pactuando o cronograma de realização das rodas de conversa, oficinas e cine-debates a depender do público. As redes sociais serão utilizadas para veicular as ações do projeto, a produção de cards informativos, vídeos curtos explicativos, sugestão de filmes, textos, sites no perfil oficial do IFCE Campus Iguatu e do NUGEDS, ambos no Instagram. 2) Execução: A execução será dividida em eixos temáticos direcionados de forma específica para a comunidade externa e interna do IFCE. Desta forma, as ações voltadas para as mulheres (80 Mulheres a partir de 18 anos) compreenderão rodas de conversas e oficinas sobre a Lei Maria da Penha. As técnicas a serem utilizadas nestas atividades incluirão os círculos de cultura freiriano, onde as mulheres compartilharão suas vivências e as/os estudantes contribuirão na identificação das violências física, psicológica, moral, patrimonial, sexual e vicária. Para a discussão das Medidas Protetivas de Urgência (MPU), iremos apresentar casos práticos, o fluxograma visual para demonstrar como, onde e quando solicitar uma MPU em Iguatu e as consequências jurídicas do descumprimento por parte do agressor e os canais de denúncia locais (CRMI, DDM, Patrulha Maria da Penha, Defensoria pública, Ministério Público e canais telefônicos). As ações voltadas à juventude (120 Jovens de 15 a 24 anos em Escolas Públicas e 50 estudantes do IFCE) serão realizadas oficinas dinâmicas de Desconstrução da Machosfera e Combate à Misoginia, com uso de recursos audiovisuais e postagens típicas de fóruns masculinistas/red pill) e com os cine-debates. Com a comunidade acadêmica (estudantes, servidoras/es, prestadoras/es de serviço, estagiárias/os, voluntárias/os e terceirizadas/os iremos desenvolver ações educativas permanentes para prevenir o assédio sexual e a misoginia, com base na Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, apresentando os canais de acolhimento, denúncia e o tratamento das mesmas.