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Campus:
CAMPUS FORTALEZA
Tipo da Ação:
Projeto
Título:
Qualificando Negócios: Consultoria em Serviços de alimentação - higiene, manipulação e conservação de alimentos na comunidade.
Área Temática:
Saúde
Linha de Extensão:
Segurança Alimentar e Nutricional
Data de Início:
15/09/2026
Previsão de Fim:
15/10/2027
Nº mínimo de pessoas beneficiadas:
50
Nº máximo de pessoas beneficiadas:
500
Local de Atuação:
Urbano
Fomento:
-
Programa Institucional
-
Modelo de Oferta da Atividade:
Presencial
Municípios de abrangência
Fortaleza
Formas de Avaliação:
Pesquisa de Satisfação
Participação
Frequência
Formas de Divulgação:
Folder
Folheto
Convite
Entrega presencial de convites
Atividades Realizadas:
Nome do Responsável:
Cristina Zita de Morais Costa Dias Barbosa
Equipe:
Nome Instituição Categoria Vínculo Receberá bolsa? Horas Semanais Dedicadas Início da Participação Fim da Participação
Ana Lucia Lima Angelo Ferreira IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Carla Caroline da Silva Oliveira IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Cristina Zita de Morais Costa Dias Barbosa IFCE Coordenador Docente IFCE Não 4 15/09/2026 15/10/2027
Edenice Pires Alves IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Gleice Kemily dos Santos Moura IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Ireuda Lino dos Anjos IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Maria Edna da Costa Herlan IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Maria Laenia Antunes de Azevedo IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Maria Tamires Ferreira Santos IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Rosilene Silva de Oliveira IFCE Integrante Discente IFCE Não 4 15/09/2026 15/12/2026
Parcerias:
Instituição Parceira Parceria Formalizada? Instrumento Utilizado Número do Instrumento
Orçamento:
Conta Valor
Bolsa - Auxílio Financeiro a Estudantes 0.0
Bolsa - Auxílio Financeiro a Pesquisadores 0.0
Diárias - Pessoal Civil 0.0
Encargos Patronais 0.0
Equipamento e Material Permanente 0.0
Material de Consumo 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física 0.0
Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Jurídica 0.0
Passagens e Despesas com Locomoção 0.0
Vínculos:
Ação Tipo
Apresentação
O projeto de extensão "Qualificando Negócios: Consultoria em Serviços de Alimentação" surge como um elo entre o conhecimento adquirido em sala de aula e a prática do conteúdo na aplicação de consultorias de higiene, manipulação e conservação de alimentos em serviços de alimentação. Desenvolvida no âmbito da disciplina de Práticas Profissionais, do Curso Técnico em Alimentos, a atividade foi desenhada sob medida para a realidade de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), valorizando suas vivências e seus territórios. A proposta consiste na realização de uma consultoria técnica simplificada e gratuita em microempreendimentos e serviços de alimentação situados nos próprios bairros onde os alunos residem. Cada estudante será responsável por adotar um estabelecimento local (como padarias, lanchonetes, supermercados ou produtores caseiros), atuando como um agente de transformação e qualificação da produção de alimentos daquela comunidade. Ao longo do projeto, os alunos aplicarão na prática os conceitos fundamentais de controle de qualidade, atuando como verdadeiros consultores em alimentos, com foco em três pilares essenciais :Higiene: Processos de higienização de ambientes, utensílios e asseio pessoal. Manipulação: Boas práticas no preparo seguro dos alimentos, evitando contaminações. Conservação: Armazenamento correto, controle de temperatura e organização de estoque (prazos de validade). Este projeto se apresenta como uma ação de forte impacto social, prevenindo contaminações, promovendo a segurança alimentar da comunidade, diminuindo o desperdício de insumos, incentivando a sustentabilidade, consolidando a postura profissional, a autonomia e a empregabilidade dos discentes.
Justificativa
1. Panorama Mundial e Nacional: O Paradoxo da Insegurança Alimentar e do Desperdício A formulação desta proposta fundamenta-se em um dos cenários mais complexos da atualidade: a urgência na governança da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Em nível global, dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 2023) apontam que as Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) causam cerca de 1,5 milhão de mortes anualmente, configurando uma crise de equidade sanitária, uma vez que comunidades periféricas e de poucos recursos sofrem as maiores consequências da exposição a alimentos inseguros. Concomitantemente, a Food and Agriculture Organization (FAO, 2024) sinaliza um paradoxo global, onde o aumento dos índices de insegurança alimentar severa coexiste com os dados alarmantes do United Nations Environment Programme (UNEP, 2024), que aponta que o desperdício de alimentos no mundo atinge a marca de 1 bilhão de toneladas ao ano, agravando diretamente a fome e a degradação ambiental. No Brasil, o cenário replica esse paradoxo de forma latente. O país figura no ranking dos que mais descartam comida no planeta (UNEP, 2024), gerando um prejuízo econômico e social que caminha lado a lado com milhões de cidadãos vivenciando restrições alimentares severas (FAO, 2024). Argumenta-se, frequentemente, que o combate à insegurança alimentar depende de macropolíticas de distribuição de renda ou do aumento da produção agrícola. Contudo, a contra-argumentação técnica demonstra que grande parte do problema reside na ponta final da cadeia de suprimentos: o segmento de varejo alimentar e serviços de alimentação de pequeno porte (como lanchonetes, mercados comunitários e produtores locais) responde por parcelas expressivas do desperdício de insumos e pela incidência de surtos infecciosos, causados estritamente pela ausência de protocolos de higiene, manipulação e conservação adequada de alimentos (OPAS, 2023). 2. Panorama Local e Institucional: A Demanda Social e o Papel do IFCE No contexto local, especificamente nas periferias e bairros em que residem os estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE), os microempreendimentos gastronômicos surgem como mecanismos informais de sobrevivência econômica e geração de renda. Estes estabelecimentos, contudo, operam à margem do suporte técnico especializado. As consultorias privadas de controle de qualidade são financeiramente inacessíveis para o pequeno comerciante de bairro. Há uma clara demanda social por transferência de tecnologia e capacitação sanitária básica, tendo como norte as diretrizes da Resolução RDC nº 216/2004 da Anvisa (BRASIL, 2004). Diante desse gargalo, reside a missão institucional do IFCE: atuar como vetor de desenvolvimento regional, inclusão produtiva e democratização da ciência. A aprovação desta proposta vai ao encontro direto das metas institucionais contidas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) do IFCE (IFCE, 2024) no tocante à extensão tecnológica com ênfase na emancipação cidadã. Justifica-se a intervenção como um retorno de alto impacto social, onde a instituição cumpre seu dever constitucional de projetar sua expertise acadêmica para além dos muros do campus, intervindo diretamente em grupos sociais vulneráveis. 3. Perspectivas Pessoal e Social: O Protagonismo dos discentes do EJA Sob a ótica do desenvolvimento pessoal e da inclusão, o projeto ganha contornos pedagógicos inovadores ao focar exclusivamente nos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Curso Técnico em Alimentos. Historicamente afastados do ecossistema de oportunidades acadêmicas e de liderança mercadológica, esses alunos possuem um capital territorial inestimável. Eles conhecem profundamente a realidade e os atores comerciais de seus bairros. O projeto inverte a lógica tradicional em que os estudantes da EJA figuram apenas como receptores passivos de conteúdos teóricos. Ao descentralizar a ação de extensão e permitir que cada aluno adote e preste consultoria a um estabelecimento local, fomenta-se o empoderamento pessoal, a oratória técnica, a autonomia de mercado e a inserção profissional imediata desses estudantes. Socialmente, a comunidade externa é integrada ao processo educativo do IFCE, deixando de ser mero objeto de estudo para tornar-se parceira na co-criação de soluções sanitárias. O resultado prático consolida uma rede solidária de alimentação segura, sustentabilidade econômica periférica e valorização da educação pública profissional.
Público Alvo
O objetivo geral deste projeto de extensão destina-se a qualificar os processos produtivos de pequenos comércios e conscientizar a comunidade periférica sobre a importância da segurança alimentar. Para fins de organização e mensuração do impacto social da intervenção, o público-alvo foi dividido em duas categorias: direto e indireto. 1. Público-Alvo Direto O público-alvo direto e imediatamente atendido pela atividade é composto por 10 microempreendedores proprietários de serviços de alimentação de pequeno porte, além de seus respectivos colaboradores (manipuladores de alimentos), localizados nos bairros periféricos de residência dos discentes da EJA. Delimitação e Perfil dos Atendidos: Serão incluídos na ação estabelecimentos comerciais que possuam perfil de microempresa, empresas de pequeno porte (EPP), microempreendedores individuais (MEI) ou produtores informais/caseiros da cadeia de alimentos do varejo. O projeto delimita o atendimento aos seguintes perfis de estabelecimentos locais: • Padarias e panificadoras comunitárias; • Lanchonetes, pastelarias e hamburguerias de bairro; • Serviços de fornecimento de refeições marmitas (marmitarias); • Minimercados, mercearias ou pequenos supermercados de bairro; • Produtores autônomos caseiros (confeiteiras, salgadeiros e produtores de marmitas em regime residencial). Quantidade Prevista: Considerando o contingente de 10 alunos matriculados na disciplina de Práticas Profissionais II, e adotando a metodologia de que cada estudante será responsável por adotar e acompanhar 01 (um) estabelecimento comercial, a meta de atendimento direto está fixada estritamente em 10 estabelecimentos de serviços de alimentação. Estima-se o envolvimento direto de aproximadamente 15 a 20 manipuladores de alimentos (entre proprietários e ajudantes de cozinha) recebendo as orientações de boas práticas de fabricação. 2. Público-Alvo Indireto O público-alvo indireto abrange a comunidade externa consumidora que frequenta e adquire os produtos dos estabelecimentos assessorados. Ao otimizar os padrões de higiene, manipulação e conservação desses estabelecimentos, o projeto impacta indiretamente a saúde pública e a segurança alimentar de centenas de moradores locais. Estima-se um alcance indireto de aproximadamente 500 a 1.000 cidadãos da comunidade externa, considerando o fluxo médio de clientes diários e semanais que consomem nesses comércios de bairro. Além disso, as famílias dos próprios estudantes da EJA figuram como beneficiários indiretos, por meio da multiplicação interna do conhecimento sobre manipulação doméstica segura de alimentos.
Objetivo Geral
Desenvolver práticas profissionais de consultoria técnica em serviços de alimentação nos bairros de residência dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do IFCE, propondo e implantando melhorias práticas e simplificadas nos processos de higiene, manipulação e conservação de alimentos, de modo a qualificar o comércio local, mitigar riscos sanitários na comunidade externa e consolidar a autonomia profissional dos discentes.
Objetivo Específico
- Diagnosticar as principais inconformidades nos processos de higiene, manipulação e conservação de alimentos nos microempreendimentos adotados. - Propor soluções de controle de qualidade viáveis, de baixo custo e adequadas à realidade estrutural e financeira de cada estabelecimento parceiro. - Capacitar os proprietários e manipuladores de alimentos locais por meio de orientações práticas focadas nas normas de segurança alimentar. - Fomentar o protagonismo técnico, a postura profissional e a autonomia de mercado dos estudantes da EJA fora do ambiente escolar. - Mitigar os riscos de contaminação e de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) para os consumidores da comunidade externa.
Metodologia
A metodologia deste projeto de extensão está alinhada às diretrizes de indissociabilidade do IFCE, pautando-se na construção compartilhada do conhecimento entre a instituição e a comunidade externa. A execução do projeto se dará de forma horizontal, dividida em quatro macroetapas operacionais: Planejamento, Divulgação e Abordagem, Execução e Técnicas de Intervenção, e Acompanhamento e Avaliação. 1. Planejamento Nesta fase interna de alinhamento pedagógico na disciplina de Práticas Profissionais II, os discentes do Curso Técnico em Alimentos – EJA, passarão por um nivelamento técnico focado no papel de um consultor de alimentos. Técnicas de Preparação: Serão realizadas simulações em sala de aula, para treinar a comunicação e a postura profissional dos estudantes perante os comerciantes. Construção das Ferramentas: Alunos e professor elaborarão em conjunto duas ferramentas fundamentais em linguagem simplificada e acessível: o Checklist Visual de Diagnóstico (baseado na RDC 216/2004) e o modelo de Plano de Ação de Bolso. A comunidade interna participará ativamente desenhando um material didático prático, desprovido de termos excessivamente acadêmicos, garantindo uma posterior recepção acolhedora no campo. 2. Divulgação e Abordagem com a Comunidade Externa A inserção nos territórios ocorrerá de forma descentralizada nos bairros onde os alunos residem, aproveitando o vínculo de confiança e o capital cultural que eles já possuem com a comunidade local. Técnicas de Abordagem: Cada aluno visitará um microempreendimento do seu bairro portando a Carta de Apresentação Oficial do IFCE. A abordagem não terá caráter fiscalizatório ou punitivo, mas sim de parceria colaborativa e mútua ajuda. Co-construção da Proposta: O estudante explicará que a atividade é uma consultoria técnica gratuita. O comerciante participará ativamente desde o primeiro momento, assinando o termo de adesão de forma voluntária e estabelecendo os melhores dias e horários para as visitas, respeitando o fluxo comercial do estabelecimento. 3. Execução e Técnicas de Intervenção Esta etapa operacionaliza diretamente os objetivos específicos de diagnóstico e intervenção técnica nos estabelecimentos adotados. Passo 1 - Diagnóstico Situacional: O aluno aplicará o Checklist Visual nas áreas de manipulação, estoque e higienização. Serão registradas fotos de inconformidades (ex: armazenamento inadequado, ausência de etiquetas) com a prévia autorização do proprietário. Passo 2 - Elaboração Compartilhada do Plano de Ação: Em sala de aula, as falhas encontradas serão discutidas no grupo de alunos. Em seguida, de volta ao comércio, o aluno construirá o Plano de Ação juntamente com o proprietário. O comerciante dita a realidade financeira do negócio e o estudante propõe soluções de baixo custo (ex: uso de fita crepe para rotulagem de validade, organização de geladeiras por prateleiras conforme a temperatura, cartazes visuais de lavagem de mãos). As melhorias não são impostas, são negociadas. Passo 3 - Capacitação e Intervenção Prática: O aluno realizará um treinamento in loco (de 15 a 30 minutos) com os manipuladores do local, utilizando materiais visuais explicativos sobre técnicas corretas de higienização de utensílios, controle de pragas urbano e conservação de temperatura de insumos. 4. Acompanhamento, Avaliação e Resultados Apresentados. O monitoramento da ação ocorrerá de forma contínua para avaliar o impacto real na comunidade externa e o desenvolvimento profissional dos discentes. Acompanhamento perante a Comunidade Externa: O aluno realizará uma última visita técnica para verificar a aderência do comércio às soluções propostas, checando se os hábitos de manipulação e conservação foram incorporados à rotina e coletando o feedback qualitativo do proprietário sobre a utilidade do projeto. Avaliação do Projeto: A avaliação será processual e formativa. Os estudantes serão avaliados pela pontualidade, postura profissional, relatórios de evolução das visitas e engajamento. A avaliação da extensão considerará a taxa de permanência e satisfação dos comércios atendidos. Conteúdos e Resultados Apresentados: No encerramento do projeto, os alunos consolidarão os resultados através de um Portfólio Visual de "Antes e Depois", contendo o registro fotográfico das melhorias implantadas e o Plano de Ação concluído. Esses resultados serão apresentados em um seminário na disciplina no IFCE, onde os dados coletados sobre o panorama sanitário dos bairros serão discutidos como insumos para futuras pesquisas institucionais. Cada comerciante parceiro receberá um Relatório Técnico de Conformidade simplificado e uma declaração de participação emitida pelo IFCE, chancelando a qualidade e a segurança alimentar do seu negócio.